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Colosso amazônico

Com uma casa de 2 500 metros
quadrados no meio da selva,
Amazonino Mendes entra na mira do STJ

Christian Schwartz, de Manaus

 

A mansão do governador: heliporto, pista de cooper, piscinas e suíte de 250 metros quadrados

Não é pública a obra mais vistosa do governador Amazonino Mendes. Mas há muita suspeita no Ministério Público Federal do Amazonas de que os recursos gastos com ela tenham vindo, por tabela, dos cofres estaduais. A recém-inaugurada mansão do governador, plantada às margens de uma reentrância do Rio Negro chamada Igarapé Tarumã, provoca espanto tanto em quem sobrevoa a região oeste de Manaus, para aterrissar no Aeroporto Eduardo Gomes, quanto em quem sabe fazer contas. Com 2.500 metros quadrados de área construída, num terreno de 3 hectares, a casa tem um parque aquático com quatro piscinas climatizadas, bar e churrasqueira no quintal, mais um lago artificial resultante do aterramento de parte do igarapé, píer, cascata e heliporto, entre outras comodidades. A edificação principal reúne cinco suítes com amplas varandas. A maior, do dono da casa, tem 250 metros quadrados e uma sauna privativa. A torre do elevador separa essa parte do anexo que abriga os salões de jogos e de festas, ambos com amplos vidros à prova de bala.

É o lugar no qual Amazonino sonhava usufruir a aposentadoria, conforme vem afirmando aos amigos que passeiam sobre o piso de vidro do 2º andar, uma placa com 10 centímetros de espessura através da qual se vê o jardim interno plantado no pavimento inferior. Uma placa idêntica trincou durante a colocação e foi preciso encomendar outra ao fornecedor, nos Estados Unidos. Telhas importadas e proteção acústica fazem as visitas se esquecerem tanto da temperatura exterior, às vezes de 40 graus, como da proximidade do aeroporto. Só na casa, sem benfeitorias como pista de cooper e estacionamento, foi gasto, pela mais modesta avaliação, não menos que 1,2 milhão de reais, considerando o custo unitário básico de construção de alto padrão no Amazonas, um índice oficial mas que está longe de refletir obras com tanto material importado. Mas o que mais espanta é saber que, ao candidatar-se à reeleição, em 1998, Amazonino apresentou uma declaração de patrimônio com bens que não somavam mais que 750 000 reais. Como o salário de governador é de apenas 8.000 reais mensais, brutos, há um mistério financeiro na história.

É para esclarecê-lo que, provocado pelo deputado estadual Mário Frota, do PDT, o Superior Tribunal de Justiça pediu ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que desengavete um processo preparado pelo procurador-chefe do Ministério Público Federal amazonense, Sérgio Lauria Ferreira, no qual se alinham indícios de que o governador mandou dinheiro para bancos no exterior ilegalmente. Há denúncias documentadas de um ex-amigo de Amazonino, o operador de comércio internacional Juarez Barreto Filho, segundo as quais o governador fazia depósitos no Maryland National Bank de Luxemburgo, na Europa. Um dos comprovantes é um extrato bancário revelando o depósito de 500.000 dólares nessa conta, parte de uma série de pagamentos que Barreto Filho diz ter feito a Amazonino como contrapartida a obras que conquistou no Estado do Amazonas. Essas denúncias pararam ao chegar a Brindeiro porque o governador levou-lhe um desmentido do próprio Barreto Filho. "Mas o empresário já garantiu que nunca fez esse desmentido", afirma o procurador Ferreira.

Sergio Dutti

O governador Amazonino Mendes: reforço no patrimônio


Amazonino – que não recebe repórteres para falar da casa – já procurou justificar os gastos com a construção alegando que tomou empréstimo de 300.000 reais na Caixa Econômica Federal, mas ficam faltando zeros para chegar às avaliações da obra. Na semana passada, um interlocutor freqüente do governador passou adiante a versão de que ele agora vai informar que vendeu um galpão por 600 000 reais para bancar a construção. Uma dificuldade para essa alegação é o fato de que, na declaração de rendimentos do então candidato apresentada em 1998, o galpão aparece valendo 30 000 reais. A outra é que o comprador teria sido o empresário Murilo Rayol, um empreiteiro que toca várias obras estaduais, é amigo do governador e constrói projetos assinados pelo mesmo responsável técnico que cuidou da mansão de Amazonino, o engenheiro Carlos Roberto Menezes Gavinho.

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