Edição 1815 . 13 de agosto de 2003

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Carta ao leitor
Uma semana histórica

Rafael Neddermeyer/AE
A votação na Câmara: surge a "oposição cívica"

Com a votação em primeiro turno pela Câmara dos Deputados da reforma previdenciária, na semana passada o Brasil deu mais um passo rumo a uma sociedade mais equilibrada e fecunda para todos os brasileiros. Foi um passo pequeno e até doloroso quando vêm à mente as imagens da Praça dos Três Poderes, em Brasília, tomada pela baderna orquestrada por vândalos a serviço de uma minoria contrariada. Quando se enxerga além da histeria das ruas, o avanço ganha suas dimensões reais. O texto da reforma está longe do ideal. Do jeito que saiu, porém, ele já aponta para a estabilização a longo prazo do sistema previdenciário dos funcionários públicos, cujo rombo tem sido uma das maiores sangrias financeiras do combalido Estado brasileiro.

Além dessa, foram muitas e significativas as vitórias obtidas nas duas madrugadas de votações decisivas da semana passada. Primeiro, dissipam-se as dúvidas restantes sobre as convicções do governo de Luiz Inácio Lula da Silva para persistir no fortalecimento institucional que marcou a administração anterior. Será muito positiva para o Brasil daqui para a frente a percepção tanto interna quanto externa de que Lula não apenas sabe o caminho correto mas é capaz de direcionar a máquina política e administrativa no rumo desejado.

Em segundo lugar, mas uma vitória não menos animadora, assistiu-se ao surgimento do germe de uma entidade que em países bem-sucedidos cumpre um formidável papel modernizador e debelador de crises. Fala-se aqui da "oposição cívica", aquela que, em sacrifício de ganhos políticos imediatos, vota com o governo quando a questão em pauta é do alto interesse nacional. Foi o que se viu em Brasília na semana passada. Pareceu fragilidade o fato de o governo ter contado com votos de deputados do PSDB e do PFL para fazer passar o texto da reforma da Previdência no plenário da Câmara. Ao contrário, foi um sintoma de que o mundo político brasileiro começa a ganhar juízo, o que, é sempre bom lembrar, o partido governista, o PT, nunca teve na oposição.

 
 
 
 
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