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Edição 1 704 - 13 de junho de 2001
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O celular vai à guerra

Na mão de guerrilheiros e soldados,
telefone vira arma no conflito da
Macedônia


AFP
Guerrilheiro albanęs com lanįa-granadas e celular: livre para conversar


Celular já foi símbolo de status, quando poucos tinham acesso a ele. Agora está em toda parte – mas o campo de batalha é uma novidade. Na Macedônia, a bola da vez na eterna guerra civil nos Bálcãs, o apare- lho é tão indispensável e popular que todos os lados do conflito o usam. Desde o Exército até os guerrilheiros albaneses, que lutam pela anexação de parte do país à Albânia, passando pelos diplomatas estrangeiros que conseguem, por meio do aparelho, apressar ajuda humanitária e negociar com maior rapidez. O telefone móvel é muitas vezes a única ligação com o mundo que resta aos civis, obrigados a se refugiar em porões para escapar do tiroteio. Os rebeldes albaneses penavam com walkie-talkies e rádios, que tinham a freqüência facilmente monitorada pelo Exército, e hoje estão falando à toa com o celular. Mesmo sem estarem livres da bisbilhotice do inimigo, ficou muito mais complicado monitorar cada um dos 140.000 aparelhos habilitados no pequeno país de 2 milhões de habitantes – o governo ainda não sabe estimar quantos estão em uso nos campos de batalha.

Depois de começar do zero, após a destruição da infra-estrutura de telefonia na Guerra de Kosovo, província vizinha à Macedônia, os celulares têm cobertura em boa parte do país e se tornaram febre entre os macedônios. Em dois anos, o número de assinantes cresceu 200% (eram apenas 47.000 em 1999). Por pouco mais de 100 dólares é possível comprar um aparelho do tipo pré-pago. Com isso, foi-se o tempo em que para transmitir informações do campo de batalha eram necessários quilos e mais quilos de equipamentos. Mas é preciso cuidado. Algumas vezes, o celular pode atrapalhar mais do que ajudar. Em 1996, o serviço secreto israelense matou o terrorista palestino Yehiye Ayash detonando por controle remoto explosivos plantados dentro de seu telefone. Poucos meses depois, o Exército russo rastreou as ligações feitas por Djokar Dudaiev, líder rebelde checheno, e o matou com mísseis disparados de avião. O celular realmente chegou para ficar, mas ainda pode ser perigoso no campo de batalha.

 

Comunicações em combate

O celular é o mais novo capítulo na busca por um modo eficiente de comunicação sob tiroteio. Na I Guerra, os fios dos telefones e telégrafos eram constantemente cortados pelas bombas. A comunicação era tão ruim que em determinado momento foi substituída por assobios e fogueiras. A II Guerra viveu a chegada do rádio aos campos de batalha, tecnologia aprimorada na Guerra do Vietnã.



 
 
   
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