Edição 1913 . 13 de julho de 2005

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Diante disso, repita comigo: AS APARÊNCIAS NÃO ENGANAM.

DEZ NOHTAS

Mas, vejam só que coisa – o Banco, aquele!, administra bens e maus do Marcos Valério, empresta dinheiro ao PT com recomendação dele, "avalista e devedor solidário", enche malas com notas de 100, empresta avião pro grande fazendeiro do segundo andar, e diretores do banco acompanham Valério até Brasília, pra conversar banalidades com Dirceu. NEM PARECE UM BANCO.

Afinal, nesse mar (de que mesmo, mamita?), um salto de autocrítica e dignidade. Em Brasília, deputado do PT saltou do décimo andar do edifício em que morava. Saltou pra dentro, é verdade. Mas já é um princípio ético.

Doutor, o mensalão Sedex vai registrado?

Por que esse endeusamento da ignorância? Se os doutos, os formados, não dão jeito na coisa pública, não serão os imberbes culturais (ignorantes) que darão. E tem mais – louvar ignorância, ô pá, é coisa de sub, de terceiro mundo. Na Finlândia, na Suécia, na Holanda, na Inglaterra, na França, nenhum "trabalhador" semi-educado pode governar. É que, nesses países, todo mundo tem escolaridade, os meios públicos de adquirir os conhecimentos estão ao alcance de todos.

E você, que acha que todas as falhas do nosso Supremo Mandatário são vistas com preconceito só por sua falta de educação formal (se é que tem outra), me diz aí: você operaria sua cabeça com um neurocirurgião sem diploma? Você, sentado em sua poltrona de avião de partida pra Europa, continuaria sentado se o microfone anunciasse: "O comandante não pôde comparecer, mas fiquem tranqüilos – vamos ser pilotados por um companheiro que aprendeu a pilotar maravilhosamente numa metalúrgica de Santo André"?

Dirceu disse várias vezes que ia botar os pingos nos I,s. Não botou. Agora todos os companheiros estão botando I,s nos pingos dele.

O governo autocrático detesta jornalistas e, ignorante, procura contê-los, com leis, tentativas de enquadrá-los e "proteções" à profissão. Tentou expulsar do país um jornalista americano porque este citou três brasileiros, Brizola, Diogo Mainardi e Cláudio Humberto, que achavam que o Supremo Mandatário estava exagerando na uca. Brizola, dois dias depois da expulsão, reiterou, no editorial que publicava nos jornais: "Nas minhas viagens com Lula eu sempre lhe dizia – 'Companheiro, não abuse dos destilados'".

Exemplo de ignorância explícita e agressiva? Aldo Rebelo fez lei nacionalista enquadrando o uso de palavras estrangeiras. E me processou quando escrevi, na Folha de S.Paulo, que aquilo era uma idioletice. O sábio lingüista nunca tinha ouvido falar da palavra idioleto (a linguagem individual). E quantificava a ação, exigindo indenização de R$ 30 000,20. Reparem, já aí, a síndrome dos R$ 30 000.

"O poder corrompe o próprio poder" (lorde Acton). "E a falta de poder corrompe todos os que não têm poder" (Eu).

O mal sempre foi, e continua sendo, essa maldita liberdade de imprensa. A opinião pública é aquilo que se publica.

Enquanto isso, na ecologia...

 
 
 
 
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