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Nova cidade velha
Áreas
antigas de Fortaleza também
passam por reforma geral
Adriana Negreiros
Jornal O Povo
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Igor Camara
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| ANTES:
casas
em ruínas na Rua Dragão do Mar |
DEPOIS:
as
obras transformaram o lugar numa paisagem de cartão-postal |
O centro
velho de Fortaleza está cada vez mais novo. Num processo de revitalização
comparável apenas ao que se realizou em Salvador, o governo cearense
gastou 55 milhões de reais, no decorrer de dez anos, para restaurar
igrejas, teatros, praças, ruas, casarões, pontos comerciais,
monumentos e edifícios. Outros 17 milhões ainda estão
sendo aplicados no projeto chamado Fortaleza Histórica, que inclui
a reforma do Forte de Nossa Senhora de Assunção, onde nasceu
a cidade, e na construção de um novo centro cultural, na
estação ferroviária. A idéia é seguir
o exemplo do Complexo Cultural Júlio Prestes, em São Paulo,
que também está sediado numa antiga estação
de trens. Nas fases já concluídas na capital do Ceará,
foi erguido o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, na Praia
de Iracema, a zona boêmia da cidade, e houve uma transformação
total na Casa de Detenção, cujas celas, de 1866, deram lugar
a dezenas de lojas de lembranças típicas da região.
Nos próximos dias, fica pronta a reforma da Igreja de Nossa Senhora
do Rosário, que tem 271 anos.
Com essas
mudanças, o poder público inverte a mão de direção
para a qual vinha empurrando o centro de Fortaleza. O fórum, por
exemplo, deixou o centro da cidade há três anos, indo para
a região sul. Com ele, foram-se outras repartições,
cartórios e boa parte do comércio, num processo que deixou
a antiga área livre para a mendicância e a prostituição
nas ruas. No início deste ano, o prédio, em frente ao Forte
de Nossa Senhora de Assunção, foi implodido. Em seu lugar,
ergueu-se uma praça. Quinze edifícios do entorno estão
sendo restaurados para abrigar teatros, cinemas e museus, criando um novo
pólo cultural para a população.
Igor Camara
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| O
centro cultural: adeus complexo de inferioridade |
A reforma
já terminada na velha Rua Dragão do Mar é um exemplo
de que essa transformação é possível. Pouco
mais de dois anos atrás, ao longo dessa passagem suja e esburacada
havia apenas um descampado e uma série de casarões abandonados.
Esse era um dos lugares mais inseguros de Fortaleza. Agora, a região
está tomada pelos mais badalados bares e restaurantes da cidade,
concentrados em volta do centro cultural. Essa obra consumiu 20 milhões
de dólares e complementou um processo de recuperação
iniciado dez anos atrás, quando se reformou o Theatro José
de Alencar, do início do século passado. Concessionárias
de veículos, boates, bancos, igrejas e hotéis completam
o novo cenário. Também o antigo complexo de inferioridade
que abatia os habitantes de Fortaleza quando se tratava de instalações
culturais deu lugar a outro sentimento com a construção
do centro de eventos de 30.000 metros quadrados.
"Antes de 1999, a cidade recebia duas mostras de artes plásticas
por ano", lembra Pádua Araújo, presidente do centro cultural
Dragão do Mar. "Depois da inauguração, já
houve 27." Uma exposição de esculturas de Rodin atraiu ao
local 73.000 visitantes.
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