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Baixaria
em Nova York
Separados, mas morando
juntos, Rudy e Donna
quebram o
pau em público
AP/Jason Szenes
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| O
prefeito Giuliani com a namorada, Judith: a vantagem da impotência
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A elegante Gracie Mansion, um casarão de 200 anos debruçado
sobre o Rio East que serve de residência oficial para o prefeito
de Nova York, está vivendo dias de autêntico barraco. Lá
moram, em clima de total desarmonia, o prefeito Rudolph Giuliani, 57 anos,
e a mulher de quem está se divorciando, Donna Hanover, 51, que
ocupa a maior parte da ala residencial junto com os dois filhos do casal,
Andrew, 15, e Caroline, 11. É de praxe que processos de divórcio
produzam brigas, troca de desaforos e constrangimento geral nas famílias
comuns. Multipliquem-se os destemperos por dez, amplie-se a platéia
para milhões, coloque-se a briga na cidade que se considera o centro
do mundo, e tem-se idéia do tamanho do escândalo que quase
sempre é a separação de figuras públicas
nesse caso, um político que até pouco tempo atrás
aspirava a chegar à Casa Branca e sua mulher independente e voluntariosa.
Neste momento, Giuliani e Donna, cada um de sua trincheira na Gracie Mansion,
dedicam-se, por intermédio de seus advogados, a pintar um ao outro
com as piores cores possíveis e a passar por vítimas. Nesse
departamento, Giuliani deu um golpe insuperável: disse que está
impotente, por causa do tratamento para câncer na próstata.
Nova York, naturalmente, não fala de outra coisa.
Henry Mc Gee
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| A
primeira-dama Donna: suíte confortável e ginástica às 5 da manhã |
O último round da batalha Giuliani-Hanover (sobrenome do primeiro
marido, que ela mantém) começou com um golpe dela: em maio,
pediu à Justiça que proibisse a entrada na casa oficial
da "amante" dele, Judith Nathan, que vem assumindo com desenvoltura cada
vez maior o papel de primeira-dama informal em ocasiões oficiais
entre elas jantares e recepções em Gracie Mansion.
Entra em campo Raoul Felder, o advogado-pitbull dos divórcios escandalosos
(veja
quadro),
que atua em nome de Giuliani: "Donna Hanover vai se acorrentar ao
lustre" da mansão, ironizou Felder, e o próximo prefeito
terá de "removê-la do local em meio a mordidas, unhadas e
arranhões". Em pleno Dia das Mães, o advogado acusou Donna
de só querer saber de si e "não ligar para o que possa acontecer
aos filhos". A peroração não adiantou a juíza
encarregada do caso acatou o pedido de banimento de Judith, a namorada
de aparência e idade (46 anos) surpreendentemente compatíveis
que o prefeito arranjou.
Para cultivar a simpatia da opinião pública, a tropa de
choque do prefeito divulgou detalhes de sua vida de cachorro na Gracie
Mansion. Enquanto Donna flanava em esplendor em sua espaçosa suíte,
"Rudy", como é chamado, foi exilado em um quarto de hóspedes
onde só cabe a cama. Ao longo do doloroso tratamento contra o câncer,
com drogas e radioterapia, ficou sozinho, sem nem um braço amigo
para ampará-lo durante as freqüentes crises de vômito.
Para piorar, a perversa Donna deu de fazer ginástica, às
5 da manhã, com grande estardalhaço, nos aparelhos que montou
numa sala exatamente sobre o quartinho do ex-marido. Por causa do tratamento
médico, Giuliani está impotente uma declaração
de natureza íntima que tem a vantagem de, tecnicamente, descaracterizar
como adultério suas escapadas de fim de semana com Judith em hotéis
chiques da cidade.
Enquanto se engalfinha publicamente com a ex-mulher, o prefeito lhe corta
mordomias. Na semana passada, reposicionou duas das quatro (isso mesmo:
quatro) assessoras que "cuidam da agenda, ajudam nos trabalhos sociais
e coordenam os horários das crianças" da entrincheirada
primeira-dama. Também removeu três dos quatro seguranças
de Donna. Praticamente na mesma canetada, destacou um policial para proteger
Judith, argumentando que ela agora também é figura pública.
A reação de Donna mirou na parte mais sensível do
homem: o bolso. Ela pede à Justiça que Rudy, pessoa física,
pague o salário das assessoras que despediu e mais 200.000 dólares
em despesas com o processo (que mal começou e já chega a
40.000). Ridículo, bradou Felder "ele ganha menos que ela".
Giuliani, como prefeito, recebe 195.000 dólares por ano. Donna,
ex-apresentadora de TV que faz ponta em filmes e seriados (foi convidada
para um papel de destaque na peça Monólogos da Vagina,
vacilou, mas não aceitou), arrecadou 285.000 dólares no
ano passado.
AP/Mark Lennihan
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| A
arena Gracie Mansion: cada um em sua trincheira |
Rudy e Donna, ambos divorciados, conheceram-se em 1982, quando ele era
promotor e ela, repórter de TV em Miami. Casaram-se dois anos depois
e posavam de casal-modelo quando ele assumiu a prefeitura pela primeira
vez, em 1994. Após um ano, todo mundo comentava a intimidade dele
com uma de suas assessoras; ela, por sua vez, dedicava-se mais à
carreira de atriz que às funções de primeira-dama.
Daí em diante, a situação só degringolou.
Em maio do ano passado, ele virou a mesa: anunciou que estava se separando
de Donna, apresentou Judith como uma "muito boa amiga", comunicou que
tinha câncer de próstata e desistiu da disputa com Hillary
Clinton pelo Senado. Desde então, vem chacoalhando a imagem de
prefeito durão e excêntrico, arauto da tolerância zero
contra o crime, herói da cruzada contra as zonas de prostituição
da cidade, autoproclamado defensor da moral e dos bons costumes (embora
não se furte a se fantasiar de mulher em ocasiões seletas
e com fins beneficentes). Em seu último ano de mandato, diante
de nova-iorquinos ao mesmo tempo fascinados e aborrecidos com tanta baixaria,
Rudolph Giuliani e Donna Hanover são mais um casal, entre tantos,
cujo casamento acabou em divórcio. E dos feios.
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O
pitbull preferido das celebridades
AP/Bolivar Arellano
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| Felder,
com Luciana: mestre em espremer |
Não existe nos Estados Unidos profissão mais execrada
que advogado especializado em divórcio. Isto é, até
que você precise de um. Se for o caso, tente marcar hora com
Raoul Felder, o exterminador conjugal convocado pelo prefeito Rudolph
Giuliani para a guerra contra sua ex, Donna Hanover. Vai custar
caro, mas vale a pena. Aos 67 anos, especializado em processos envolvendo
celebridades, Felder é tarimbadíssimo no ofício
de denegrir, constranger e espremer adversários. Em seu currículo
de pitbull da vara de família, exibe, entre outros feitos,
a representação da atriz Robin Givens no divórcio
do pugilista Mike Tyson, do ex-caminhoneiro Larry Fortensky na separação
de Elizabeth Taylor e, mais recentemente, de Luciana Gimenez na
ação que moveu para receber pensão de Mick
Jagger, pai de seu filho, Lucas. Felder arrancou de Jagger (a quem
chama de "o enrugado roqueiro") 15.000 dólares por mês.
"Ele é mais que um advogado, é um amigão",
derrete-se Luciana.
Felder também se proclama amicíssimo de Giuliani.
Por isso, afirma, "esse caso desperta tanta paixão em mim".
Isso e a notoriedade e o dinheiro que o processo renderá
a seu escritório, onde a hora custa 500 dólares e
os honorários podem chegar a 1 milhão. Louco por publicidade,
Felder tem um programa semanal de rádio e vive na TV emitindo
opiniões sobre processos dos outros. Mestre em frases de
efeito, adora repetir a máxima: "Não sendo ilegal,
imoral, antiético ou engordativo, eu faço". Casado
há 38 anos com Myrna, credita a longa união ao fato
de que, no fundo, é contra o divórcio. "É caro
demais", justifica.
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