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Voto
de confiança
Agência internacional de risco
diz que empresas
brasileiras
estão mais saudáveis
Murilo
Ramos
J. L. Bulcão
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Em meio ao recente vendaval de más notícias na área
econômica, que inclui a crise energética, a alta do dólar
e a infindável crise argentina, um acontecimento positivo agitou
o mercado verde-amarelo na semana passada: dezesseis empresas estão
sendo reavaliadas de uma forma positiva pela Moody's, uma das maiores
agências globais que se ocupam de classificar o risco de países
e corporações. A notícia é significativa por
duas razões. Primeiro, porque em sua análise os técnicos
da Moody's constataram que as empresas brasileiras estão se tornando
mais saudáveis. Depois, porque, com notas melhores, as companhias
passam a integrar um grupo mais respeitado e menos suscetível a
especulações, o que lhes abre caminho para obter financiamento
a taxas menores.
Explica-se: a agência americana leva em consideração
primordialmente a capacidade das empresas para honrar seus compromissos.
Seu estudo é parecido com o que é feito pelos bancos quando
têm de decidir se podem ou não emprestar dinheiro a uma pessoa.
Se ela paga suas contas em dia e tem o nome limpo, leva. Caso contrário,
precisa enfrentar como puder a falta de crédito. "Para o Brasil,
que ainda é considerado um território arriscado quando comparado
a outros emergentes, como o México e o Chile, o simples anúncio
da reavaliação é alentador", afirma Carlos Kawall,
economista-chefe do Citibank no Brasil. "Ele já facilita e barateia
a captação de recursos no exterior."
No rol dos beneficiados com a notícia encontram-se gigantes do
porte do Banco do Brasil e do Bradesco, os maiores bancos público
e privado do país, e treze outras instituições financeiras.
A reclassificação, que é boa para os banqueiros,
acaba sendo positiva também para os correntistas. Isso porque,
com operações mais rentáveis, os bancos ficam mais
sólidos. O dinheiro que se investe neles, portanto, está
mais seguro. A única empresa não-financeira que consta da
relação da Moody's é a Petrobras. Pode parecer surpreendente
depois do escândalo provocado por desastres como a explosão
da plataforma P-36 na Bacia de Campos e os vazamentos de proporções
amazônicas ocorridos no país. Mas existe uma razão
lógica para o prêmio. Como tem produtos cotados em dólar,
a Petrobras pode vinculá-los ao pagamento de seus compromissos.
O óleo é garantia bastante para a quitação
dos débitos da companhia.
Alguém
poderá dizer que dezesseis empresas e desse porte
é muito pouco numa economia tão rica e complexa como a brasileira.
Acontece que, quando se afrouxa o garrote em torno desses pescoços,
o oxigênio do crédito flui por todas as artérias da
economia brasileira. A pergunta que perdura é por que o risco Brasil
continua sendo considerado maior que o mexicano ou o chileno se as empresas
do país estão progredindo tanto. O grande problema está
no fato de que a dívida pública do país é
alta em relação às receitas que tem a receber em
dólar, provenientes das exportações. Nessas condições,
mesmo que bastante improvável, nunca é descartada pela Moody's
e pela Standard & Poor's outra forte agência classificadora
de riscos a possibilidade de o país enfrentar dificuldades
no pagamento da dívida. Hoje o risco Brasil é considerado
de nível B, ou intermediário. O país obteve essa
classificação depois de ter adotado o câmbio flutuante
e ter registrado sobra de caixa nas contas do governo. A meta é
o A. O anúncio da Moody's, da semana passada, é um sinal
de que a meta pode não estar assim tão distante.
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