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Edição 1 704 - 13 de junho de 2001
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Voto de confiança

Agência internacional de risco
diz que
empresas brasileiras
estão mais saudáveis

Murilo Ramos

J. L. Bulcão


Em meio ao recente vendaval de más notícias na área econômica, que inclui a crise energética, a alta do dólar e a infindável crise argentina, um acontecimento positivo agitou o mercado verde-amarelo na semana passada: dezesseis empresas estão sendo reavaliadas de uma forma positiva pela Moody's, uma das maiores agências globais que se ocupam de classificar o risco de países e corporações. A notícia é significativa por duas razões. Primeiro, porque em sua análise os técnicos da Moody's constataram que as empresas brasileiras estão se tornando mais saudáveis. Depois, porque, com notas melhores, as companhias passam a integrar um grupo mais respeitado e menos suscetível a especulações, o que lhes abre caminho para obter financiamento a taxas menores.

Explica-se: a agência americana leva em consideração primordialmente a capacidade das empresas para honrar seus compromissos. Seu estudo é parecido com o que é feito pelos bancos quando têm de decidir se podem ou não emprestar dinheiro a uma pessoa. Se ela paga suas contas em dia e tem o nome limpo, leva. Caso contrário, precisa enfrentar como puder a falta de crédito. "Para o Brasil, que ainda é considerado um território arriscado quando comparado a outros emergentes, como o México e o Chile, o simples anúncio da reavaliação é alentador", afirma Carlos Kawall, economista-chefe do Citibank no Brasil. "Ele já facilita e barateia a captação de recursos no exterior."

No rol dos beneficiados com a notícia encontram-se gigantes do porte do Banco do Brasil e do Bradesco, os maiores bancos público e privado do país, e treze outras instituições financeiras. A reclassificação, que é boa para os banqueiros, acaba sendo positiva também para os correntistas. Isso porque, com operações mais rentáveis, os bancos ficam mais sólidos. O dinheiro que se investe neles, portanto, está mais seguro. A única empresa não-financeira que consta da relação da Moody's é a Petrobras. Pode parecer surpreendente depois do escândalo provocado por desastres como a explosão da plataforma P-36 na Bacia de Campos e os vazamentos de proporções amazônicas ocorridos no país. Mas existe uma razão lógica para o prêmio. Como tem produtos cotados em dólar, a Petrobras pode vinculá-los ao pagamento de seus compromissos. O óleo é garantia bastante para a quitação dos débitos da companhia.


Alguém poderá dizer que dezesseis empresas – e desse porte – é muito pouco numa economia tão rica e complexa como a brasileira. Acontece que, quando se afrouxa o garrote em torno desses pescoços, o oxigênio do crédito flui por todas as artérias da economia brasileira. A pergunta que perdura é por que o risco Brasil continua sendo considerado maior que o mexicano ou o chileno se as empresas do país estão progredindo tanto. O grande problema está no fato de que a dívida pública do país é alta em relação às receitas que tem a receber em dólar, provenientes das exportações. Nessas condições, mesmo que bastante improvável, nunca é descartada pela Moody's e pela Standard & Poor's – outra forte agência classificadora de riscos – a possibilidade de o país enfrentar dificuldades no pagamento da dívida. Hoje o risco Brasil é considerado de nível B, ou intermediário. O país obteve essa classificação depois de ter adotado o câmbio flutuante e ter registrado sobra de caixa nas contas do governo. A meta é o A. O anúncio da Moody's, da semana passada, é um sinal de que a meta pode não estar assim tão distante.

 
 
   
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