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Carta ao leitor
Provas irrefutáveis  | | Reportagem
de VEJA sobre o aval ao PT: irrespondível |
O
denuncismo é uma doença terminal do jornalismo que se manifesta
em momentos de crise política profunda como a atual. É vital não
deixar esse mal se instalar. A vacina contra o denuncismo passa pela apuração
diligente, árdua e trabalhosa dos fatos que se julga imperioso levar ao
conhecimento da opinião pública. A isso se segue a edição
do material em que a ênfase e a indignação não devem
jamais degenerar em escárnio ou julgamentos sumários das pessoas
envolvidas. VEJA sempre se pautou por esses critérios. As reportagens recentes
da revista sobre o excesso de liberalidades de políticos e empresários
com o dinheiro público elevaram ainda mais esses padrões.
VEJA não fez denúncias. Apresentou provas irrefutáveis.
É um exemplo acabado disso a reportagem do jornalista Alexandre Oltramari,
da sucursal de Brasília, em que líderes do Partido dos Trabalhadores
aparecem associados ao empresário do ramo de publicidade Marcos Valério
em um milionário empréstimo bancário. A revista revelou com
documentos a promiscuidade do PT com um personagem que, em público, seus
partidários se esmeravam em demonizar como desonesto e corrupto. A hipocrisia
foi desmascarada de maneira irrespondível. Quando Lídio Duarte desmentiu
VEJA sobre as revelações de que o PTB cobrava "mesada" do presidente
de uma estatal, a revista divulgou, na semana seguinte, a fita em que Duarte fazia
a confissão em alto e bom som. Mais uma máscara caiu.
A atual série de reportagens de VEJA desnudando a corrupção
começou em maio com a divulgação do que talvez seja a mais
explícita e incontestável evidência já trazida a público
por um órgão de imprensa. Fala-se aqui do vídeo em que um
funcionário dos Correios embolsa uma propina com naturalidade e desenvoltura.
A reportagem que acompanha a apresentação do vídeo nas páginas
da revista ficou ofuscada pela força das imagens e sons, mas ela preenche
todos os requisitos de uma apuração lógica, precisa e necessária.
Entregar aos leitores o resultado da busca honesta e isenta da verdade é
um requisito do bom jornalismo. Para VEJA é um dever. |