Edição 1913 . 13 de julho de 2005

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Steven Spielberg

 

Divulgação

"CADA VEZ MAIS, TENTO SER UM CINEASTA ECLÉTICO"

Lançado mundialmente no último dia 29, o novo filme do cineasta Steven Spielberg – Guerra dos Mundos, estrelado por Tom Cruise – faturou 204 milhões de dólares nas bilheterias nos cinco primeiros dias. É mais uma amostra da força do diretor de 58 anos, uma das figuras mais poderosas do mundo do entretenimento. Spielberg deu a seguinte entrevista a Tania Menai, em Los Angeles.

SE ALGUM DIA FIZERMOS CONTATO COM ALIENÍGENAS, DE QUE TIPO ELES SERÃO: BONZINHOS COMO O DE E.T. OU INVASORES ASSASSINOS COMO OS DE GUERRA DOS MUNDOS?
Olho para o céu e gosto de imaginar que há apenas amizade e esperança por lá. Creio que os alienígenas são bonzinhos. Mas a Terra é um lugar de conflitos. Por isso resolvi ir contra os meus instintos e criar os monstros de Guerra dos Mundos. Estamos todos no mesmo barco, somos da mesma espécie. Será que só uma calamidade como a do filme seria capaz de nos unir?  

GUERRA DOS MUNDOS É SUA RESPOSTA AOS ATENTADOS TERRORISTAS QUE ATINGIRAM OS ESTADOS UNIDOS EM 2001?
Desde o 11 de Setembro, os americanos vivem como se um terrorista estivesse escondido atrás da moita. É claro que essa atmosfera de medo é espelhada pelo filme. Mas não quero que ele reforce esse clima, pelo contrário. Não aprovo o unilateralismo do governo Bush. Gostaria que nos escutássemos mais como seres humanos. Sou judeu, e a principal reza do judaísmo chama-se Shemá Israel. Shemá significa escutar. Meus avós estavam sempre prontos a me ouvir – mas esperavam que eu os escutasse de volta. Creio que esse foi o pilar mais valioso de minha formação.

O QUE O MOVE NESTE PONTO DA CARREIRA?
Cada vez mais, tento ser eclético. Meus dois primeiros filmes, Encurralado e A Louca Escapada, tinham perseguições de carros e logo me rotularam de "mestre das quatro rodas". Fiz Tubarão e disseram: "Spielberg é o mestre dos monstros e do desconhecido". As pessoas querem sempre enquadrá-lo. Eu tento fugir de amarras. Não é que eu não aprecie diretores que se mantêm fiéis a um gênero. Hitchcock nunca abandonou sua especialidade, o suspense. Mas os cineastas que mais admiro – David Lean, Henry Hathaway, Victor Fleming – são aqueles que nunca seguiram um estilo único.

O SENHOR VAI AO CINEMA HOJE EM DIA COM PRAZER?
Uma das experiências essenciais de ir ao cinema é deixar-se levar. Eu adoro essa sensação. E consigo entrar na onda até mesmo de filmes que não são tão bons. Ao contrário do que possam imaginar, não tento analisar tudo o que vejo e fazer comparações com o meu próprio trabalho. Creio que nunca seria contratado como crítico. Certa vez, sentei ao lado de um crítico famoso numa sessão. Não sei como ele foi capaz de resenhar alguma coisa – ele anotava o tempo todo. Todos os críticos deveriam assistir a cada filme duas vezes – a primeira, para fazer suas anotações. A segunda, para sentir.

QUAL O PAPEL DOS EFEITOS ESPECIAIS NO CINEMA?
Apesar das máquinas fantásticas e seres espaciais que aparecem em Guerra dos Mundos, desde o início pensei nesse filme como um filme de personagens. O público precisa torcer, rezar, tremer de medo pelas pessoas que estão na tela. Quando isso acontece, a luta entre o herói e o monstro ganha sentido. É isso que dá realidade aos efeitos e os torna algo mais que uma proeza técnica. Em outras palavras, efeitos especiais são bem-sucedidos quando o público tem personagens e uma história com que se preocupar.  

DIZEM QUE O SENHOR É VICIADO EM TRABALHO. É MESMO?
Quem disse isso está enganado. Quando estou filmando, posso de fato trabalhar catorze horas por dia. Mas, fora desses períodos, levo meus filhos à escola todas as manhãs. Chego ao escritório às 8h30 e às 5h30 estou de saída. Vou para casa esperar o jantar.

 
 
 
 
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