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Muito do ruim,
pouco do bom

Meninos que abusam de carboidratos
e meninas que não param de fazer
regime: a tendência é mundial

Gisela Sekeff

 
Divulgação

A empresa francesa Sodexho, uma gigante no mercado de comida industrial, concluiu recentemente uma pesquisa sobre os hábitos alimentares de crianças e adolescentes de onze países industrializados, entre os quais o emergente Brasil. Os resultados são preocupantes, especialmente no que se refere à faixa de 12 a 17 anos. O estudo mostra que os rapazolas consomem, na média geral, 2.300 calorias diárias e as mocinhas, 1.640. Em relação ao padrão considerado saudável, eles estão 100 calorias acima. Elas, 360 abaixo. Os meninos abusam de massas, sanduíches e carne vermelha. As meninas se voltam cada vez mais para as saladas, as frutas e os peixes – e só. É espantoso: cerca de 70% das garotas fizeram algum tipo de regime no último ano. Todos esses dados confirmam que a obsessão pelo corpo perfeito não é exclusiva de adultos.

Segundo a pesquisa, comparado aos Estados Unidos e aos principais países da Europa Ocidental, o Brasil ocupa lugar de destaque no consumo diário de calorias. Por aqui, os jovens do sexo masculino ingerem 2.500 calorias e as do feminino, 1.900. Evidentemente, está-se falando aqui de rebentos da classe média. Eles se empanturram de carboidratos para sustentar um ritmo intenso de exercícios físicos – com destaque para a musculação. Elas, por sua vez, aderem à frugalidade em busca de medidas de supermodelos. Com isso, a tendência é que haja um aumento entre os primeiros de problemas associados a uma dieta excessivamente gordurosa. Já no universo feminino, os médicos alertam para um crescimento acelerado de casos de anemia. Cem, 200 ou 300 calorias a mais ou a menos que a quantidade recomendada parece pouco, mas não é. "Tal diferença pode comprometer sensivelmente o desenvolvimento de uma criança ou de um adolescente", afirma o pediatra paulista Mauro Fisberg, especialista em nutrição.

Por falta de tempo ou de paciência, a maioria dos pais não controla a alimentação de seus filhos como deveria. O resultado é que, atualmente, estes são muito mais livres para escolher o que, quando e em que lugar comer. A pesquisa revela que no Brasil 63% da garotada tem esse poder. Há quatro décadas, o número era de apenas 24%. Assim como ocorre com a população economicamente ativa, crianças e jovens alimentam-se menos em casa. Os meninos gastam, em média, 23% da mesada com as refeições. As meninas, 7%. As cifras são baixas. Mas há de se lembrar que, geralmente, o dinheiro destinado à comida é "um por fora" dado pelos pais. Não sai da mesada. Os almoços e os lanches caseiros foram substituídos pelo fast food da esquina e pela cantina da escola – onde se come muito do que é ruim ou pouco do que é bom.

 



   
 
   
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