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Edição 1 704 - 13 de junho de 2001
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Boas de briga

Dinâmica entre as atrizes
é o forte de A Partilha

Isabela Boscov


Zezé D'Alice
As irmãs vividas por Gloria, Lilia, Andréa e Paloma: falta ritmo

A peça A Partilha, escrita por Miguel Falabella, foi um dos grandes sucessos do teatro nacional na década passada. Ficou cinco anos em cartaz e foi vista por 1 milhão de espectadores. Com tal receptividade, não é de admirar que ela cedo ou tarde virasse filme. Até que demorou. Só na sexta-feira, mais de onze anos após sua estréia no teatro, A Partilha (Brasil, 2001) chegou aos cinemas. A história é simples: quatro irmãs revivem os laços e ressentimentos do passado quando sua mãe morre e elas decidem vender o apartamento da falecida. No caminho do palco para a tela, a trama sofreu modificações. Personagens que eram apenas mencionados pelas protagonistas ganharam vida. O enredo saiu do apartamento, único cenário da peça, e foi para as ruas do Rio de Janeiro. E nenhuma das atrizes da montagem original participa do filme. No lugar de Arlete Salles, Suzana Vieira, Natália do Valle e Thereza Piffer tem-se Gloria Pires, Lilia Cabral, Andréa Beltrão e Paloma Duarte. O ponto forte do texto, porém, continua o mesmo: a dinâmica entre mulheres completamente diferentes entre si.

Gloria tem o papel mais suculento, o da irmã reprimida. Ela tenta controlar a vida das demais ao mesmo tempo que anseia por se libertar do casamento certinho com um militar (Herson Capri) – dilema para o qual o corretor de imóveis vivido por Marcello Antony parece ser a solução. Lilia interpreta a amalucada da turma, uma perua que largou o marido e o filho para viver um romance em Paris. Andréa é a irmã riponga, que faz o gênero "sou mais feliz sozinha" como forma de esconder suas amarguras. Paloma, finalmente, está na pele da caçula rebelde, que se imagina esquecida pelas irmãs e tem um relacionamento homossexual. Claro que, com personalidades (ou talvez fosse melhor dizer estereótipos femininos) tão diversas em jogo, não será fácil chegar a um consenso. É dessa mistura de drama, comédia e sessão de terapia que A Partilha obtém seus melhores momentos. O filme, porém, não tira deles o proveito que poderia. É por vezes divertido, mas em outras ocasiões vacila no ritmo – uma surpresa quando se tem em conta que atrás das câmaras está Daniel Filho, sempre seguro em seu trabalho na televisão. A fotografia "lavada" também atrapalha. Como A Partilha tem mais afinidade com os melodramas esfuziantes do espanhol Pedro Almodóvar do que com o intimismo de um Ingmar Bergman, teria sido melhor usar cores mais vivas e fortes.

   
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