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Marco de Bari

Férias de
julho
A
região atinge sua maioridade
turística com serviços de primeira
José
Edward e Nahara Bauchwitz
Valdemir Cunha

Morro
de São Paulo (no alto) e Porto Seguro, na Bahia: visual
deslumbrante e sol o ano inteiro |

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As
paisagens que ilustram esta reportagem e que até pouco tempo
atrás muita gente só via em cartões-postais ou em
cenários de novela estão ao alcance do bolso dos
brasileiros. Hoje, com menos de 1 000 reais é possível passar
oito dias desfrutando as praias de qualquer uma das capitais nordestinas.
Nos diversos pacotes promocionais oferecidos por várias agências
de turismo (veja algumas opções),
esse valor inclui passagens aéreas de ida e volta em vôos
de carreira ou fretados, parte do transporte nos lugares de destino, passeios
por pontos turísticos e hospedagem em hotéis de três
e quatro estrelas, com direito a café da manhã. A maioria
das operadoras aceita o pagamento parcelado em até cinco vezes
sem juros. "Fica mais barato que comprar um televisor de 29 polegadas",
compara Valter Patriani, diretor de vendas da CVC Turismo, que só
em julho vai levar cerca de 35 000 turistas para o litoral nordestino
o dobro do que embarcava há três anos.
Em
tempos de dólar caro, férias de primeira num litoral de
qualidade como o do Nordeste brasileiro são uma oportunidade que
vale a pena examinar. Enquanto o interior é castigado por uma recorrente
seca, a porção litoral da região prepara-se para
receber um número recorde de turistas. Estima-se que, só
nas férias de julho próximo, as praias localizadas ao longo
da costa nordestina da Bahia ao Maranhão vão
receber em torno de 3 milhões de visitantes, 50% a mais que em
1998. Essa multidão vai irrigar a economia da região com
cerca de 1,2 bilhão de reais. Vários fatores impulsionaram
essa corrida rumo ao Nordeste nos últimos anos. Tudo começou
em 1994, com o Plano Real, que turbinou as finanças da classe média
brasileira. Num primeiro momento, com a paridade do real com o dólar,
boa parte dos brasileiros com algum recurso extra preferiu fazer viagens
de férias ao exterior Miami, Cancún e Caribe, principalmente.
Com a desvalorização cambial, ocorrida em janeiro de 1999,
as viagens internacionais ficaram mais caras e a equação
se inverteu. Agora, com o dólar indo passear na estratosfera, o
Nordeste transformou-se na grande vedete do turismo nacional.
Os investimentos em obras de infra-estrutura estão ajudando a viabilizar
o litoral nordestino como destino turístico de padrão internacional.
Nos últimos cinco anos, o governo federal e governos estaduais
da região investiram cerca de 670 milhões de dólares
no setor, por meio de uma linha de crédito concedida pelo Banco
Interamericando de Desenvolvimento (BID). Esses recursos foram utilizados
em projetos de saneamento básico, preservação do
meio ambiente, recuperação do patrimônio histórico,
na melhoria de estradas e na ampliação e construção
de novos aeroportos. Em contrapartida, a iniciativa privada está
investindo na construção de hotéis e resorts
vários deles com bandeiras internacionais. Para os próximos
cinco anos, estão projetados investimentos de 6 bilhões
de reais para a construção de 30.000 apartamentos de hotéis
em vários Estados nordestinos. Acrescentem-se a isso os acordos
das operadoras de turismo com as companhias de aviação,
que criaram dezenas de vôos charter semanais para a região.
"O Nordeste abandonou o romantismo e está mostrando que sol e praia
são uma indústria", diz Caio Luiz de Carvalho, presidente
do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). "O turismo é hoje
a grande alavanca de desenvolvimento da região", diz o economista
Wilson Rabhay, professor da Universidade de São Paulo.
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