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Auto-retrato Steven
Spielberg
Divulgação
 | "CADA
VEZ MAIS, TENTO SER UM CINEASTA ECLÉTICO" | | Lançado
mundialmente no último dia 29, o novo filme do cineasta Steven Spielberg
Guerra dos Mundos, estrelado por Tom Cruise faturou
204 milhões de dólares nas bilheterias nos cinco primeiros dias.
É mais uma amostra da força do diretor de 58 anos, uma das figuras
mais poderosas do mundo do entretenimento. Spielberg deu a seguinte entrevista
a Tania Menai, em Los Angeles. SE ALGUM DIA FIZERMOS
CONTATO COM ALIENÍGENAS, DE QUE TIPO ELES SERÃO: BONZINHOS COMO
O DE E.T. OU INVASORES ASSASSINOS COMO OS DE GUERRA DOS MUNDOS?
Olho para o céu e gosto de imaginar que há apenas amizade e esperança
por lá. Creio que os alienígenas são bonzinhos. Mas a Terra
é um lugar de conflitos. Por isso resolvi ir contra os meus instintos e
criar os monstros de Guerra dos Mundos. Estamos todos no mesmo barco, somos
da mesma espécie. Será que só uma calamidade como a do filme
seria capaz de nos unir? GUERRA DOS
MUNDOS É SUA RESPOSTA AOS ATENTADOS TERRORISTAS QUE ATINGIRAM
OS ESTADOS UNIDOS EM 2001? Desde o 11 de Setembro, os americanos vivem
como se um terrorista estivesse escondido atrás da moita. É claro
que essa atmosfera de medo é espelhada pelo filme. Mas não quero
que ele reforce esse clima, pelo contrário. Não aprovo o unilateralismo
do governo Bush. Gostaria que nos escutássemos mais como seres humanos.
Sou judeu, e a principal reza do judaísmo chama-se Shemá Israel.
Shemá significa escutar. Meus avós estavam sempre prontos a
me ouvir mas esperavam que eu os escutasse de volta. Creio que esse foi
o pilar mais valioso de minha formação. O
QUE O MOVE NESTE PONTO DA CARREIRA? Cada vez mais, tento ser eclético.
Meus dois primeiros filmes, Encurralado e A Louca Escapada, tinham
perseguições de carros e logo me rotularam de "mestre das quatro
rodas". Fiz Tubarão e disseram: "Spielberg é o mestre dos
monstros e do desconhecido". As pessoas querem sempre enquadrá-lo. Eu tento
fugir de amarras. Não é que eu não aprecie diretores que
se mantêm fiéis a um gênero. Hitchcock nunca abandonou sua
especialidade, o suspense. Mas os cineastas que mais admiro David Lean,
Henry Hathaway, Victor Fleming são aqueles que nunca seguiram um
estilo único. O SENHOR VAI AO CINEMA
HOJE EM DIA COM PRAZER? Uma das experiências essenciais de ir ao
cinema é deixar-se levar. Eu adoro essa sensação. E consigo
entrar na onda até mesmo de filmes que não são tão
bons. Ao contrário do que possam imaginar, não tento analisar tudo
o que vejo e fazer comparações com o meu próprio trabalho.
Creio que nunca seria contratado como crítico. Certa vez, sentei ao lado
de um crítico famoso numa sessão. Não sei como ele foi capaz
de resenhar alguma coisa ele anotava o tempo todo. Todos os críticos
deveriam assistir a cada filme duas vezes a primeira, para fazer suas anotações.
A segunda, para sentir. QUAL O PAPEL DOS EFEITOS
ESPECIAIS NO CINEMA? Apesar das máquinas fantásticas e seres
espaciais que aparecem em Guerra dos Mundos, desde o início pensei
nesse filme como um filme de personagens. O público precisa torcer, rezar,
tremer de medo pelas pessoas que estão na tela. Quando isso acontece, a
luta entre o herói e o monstro ganha sentido. É isso que dá
realidade aos efeitos e os torna algo mais que uma proeza técnica. Em outras
palavras, efeitos especiais são bem-sucedidos quando o público tem
personagens e uma história com que se preocupar. DIZEM
QUE O SENHOR É VICIADO EM TRABALHO. É MESMO? Quem disse isso
está enganado. Quando estou filmando, posso de fato trabalhar catorze horas
por dia. Mas, fora desses períodos, levo meus filhos à escola todas
as manhãs. Chego ao escritório às 8h30 e às 5h30 estou
de saída. Vou para casa esperar o jantar. |