Edição 1913 . 13 de julho de 2005

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Moda
A hora da adaptação

Desfiles encerrados, as grifes
de biquíni redesenham o que
não dá para usar de verdade


Roberta Salomone

 

Fotos Marcio Madeira, Maria Valentino/Fotosite, Claudio Pedroso/Reuters e Alexandre Schneider
Em desfile: mistura de tecidos, renda, argolas, crochê, Carmen Miranda e Raica de metade biquíni, metade maiô

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O biquíni mais sensacional da próxima fornada não é um biquíni. É a estranha peça da foto à esquerda (um "jeansquíni"?), produção da marca Zoomp mostrada na semana de moda de São Paulo, que une conceitos sofisticados de moda à exuberante vulgaridade do figurino das garotas dos bailes funk. É preciso muita audácia, fashion ou funk, para sair pelo mundo vestindo a peça (que vai custar 360 reais na loja). Se não for adotada nem pelas brasileiras, que amam as duas coisas – jeans e biquíni – e são reputadas pela disposição em mostrar o corpo e provocar a audiência, não tem importância. A roupa terá feito história na categoria das ousadias estilísticas que dão o que falar na passarela, mas, normalmente, não são vistas fora dela. Criar peças de grande impacto, mas quase nenhuma aplicação prática, é quase obrigatório quando se trata da moda praia: imaginem desfile após desfile mostrando apenas o que se usa na vida real (sutiã de cortininha-calcinha de lacinho, com quase zero de recortes e detalhes, para não interferir no bronzeado). Seria um tédio só, mesmo se considerando a beleza das modelos e a graça dos adereços. Por isso, encerrada a maratona de montagem dos desfiles, começa agora o segundo turno da criação – aquele dedicado a transformar experiências estilísticas em peças usáveis e vendáveis. "O trabalho conceitual dá resultado na passarela, mas é o básico que vende", atesta a carioca Lenny Niemeyer. A estilista reserva 20% de sua coleção para modelos de belo efeito visual como o biquíni marrom (na foto acima), composto de calcinha micro e sutiã cheio de personalidade, com alças largas e argolas de metal revestidas de bolinhas de latão ("Trabalhoso demais e caro demais", resume Lenny).


Jeans e biquíni na mesma peça de brim: é fashion e é funk

Em outra marca conhecida de moda praia, a Salinas, a estilista Jacqueline De Biase está enfurnada há dias na fábrica, na Zona Norte do Rio de Janeiro, com uma equipe de dez pessoas para fazer modificações nos biquínis e maiôs inspirados em Carmen Miranda. As calcinhas vão ficar menores, vários decotes serão refeitos para dar mais conforto e mobilidade, os maiôs inteiros, tão bonitos e tão pouco usados, praticamente vão desaparecer. Das peças mostradas no desfile, 60% ganharão novos contornos. Impedidos de ousar muito em modelagem, os produtos que irão para as lojas (muito cedo neste ano, provavelmente, a julgar pelas temperaturas do inverno) procuram se destacar pelas inovações têxteis e pelas cores e estampas – muitas, fortes, brilhantes e chamativas, em coleções cheias de vitalidade e energia que devem fazer deste, pelo menos em termos de moda, um esfuziante verão.

Refletindo uma tendência geral da moda, em todas as esferas, os componentes artesanais têm presença maciça: muitos e delicados apliques de crochê (uma reminiscência dos anos 70 que ficou ainda mais realista no corpo espetacular e na cabeleira escorrida da modelo Daniella Sarahyba, em desfile da Cia. Marítima) e até peças de renda nordestina, como as da Rosa Chá, que adotou como ingrato tema o cangaço – e, apesar disso, fez bonito. Também chamam atenção as combinações de tecidos, como Lycra com brim, plush, lurex ou cambraia, e os recortes inusitados. Com um desses, maiô de um lado e biquíni do outro, a modelo Raica Oliveira deixou o jogador Ronaldo babando na platéia. Se tem namoro ou não, logo o mundo saberá. Certeza, por enquanto, é que a moda praia brasileira deixou tudo dominado.

 
 
 
 
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