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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br]
A preferida do ministro Quando Paulo Renato Souza largar o Ministério da Educação para se tornar candidato ao Senado por São Paulo ou à Presidência, como ele sonha todas as noites , quer deixar em seu lugar Maria Helena de Castro, secretária de Educação Superior do MEC e seu braço direito. Se o lobby de Paulo Renato vingar, o ministério de FHC deixará de ser um Clube do Bolinha. Tudo por uma boa notícia Nos últimos dias, um funcionário de alto escalão do governo FHC procurou uma grande empresa de telecomunicações com um pedido. Desejava saber se estava prevista alguma inauguração de peso de uma central telefônica ou algo do tipo. Se a resposta fosse sim, o governo queria participar. Em tempo de apagão de popularidade, a idéia é pegar carona em toda e qualquer boa notícia.
Às turras Estão muito ruins as relações entre David Zylbersztajn, diretor-geral da ANP, e Philippe Reichstul, presidente da Petrobras. Eficiência amazônica O setor portuário brasileiro nunca decepciona quem espera encontrar extravagâncias por ali. Duvida? Então lá vai: em Santos, cada cargueiro da empresa de navegação Aliança leva oito horas para embarcar os contêineres de mercadorias. Para descarregar o mesmo material no Porto de Manaus, os diligentes trabalhadores locais demoram quatro dias. Ouvidos moucos O governo pode tirar o cavalinho da chuva. José Mário Abdo já avisou aos amigos mais chegados que não deixa o comando da Aneel por nenhuma pressão deste mundo. Cumprirá seu mandato até o fim. Dólar acima, ladeira abaixo A alta do dólar está fazendo o faturamento dos free shops brasileiros despencar.
O descanso do superadvogado Saulo Ramos, 72 anos, está diminuindo celeremente seu ritmo de trabalho. Despacha cada vez menos no escritório. Decidiu que quer conservar dois ou três grandes clientes e se dedicar a escrever poemas. E, claro, manter a média de dar dois pareceres por mês, pelos quais cobra 150.000 reais nos casos menos complicados afinal, é preciso dinheiro para pagar as contas do mês. Ainda à sombra da Vale Nenhum dos dois lados alardeia, mas Eliezer Batista ainda está ligado à Vale do Rio Doce, de onde foi presidente sob três governos diferentes. Ele está na folha de pagamento da mineradora como consultor. Todo mês recebe um cheque de 15.000 reais pelo serviço, que, pelo visto, é tratado com toda a reserva possível.
Sofrimento americano O ministro do TCU Marcos Vilaça deu na semana passada sua cota para mitigar a crise energética... da Califórnia. Ao pagar a conta do hotel em que ficou em Los Angeles, notou que lhe foram cobrados 3 dólares por dia a título de contribuição compulsória à crise. No final, deixou 12 dólares quatro diárias para ajudar os californianos. Deve ser duro, muito duro, viver num lugar com um problema desses. Paraíso em dose dupla Além de todas as intocadas maravilhas da natureza, Fernando de Noronha tem um encanto extra nestes tempos de racionamento. Graças a uma usina termoelétrica, a ilha tem energia para dar e vender.
Lampião ainda vivo Um indicador chocante de penúria, coletado pelo economista Marcelo Neri, com base nos dados do IBGE: 44% dos domicílios da zona rural do Nordeste ainda têm como principal fonte de iluminação o lampião.
Mudança das nuvens Há alguns meses, o senador José Sarney ligou para José Serra e, em resumo, disse: "Você é o nome para 2002". Agora, com as nuvens políticas mudando de lugar, o ex-presidente está enviando sinais de fumaça para Itamar Franco.
Um velho conhecido O Delta Bank, aquele que emprestou 30 milhões de dólares à CBF com juros considerados exagerados pelos integrantes da CPI da Nike, pode ser totalmente desconhecido dos brasileiros mas seu dono não é. O banco é de Aloysio Faria, que até três anos atrás era proprietário do Real e hoje possui também o Banco Alfa. O Delta tem sede nos EUA e agências em Cayman, Paraguai, Uruguai e Suíça.
Ato falho O Ministério da Saúde deu meia-volta. Alterou a lei e agora os maços exibirão uma foto para ilustrar a afirmação "Fumar causa impotência sexual". A sentença havia sumido, inexplicavelmente, da portaria publicada há duas semanas. A imagem será a mais óbvia possível: um casal na cama com ar desolado e o homem com um cigarro na boca.
A inanição das AMs As rádios AMs já foram o maior veículo de comunicação de massa do país. Hoje, são uma pálida sombra do passado. Uma pesquisa do Ibope sobre o perfil da audiência nas rádios brasileiras revela que nas classes A e B somente 3,6% dos paulistanos e 4,2% dos cariocas são ouvintes dessas emissoras. E não é uma tendência da elite, muito pelo contrário. Apenas 2,7% dos paulistanos e 3,8% dos cariocas das classes D e E se ligam na rádio AM.
Colaborou Nahara Bauchwitz
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