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Conversa e pão de queijo

Antonio Milena
Antonio Milena
Thaís fala com Nenê: saga brasileira

Quem se senta para uma entrevista com a editora Thaís Oyama dificilmente sai dela como entrou. Thaís tem a capacidade tão especial, mesmo entre jornalistas tarimbados, de sempre trazer à tona alguma coisa nova sobre o entrevistado – uma frase, um recanto de sua personalidade, um desabafo, uma revelação. Foi essa capacidade que a jornalista colocou no caminho de Constantino de Oliveira, um empresário legendariamente recluso, do tipo que não comparece nem a homenagem a si mesmo. Dono da maior frota de ônibus do Brasil, o empresário mineiro, conhecido como Nenê Constantino, cedeu. No começo da semana passada, pela primeira vez em seus 69 anos, Nenê deu uma entrevista, ao receber a editora de VEJA no escritório da empresa em São Paulo. Gostou tanto que repetiu a dose dias depois, em sua casa em Brasília. Manteve uma única birra: a de não posar para fotografias.

Nenê Constantino é protagonista do tipo de saga que caberia numa novela de Benedito Ruy Barbosa. Menino pobre da cidade de Patrocínio, foi vendedor de verduras e caminhoneiro. Vislumbrou as vantagens do transporte de pessoas, em vez de carga, visto que aquelas se autodescarregavam. Dotou os ônibus pioneiros de ferramentas pesadas para chegar ao final de estradas até então intransponíveis. Hoje, com 6.000 ônibus nas garagens, planeja voar mais alto e entrar no ramo da aviação. Para traçar o perfil desse negociante matreiro, que mantém hábitos como só comer em restaurantes a quilo, Thaís Oyama enfrentou algumas fornadas de pão de queijo e muitas horas de conversa. Sansei de Mogi das Cruzes, em São Paulo, ela encontrou alguns pontos em comum com o empreendedor mineiro, do tipo que nunca diz não – e planeja seus movimentos pensando no resultado final, lá adiante. Pode-se dizer que saíram ambos razoavelmente satisfeitos: Nenê, com sua primeira entrevistadora; Thaís, com o primeiro entrevistado a chamá-la de "minha fia".

 

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