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Edição 1 704 - 13 de junho de 2001
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Nova cidade velha

Áreas antigas de Fortaleza também
passam por reforma geral

Adriana Negreiros

 
Jornal O Povo
Igor Camara
ANTES: casas em ruínas na Rua Dragão do Mar DEPOIS: as obras transformaram o lugar numa paisagem de cartão-postal

O centro velho de Fortaleza está cada vez mais novo. Num processo de revitalização comparável apenas ao que se realizou em Salvador, o governo cearense gastou 55 milhões de reais, no decorrer de dez anos, para restaurar igrejas, teatros, praças, ruas, casarões, pontos comerciais, monumentos e edifícios. Outros 17 milhões ainda estão sendo aplicados no projeto chamado Fortaleza Histórica, que inclui a reforma do Forte de Nossa Senhora de Assunção, onde nasceu a cidade, e na construção de um novo centro cultural, na estação ferroviária. A idéia é seguir o exemplo do Complexo Cultural Júlio Prestes, em São Paulo, que também está sediado numa antiga estação de trens. Nas fases já concluídas na capital do Ceará, foi erguido o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, na Praia de Iracema, a zona boêmia da cidade, e houve uma transformação total na Casa de Detenção, cujas celas, de 1866, deram lugar a dezenas de lojas de lembranças típicas da região. Nos próximos dias, fica pronta a reforma da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, que tem 271 anos.

Com essas mudanças, o poder público inverte a mão de direção para a qual vinha empurrando o centro de Fortaleza. O fórum, por exemplo, deixou o centro da cidade há três anos, indo para a região sul. Com ele, foram-se outras repartições, cartórios e boa parte do comércio, num processo que deixou a antiga área livre para a mendicância e a prostituição nas ruas. No início deste ano, o prédio, em frente ao Forte de Nossa Senhora de Assunção, foi implodido. Em seu lugar, ergueu-se uma praça. Quinze edifícios do entorno estão sendo restaurados para abrigar teatros, cinemas e museus, criando um novo pólo cultural para a população.

 
Igor Camara
O centro cultural: adeus complexo de inferioridade

A reforma já terminada na velha Rua Dragão do Mar é um exemplo de que essa transformação é possível. Pouco mais de dois anos atrás, ao longo dessa passagem suja e esburacada havia apenas um descampado e uma série de casarões abandonados. Esse era um dos lugares mais inseguros de Fortaleza. Agora, a região está tomada pelos mais badalados bares e restaurantes da cidade, concentrados em volta do centro cultural. Essa obra consumiu 20 milhões de dólares e complementou um processo de recuperação iniciado dez anos atrás, quando se reformou o Theatro José de Alencar, do início do século passado. Concessionárias de veículos, boates, bancos, igrejas e hotéis completam o novo cenário. Também o antigo complexo de inferioridade que abatia os habitantes de Fortaleza quando se tratava de instalações culturais deu lugar a outro sentimento com a construção do centro de eventos de 30.000 metros quadrados. "Antes de 1999, a cidade recebia duas mostras de artes plásticas por ano", lembra Pádua Araújo, presidente do centro cultural Dragão do Mar. "Depois da inauguração, já houve 27." Uma exposição de esculturas de Rodin atraiu ao local 73.000 visitantes.

   
 
   
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