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O predador
Pesquisa
mostra que o homem
foi a causa da extinção dos
animais gigantes na América
Bia
Barbosa
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MAMUTES
Com 4 metros de altura e 6 toneladas, eram presa fácil. Os caçadores
os acuavam à beira de abismos e os empurravam para a morte. Havia
duas espécies de mamute e uma de mastodonte na América |
Houve um tempo em que o continente americano abrigou animais muito maiores
que os atuais. Eram mamíferos gigantes, como mamutes e preguiças
de 4 metros de altura, aves pesadonas, com 100 quilos, que não
conseguiam voar. O estudo das ossadas mostra que há cerca de 11
000 anos os animais de grande porte simplesmente desapareceram, como se
atingidos por uma hecatombe. Uma pesquisa da Universidade da Califórnia,
publicada na revista científica Science na semana passada,
lança luzes sobre a súbita extinção de dezenas
de espécies. O grosso da devastação foi causado por
um único predador, recém-chegado ao continente - o homem.
Outro estudo, este realizado na Austrália e também divulgado
na semana passada, mostra que o mesmo fenômeno ocorreu 35 000 anos
antes na Oceania. Várias espécies australianas, entre elas
o canguru gigante de 300 quilos, foram extintas pouco depois da chegada
do homem ao continente, há 46.000 anos. "As técnicas de
caça eram primitivas, mas fizeram um estrago considerável
entre espécies como os mamíferos gigantes, que nunca tinham
enfrentado predadores", disse a VEJA o autor da pesquisa americana, John
Alroy. Ele acredita que o efeito humano foi muito mais importante para
o desaparecimento do que qualquer outro fator, como mudanças climáticas.
A lista de desaparecidos na América do Norte num curto espaço
de tempo é impressionante: duas espécies de mamute, uma
de mastodonte, seis de cavalo, três de camelo, duas de anta, quatro
de antílope. É provável que essas espécies
pudessem ter sobrevivido até os tempos modernos, não tivessem
o azar de cruzar o caminho de predadores tão obstinados. O que
o pesquisador Alroy fez para chegar a esse resultado foi estimar a velocidade
do deslocamento e do crescimento da população a partir de
uma das datas em que se supõe que o homem tenha chegado ao continente.
Dessa forma, foi fácil comparar com o declínio das manadas,
que pode ser aferido por restos fósseis. O impacto da presença
humana se deu em vários níveis. Os primitivos habitantes
da América do Norte caçaram com facilidade os grandes mamíferos.
A reposição dos animais abatidos ficou difícil, pois
seu ritmo de reprodução era lento como o dos atuais elefantes.
"Foi um fenômeno que ocorreu em diversas partes do mundo", disse
Alroy. "Assim que o homem chegava, o número de espécies
de mamíferos diminuía."
O retrato do homem primitivo como um predador voraz não é
novidade. Os chamados sítios de matança, localizados no
fundo de penhascos, são estudados desde os anos 60. Acredita-se
que, munidos de lanças com pontas de pedra lascada e fogo, os homens
acuavam os grandes mamíferos até que caíssem de penhascos.
Foi assim que os primeiros americanos acabaram com os cavalos, que só
voltaram ao continente trazidos pelos europeus, no século XVI.
A devastação das manadas pelos homens pode ter sido a causa
do desaparecimento de outros predadores, como o tigre-de-dente-de-sabre.
Ele simplesmente ficou sem ter o que comer.
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BISÃO
GIGANTE
Avô do bisão americano, com 2 metros de altura
e 1 tonelada, sumiu há 11 000 anos |
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DENTE-DE-SABRE
A diminuição de espécies herbívoras deixou
o tigre-de-dente- de-sabre sem ter o que comer |
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