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Duelo na separação
conjugal
Partilha
de bens e pensão alimentícia
levam os casais brasileiros a uma disputa
cada vez mais acirrada na Justiça
Flamínio
Fantini e Angela Nunes
Mário Rodrigues
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Régis Filho
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| O
processo de separação da psicóloga Lúcia Faria
e do economista Carlos Nascimento desaguou
na Justiça do Trabalho. Ele quer receber do ex-sogro, o banqueiro
Aloysio Faria, que foi dono do Banco Real e tem a terceira maior fortuna
do Brasil, a quantia de 40 milhões de reais, referentes à demissão
dos cargos que ocupava nas empresas dele |

Veja também |
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Até
o fim dos anos 70, gerações e gerações de
brasileiros ouviram a cantilena segundo a qual a família ia sucumbir
quando o país instituísse o divórcio, tido então
como um belzebu a ameaçar a estabilidade dos lares. Um quarto de
século depois de o divórcio ter sido legalizado, vê-se
que a profecia continha alta dose de terrorismo. De diabólico o
divórcio não tem nada, mesmo que seus efeitos sejam geralmente
traumáticos para os filhos. A maior novidade nesse campo está,
porém, em outra coisa. É a gana cada vez mais escancarada
com que os cônjuges se enfrentam nos tribunais para se depenarem
mutuamente. "A disputa vem se acirrando em torno das mágoas, das
vinganças e da partilha de bens", resume o juiz Guilherme Gonçalves
Strenger, da 5ª Vara da Família, no Fórum João
Mendes, no centro de São Paulo, um dos mais movimentados do país.
"Os litígios estão mais exacerbados. Com a equiparação
profissional entre a mulher e o homem, os conflitos financeiros se ampliaram
e também é mais freqüente a disputa pela guarda dos
filhos", completa a advogada Renata Guimarães, que chefia a área
de direito de família em uma das bancas de maior prestígio
no país, o escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice, de
São Paulo.
De acordo
com projeções estatísticas, em 2000 houve 112.000
divórcios no Brasil. Quando essa quantia é somada ao número
de separações judiciais concedidas anualmente, cerca de
93.500, obtém-se uma dimensão
do total de casamentos encerrados nos tribunais: 205.800
num ano. As cifras permitem também concluir que, de cada 100 uniões
oficiais no Brasil, nada menos que 28 se encerraram com a chancela da
Justiça em 2000. Em 1984, eram apenas dez em 100. Nesse amontoado
de processos, os casos mais complicados geralmente envolvem gente que
tem muito dinheiro, daí o arsenal arregimentado pelos advogados.
Em alguns casos, o divórcio põe a marcha da fortuna em movimento,
mas a briga em torno do dinheiro pode correr em um processo paralelo de
outra natureza. É o caso de Lúcia de Campos Faria, 43 anos,
filha caçula do banqueiro Aloysio de Andrade Faria. Lúcia
é uma das cinco herdeiras de Aloysio, 79 anos, que em 1998 vendeu
o Banco Real por 2 bilhões de reais aos holandeses do grupo ABN
Amro. No ranking dos bilionários globais, publicado em julho de
2000, a revista americana Forbes incluiu Aloysio Faria entre os
200 homens em atividade mais ricos do mundo e o classificou como o terceiro
do Brasil, com fortuna avaliada em 2,8 bilhões de dólares.
O ex-marido
de Lúcia, o economista Carlos Roberto Ortiz Nascimento, 46 anos,
ocupou postos no conglomerado do sogro, hoje grupo Alfa, nome dado depois
da venda do Banco Real. Um dos cargos era o de diretor dos hotéis
Transamérica, cujo resort em Comandatuba, no sul da Bahia, ajudou
a implantar. O casamento de Lúcia e Carlos entrou em colapso no
primeiro semestre de 2000. Desde então, por iniciativa de Lúcia,
vários processos foram abertos na 1ª Vara da Família
e Sucessões do Fórum Regional de Pinheiros, em São
Paulo, em torno do rompimento do casal. Num deles, ficou estabelecida
a separação de corpos, termo que os juristas usam para definir
a situação oficial em que os cônjuges ficam desobrigados
do dever de morar juntos e manter fidelidade recíproca. Noutro,
prevê-se a pensão destinada às três filhas.
O mais importante e explosivo está em fase final de preparação:
o da partilha de bens.
O que era
para ficar restrito a uma desavença entre marido e mulher se converteu
numa questão corporativa. Em 17 de agosto de 2000, de acordo com
seu relato, Carlos foi visitado em sua sala por um representante do grupo
Alfa. Recebeu, então, a comunicação segundo a qual
Aloysio Faria "entendia que não mais existia ambiente para manutenção
do vínculo profissional, diante da ação litigiosa
de separação promovida pela filha". O ex-genro estava demitido.
O revide não tardou. Menos de três meses depois, Carlos entrou
com um processo na Justiça do Trabalho para obter nada menos que
40 milhões de reais, uma das maiores causas em curso no país.
Entre outras exigências, ele quer receber indenização
por danos morais. Argumenta que, após vinte anos de dedicação
às empresas do grupo, foi afastado por razões que nada tinham
a ver com as relações de trabalho ou com o desempenho de
suas funções, em circunstâncias humilhantes e vexatórias.
Naquela linguagem exagerada, típica dos processos judiciais, acusa
o ex-sogro de "corroer sua honra profissional e de massacrá-lo
pelo poder econômico, exercido de maneira arbitrária e vingativa".
E diz temer que isso atinja até as relações com as
três filhas que tem com Lúcia. Alega que elas poderiam reter
dele a imagem de um profissional nocivo e incompetente, em vez de guardar
a memória de um trabalhador leal e eficaz.
Quanto aos
aspectos trabalhistas mesmo, o ex-genro quer receber férias, 13º
salário, aviso prévio, fundo de garantia e a respectiva
indenização de 40% e isso sobre todos os benefícios
que desfrutava. Está tudo detalhado no processo da Justiça
do Trabalho, com cópia anexada também a uma das ações
da Vara da Família. Ali se pode ler, por exemplo, que em junho
de 2000 ele recebeu do grupo Alfa 73.500 reais
como salário e nada menos que 353.000
em benefícios indiretos, no total uma megarremuneração
mensal de 426.500 reais. A lista inclui desde
as despesas cobertas com três cartões de crédito American
Express Corporate até o uso irrestrito de helicóptero, passando
por automóveis de luxo blindados, motoristas particulares e uma
formidável segurança pessoal 24 horas por dia, composta
de vinte agentes à disposição, além de outros
quatro para vigilância residencial permanente. Tem mais. Ocupava
diretorias em uma vintena de empresas do grupo Alfa, sem remuneração,
além de receber bônus anuais de cerca de 2,2 milhões
de reais. Entre elas, figuram atividades tão diversas como a Agropalma
(produção de óleo vegetal), Fly One (turismo), Instituto
Alfa de Cultura (entretenimento), Vera Cruz (empreendimentos imobiliários),
CRM (refinadora de metais) ou Transchek (vale-refeição).
Nada disso, é claro, entrou na rescisão do contrato. "O
Carlos está fazendo dessa causa a razão de sua vida. Ser
genro não é emprego", comenta, em tom de lamento, uma pessoa
próxima a Lúcia.
AE/Marina Malheiros

Carlos
Kalil,
empresário do setor de entretenimento, e
Ana Tereza, filha
do industrial Claudio Bardella: divergência sobre
valores. As
estatísticas brasileiras mostram que o número
de
casamentos cai a
cada ano, ao
passo que crescem
os rompimentos entre
os casais |
Na capital paulista, pelo menos outras duas contendas atiçam a
curiosidade dos que circulam pelas rodas da alta sociedade. Uma delas
está no Fórum de Pinheiros e opõe, desde dezembro,
Ana Tereza Bardella, 29 anos, filha do industrial Claudio Bardella (grande
fabricante de equipamentos industriais e maquinário), e Carlos
Kalil, 35, empresário da área de diversões noturnas,
sócio de casas fervilhantes, como a boate Sirena, em Maresias,
litoral norte de São Paulo, e o restaurante Ritz, ponto de encontro
de modelos e estilistas. Ana Tereza pediu o equivalente a 35.000
reais de pensão alimentícia para ela e o filho João.
Kalil havia oferecido 4.500 reais, para custear
as despesas referentes ao filho. No primeiro momento, o juiz estabeleceu
que Kalil deveria pagar 16.000 reais, até
a sentença final. Mas, em março, os advogados de Ana Tereza
entraram com nova ação, reclamando que a pensão alimentícia
estabelecida pelo juiz não foi paga.
Também
elevados são os valores em torno do afastamento do banqueiro Antônio
Zogbi Neto e de Cylene Colombo Zogbi. Dono do banco Zogbi, ele tem negócios
também em leasing, produção de papel, comércio
de carros e na área imobiliária. De acordo com fonte que
teve acesso aos autos, Cylene pleiteou pensão alimentícia.
Seu valor foi fixado, inicialmente, pelo juiz em 20.000
reais por mês, mas ela tenta elevar para 35.000
reais, sob a alegação de que o padrão de vida era
muito alto (a família dispunha de seis empregados e carro blindado,
com motorista à disposição). Só a educação
das crianças, numa das escolas mais caras de São Paulo,
teria um custo superior a 7.000 reais por mês.
Há
episódios que ultrapassam as fronteiras brasileiras e instauram
uma salada internacional de querelas legais. Um dos mais acirrados, atualmente,
tem como cenário as esverdeadas instalações do BankBoston,
aqui e além-mar. A diretora adjunta em Campinas, Mônica Almeida,
trava escaramuças com Sven Blikstad, diretor de crédito
e responsável pela América Latina, um norueguês de
nascimento que trabalha na instituição há quinze
anos e veio para o Brasil transferido. Eles se conheceram na filial da
capital paulista e resolveram se casar, cinco anos atrás, quando
ele recebeu uma promoção para trabalhar em Boston. De volta
ao Brasil, as desavenças começaram a rolar em meados do
ano passado, nas cortes americanas e brasileiras. Em meio a um enredo
complexo e controvertido, Mônica acusa Sven de ter usado de artifícios
para convencer as autoridades a tirar de suas mãos a guarda da
filha. Com 4 anos de idade atualmente, é a menina quem mais sofre
com o enfrentamento, pois uma decisão judicial recente garantiu
a guarda ao pai, mas com ampla visita para a mãe. Na prática,
isso significa que a menina mora cada dia com um dos dois, tendo os fins
de semana também alternados. Não é tudo. Mônica
mora em Campinas, Sven na capital, o que obriga a criança a enfrentar
uma hora de rodovia, todos os dias, dormindo em cidades diferentes.
Também
virou beligerância intercontinental o conflito entre a carioca Cláudia
Holanda Souza, 31 anos, e o americano Timothy Alan Williams, 42, conselheiro
financeiro da Halliburton, maior empresa de serviços de engenharia
para petróleo do mundo. Eles se casaram nos Estados Unidos e dois
anos depois passaram a viver em clima de guerrilha forense. Hoje, ela
tem a guarda da criança no Brasil e ele nos EUA. O temor de Cláudia
é que o executivo possa levar a filha para sua terra natal
por isso, mantém guarda-costas, permanentemente, para proteger
a menina. Atualmente, Cláudia mora em um apartamento alugado pela
Halliburton cujo aluguel e condomínio estão avaliados em
12.000 reais, segundo ela.
Cristiana C. Branco

O
playboy Chiquinho Scarpa e
a socialite Carola de Oliveira tiveram
um casamento cinematográfico mas uma separação
de vexar cortiço, depois que ela desfilou nua numa banda carnavalesca.
Carola jurou ter flagrado o maridão na cama com dois travestis,
mas perdeu feio na Justiça e só ficou com parte dos
presentes dos padrinhos |
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