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Edição 2012

13 de junho de 2007
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TELEVISÃO

Divulgação
A microssérie A Pedra do Reino: difícil, mas bonita


A Pedra do Reino
(estréia nesta terça-feira, às 22h, na Rede Globo) – Quaderna, o herói da microssérie, se julga predestinado: quer fazer de um lugarejo nordestino um reino e aspira, por meio da poesia, à condição de "gênio da raça". À maneira dele, a produção do diretor Luiz Fernando Carvalho tem algo de quixotesco em sua busca por um estilo de teledramaturgia que não seja tributário das novelas. As falas preservam o rebuscamento do romance de Ariano Suassuna. A narrativa funde presente, passado e imaginação. É difícil, em suma. Mas isso se compensa com a bela fotografia e uma produção esmerada, gravada no sertão da Paraíba com um elenco quase 100% nordestino – como é o caso de Irandhir Santos, o protagonista. Entre os poucos conhecidos está Cacá Carvalho, o Jamanta da novela Belíssima – mas tão disfarçado sob a carranca de um juiz que nem parece ele mesmo.


Divulgação
Cohen como o rapper Ali G: o rei da "documentira"


Ali G
(terças-feiras, às 22h30, na Sony) – O comediante inglês Sacha Baron Cohen é o criador de um dos mais subversivos personagens de todos os tempos: o repórter cazaque Borat. Com seu inglês trepidante, ele expõe o anti-semitismo, a homofobia e outras questões incômodas em suas falsas entrevistas. Bem antes de se consagrar com o longa-metragem do personagem, Cohen já exercitava na televisão esse estilo – que se pode chamar de "documentira". Transmitido pelo Channel 4 inglês no início da década, Ali G lançou Borat e outros dois personagens hilários aos quais os brasileiros só tinham acesso até agora pelos vídeos da internet – o rapper branco que dá nome ao programa e o repórter gay de moda Bruno. Assim como no caso de Borat, a estultice de ambos não deixa pedra sobre pedra.



LIVROS

Máximas e Pensamentos, de Chamfort (tradução de Cláudio Figueiredo; José Olympio; 84 páginas; 22 reais) – Adepto de primeira hora da Revolução Francesa, Sébastien-Roch-Nicolas Chamfort (1741-1794) acabou se indispondo com os revolucionários e decidiu se matar para não ser preso. Desfigurou o rosto com um tiro e cortou-se várias vezes, mas só morreu meses depois, em decorrência dos ferimentos. Esse suicídio desastrado não é o fato mais original da vida de Chamfort: ele era também um pensador agudo, colecionando pérolas de ceticismo em papéis avulsos que só foram editados após sua morte. Suas máximas certeiras estão carregadas de desprezo pelas falsidades da vida social e pela banalidade do senso comum: "A opinião pública é a rainha da sociedade, porque a tolice é a rainha dos tolos". Leia trecho.

David Levenson/Getty Images

Rushdie: um pouco
de tudo. Inclusive de
importância histórica

Cruze Esta Linha, de Salman Rushdie (tradução de José Rubens Siqueira; Companhia das Letras; 400 páginas; 56 reais) – Nessa coletânea de ensaios, conferências e artigos escritos entre 1992 e 2002, o escritor anglo-indiano Salman Rushdie incluiu um pouco de tudo. Ele opina sobre literatura, rock, fotografia, cinema, política. A peça central é uma seção intitulada Mensagens dos Anos da Peste – e não será exagero dizer que ela confere importância histórica à obra. Trata-se de um apanhado dos textos que Rushdie escreveu nos anos 90, quando vivia ameaçado pela fatwa (sentença de morte) proferida pelo aiatolá Khomeini, do Irã. O pecado de Rushdie foi ter escrito um romance, Os Versos Satânicos, reputado como blasfemo pelo fanatismo islâmico. Com lucidez e coragem, o escritor argumentava que a importância do "caso Rushdie" ultrapassa a vida do cidadão Salman Rushdie: diz respeito a valores caros ao Ocidente, como o estado secular e a liberdade de expressão. É uma lástima que a edição brasileira seja apenas uma seleção do original em inglês – mais de trinta textos foram cortados, incluindo trechos de Mensagens dos Anos da Peste. Leia trecho.

Uf Andersen/Getty Images

McEwan: uma peça
de câmara irretocável

Na Praia, de Ian McEwan (tradução de Bernardo Carvalho; Companhia das Letras; 130 páginas; 33 reais) – Edward, um acadêmico de história, e Florence, uma sensível violinista, conheceram-se na universidade e se apaixonaram. O novo livro de McEwan – provavelmente o melhor escritor da literatura inglesa contemporânea – acompanha a noite de núpcias do casal, em um hotel na praia inglesa de Chesil. É uma história de inadequação sexual: os dois são virgens, e o ano é 1962, pouco antes das revoluções de comportamento que caracterizariam aquela década. O drama íntimo de Na Praia não tem o fôlego de Reparação, romance lançado pelo autor em 2001. Perto dessa obra sinfônica, o novo livro soa como uma peça de câmara – mas a execução, como de costume em McEwan, é irretocável. Leia trecho.



DISCOS

La Revancha del Tango e Lunatico, Gotan Project (MCD) – Atualmente existem diversas bandas de música eletrônica que usam o tango como fonte de inspiração. Nenhuma delas, porém, alcança o nível do Gotan Project. Formado por músicos argentinos e franceses, o grupo atualiza o tango sem descaracterizá-lo. Por exemplo: eles colocaram voz num tema de Astor Piazzolla (Vuevo al Sur) e trabalharam com Gustavo Beytelmann, uma autoridade no gênero. Revancha del Tango e Lunatico estão sendo lançados na esteira das apresentações do Gotan Project no Brasil. São trabalhos distintos: o primeiro é mais eletrônico. Lunatico – nome do cavalo de corridas de Carlos Gardel – conta com uma produção esmerada, que inclui um quarteto de cordas e a presença luminosa da cantora Cristina Vilallonga.

Tim Leyes/The New York Times

Feist: do punk ao violão tímido

The Reminder, Feist (Universal) – As primeiras experiências dessa cantora e compositora canadense no showbiz poderiam indicar tudo, menos uma carreira de sucesso. Feist participou de uma banda de punk rock – reza a lenda que sua voz se tornou rouca de tanto gritar no palco – e atuou na figuração das apresentações da cantora de música eletrônica Peaches. Mas a carreira-solo de Feist não tem nada em comum com suas experiências anteriores. Sua especialidade são canções de acento folk, acompanhadas por um violão tímido – há um ou outro barulhinho eletrônico – e cantadas de modo doce. The Reminder é o segundo disco-solo da cantora e traz baladas lindas, como I Feel It All e uma releitura para See-Line Woman (creditada erradamente como Sea Lion Woman), da artista de jazz Nina Simone.

Fontes: Belém: Laselva; Belo Horizonte: Laselva, Leitura; Brasília: Cultura, Fnac, Laselva, Leitura, Saraiva; Campinas: Laselva, Fnac; Campo Grande: Leitura; Curitiba: Fnac, Laselva, Livrarias Curitiba, Saraiva; Florianópolis: Laselva, Livrarias Catarinense; Fortaleza: Laselva; Foz do Iguaçu: Laselva; Goiânia: Leitura, Saraiva; Londrina: Livrarias Porto; Maceió: Laselva; Manaus: Laselva; Natal: Laselva; Porto Alegre: Cultura, Livrarias Porto, Saraiva; Porto Seguro: Laselva; Recife: Cultura, Laselva, Saraiva; Rio de Janeiro: Argumento, Fnac, Laselva, Saraiva, Travessa; São Paulo: Cultura, Fnac, Laselva, Livraria da Vila, Nobel, Saraiva; Teresina: Laselva; Vitória: Laselva, Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Submarino.
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