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LIVROS
Madeira
de Lei, de Camilo José Cela (tradução de
Mario Pontes; 244 páginas; 33 reais) O espanhol Cela é
conhecido como fundador do "tremendismo", corrente literária cuja
principal característica é a ênfase em imagens cômicas
e grotescas. Vencedor do Prêmio Nobel de 1989, ele leva esses traços
ao extremo em Madeira de Lei. O cenário é o litoral
da Galícia e os protagonistas são pescadores, padres, curandeiras
vivos e mortos cujas histórias são aos poucos rememoradas
pelo narrador. Com um enredo impossível de ser resumido, o livro
é torrencial, uma cacofonia cheia de toques fantásticos.
Tome fôlego e leia.
O
Livro de Ouro da História da Música, de Otto Maria
Carpeaux (Ediouro; 525 páginas; 29,90 reais) Lançado
em 1958, com o título Uma Nova História da Música,
esse livro é fonte de consulta utilíssima. Carpeaux (1900-1978)
argumenta que a música ocidental, ao contrário das outras
artes, não sofreu influência da Antiguidade e que sua origem
remonta à Idade Média. A partir daí, faz uma cronologia
das formas musicais. Situa cada composição em seu contexto
histórico e faz ilações interessantes num
texto sempre agradável.
VÍDEO
Divulgação
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| Michael
Caine: ainda chocante |
O Vingador (Get Carter, Inglaterra, 1971. Warner)
O inglês Michael Caine conseguiu uma atuação insuperável
no papel de Jack Carter, um gângster de segundo escalão que
volta à cidade natal para o enterro do irmão e pressente
que há algo de escuso em sua morte. Com método e frieza,
Carter varre o submundo em busca de um culpado. O diretor Mike Hodges
não economiza na brutalidade nem tenta despertar simpatia por seu
protagonista, tão sórdido quanto os homens a quem persegue.
Por isso, passados trinta anos de sua realização, o filme
continua chocante o que não é um feito a ser desprezado.
Não confundir com a péssima refilmagem, O Implacável,
estrelada por Sylvester Stallone, que também está chegando
às locadoras.
DISCOS
Polygram
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| Echo:
boas letras e muita vibração |
Flowers,
Echo and the Bunnymen (Sum Records) Criado em 1978 na ressaca do
punk rock, o Echo sempre se diferenciou por ter um vocalista acima da
média (o melancólico Ian McCulloch) e a guitarra criativa
de Will Sergeant. A banda sofreu um cisma dez anos depois de sua criação,
para retomar suas atividades apenas em 1997. Terceiro CD dessa nova fase,
Flowers lembra os grandes discos do Echo na década de 80.
Músicas como King of Kings (com influências de Doors,
uma banda idolatrada pelo grupo) e Life Goes On têm bons
refrãos e muita vibração, qualidades que fazem falta
no pop atual.
João Santos
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| Raul
Seixas: rockões endiabrados |
Os
24 Maiores Sucessos da Era do Rock, Raul Seixas (Universal)
Finalmente um produto tirado do baú de Raul Seixas que não
cheira a oportunismo. Gravado em 1973 (pouco antes de o roqueiro baiano
emplacar os hits Ouro de Tolo e Gita), o álbum traz
releituras do rock nacional e internacional. Raul transforma canções
tolinhas como Estúpido Cupido em rockões endiabrados,
dá um toque latino em Vem Quente que Estou Fervendo e emula
Elvis Presley em Blue Suede Shoes. Há mais um motivo para
os fãs considerarem esse disco um biscoito fino. Ainda nos anos
70, ele teve uma versão alternativa com o título 20 Anos
de Rock. A diferença eram as palmas falsas, para dar a impressão
de que o disco era ao vivo. Felizmente, a gravadora optou por utilizar
a versão original no relançamento.
10,000
Hz Legend, Air (Virgin) Definitivamente, a França
não se resume às baladas melosas de Charles Aznavour. O
país é hoje um dos maiores exportadores de música
eletrônica de boa cepa, avalizada por gente como Madonna. O principal
nome desse novo som francês é o Air, formado pelos DJs Jean-Benoît
Dunckel e Nicolas Godin. Quarto disco da dupla, 10,000 Hz Legend
é recheado de climas soturnos e psicodélicos, que lembram
as melhores fases do Pink Floyd. O álbum tem ainda a participação
do cantor americano Beck, queridinho da vanguarda pop que toca gaita em
The Vagabond e faz os vocais de Don't Be Light. O melhor
momento, no entanto, fica por conta da balada How Does It Make You
Feel?
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OS
MAIS VENDIDOS - CRÍTICA
Solstício
de Inverno (tradução de Cyana Leahy; Bertrand
Brasil; 644 páginas; 54 reais), romance da escritora escocesa
Rosamunde Pilcher que ocupa a sexta posição na lista
de mais vendidos de VEJA, tem várias utilidades. Com quase
700 páginas, ele pode ser usado como apoio por leitores que
precisam alcançar alguma coisa na última prateleira
do armário. As fotos da capa e da lombada, por sua vez, poderiam
inspirar belos quebra-cabeças, daqueles com milhares de peças
que formam paisagens européias no inverno. Do mesmo modo,
o retrato da autora, que ocupa toda a contracapa, ficaria muito
bem reproduzido a óleo e pendurado na sala de uma emergente
carioca. De todos os modos, a melhor maneira de se relacionar com
o livro é essa: não abri-lo.
O
enredo é tão criativo quanto um quadro do programa
A Praça É Nossa. Numa cidade do interior da
Inglaterra, uma ex-atriz tenta viver calmamente seus dias de aposentada
ao lado de um cãozinho chamado Horácio. Mas uma tragédia
vira seu cotidiano pelo avesso. A mensagem (ai, ai...) é
a de costume: as pessoas que julgamos interessantes podem nos decepcionar
e aquelas cuja vida parece ordinária não raro escondem
histórias comoventes. Nos primeiros parágrafos do
livro, o leitor é informado de que o cão da personagem
tinha uma "bela fofa e triunfante cauda". Quatro páginas
adiante, tem de engolir que a protagonista usava no cabelo uma tintura
"louro morango", mas que às vezes o tom do cabelo ficava
"mais para laranja que para morango". Pois é, leitura assim,
nem para o mais longo e nórdico inverno.
Flávio
Moura
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