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Edição 2073

13 de agosto de 2008
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Cinema
A raposa e os perdigueiros

A caçada meio real (e bem surreal) ao sérvio Karadzic


Isabela Boscov

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Em 2000, cinco jornalistas estrangeiros – entre os quais Sebastian Junger, autor de A Tormenta – se reuniram num boteco de Sarajevo para relembrar os tempos em que cobriam a Guerra da Bósnia e planejar uma viagem à costa do Adriático. Copo vai, copo vem, eles decidiram, com a genialidade típica dos ébrios, fazer uma paradinha no caminho da praia. Uma paradinha em Celebici, reduto controlado pelos sérvios, onde se dizia estar escondido Radovan Karadzic, um dos líderes do genocídio perpetrado contra os bósnios. O furo jornalístico seria impagável; e a recompensa que o governo americano oferecia pela captura pagaria várias contas atrasadas. Não se está estragando a surpresa ao dizer que os intrépidos – e bêbados – repórteres não atingiram seu intento. Karadzic foi preso no mês passado, depois de anos posando de guru espiritual em Belgrado, sob o pseudônimo artístico, por assim dizer, de Dragan Dabic. O que a aventura do grupinho rendeu foi um artigo na revista Esquire, escrito por Scott Anderson, um dos participantes, mais encrencas grossas com várias facções ao mesmo tempo. Esse episódio saboroso – posto que todos sobreviveram inteiros – inspira A Caçada (The Hunting Party, Estados Unidos/Croácia/Bósnia-Herzegovina, 2007), desde sexta-feira em cartaz no país.

No filme, Richard Gere é um repórter-estrela que cai em desgraça ao ter uma síncope humanista diante da câmera, durante a Guerra da Bósnia. Anos mais tarde, ele planeja dar a volta por cima prendendo um certo "Raposa" em Celebici. Leva junto seu antigo cinegrafista (Terrence Howard) e um estagiário (Jesse Eisenberg, ponto alto do elenco). Seguem-se confusões a rodo (a cena em que o trio entra numa taverna de Celebici não faria feio em A Dança dos Vampiros). Só que elas vêm sem álcool, e acrescidas de um tempero que não casa com o tom cínico e surreal da história: a empatia sempre à flor da pele com o sofrimento alheio, que fora da ficção mataria de dor um correspondente de guerra. O diretor Richard Shepard, pelo jeito, duvidou de que a platéia fosse capaz de acreditar no inacreditável. Que, nesses casos, é sempre o mais provável.



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