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Procura-se ministro

Presidente do México usa headhunters
para escolher seus auxiliares

 
Fotos AP

O auxiliar que Fox deseja
Executivo com experiência em postos de direção de empresas ou organismos internacionais, com idade entre 35 e 50 anos e domínio de inglês. Com estudos ou trabalhos realizados no exterior e bom trânsito entre o empresariado mexicano. Alguma simpatia pelo presidente Vicente Fox é bem-vinda.

Vicente Fox elegeu-se presidente do México com a promessa de governar com métodos empresariais. Nem os eleitores mais crédulos acreditavam que isso fosse valer também para a escolha do primeiro e segundo escalão do governo – exatamente aqueles cargos preciosos de que o político dispõe para premiar amigos e demonstrar gratidão a quem pôs dinheiro em sua campanha eleitoral. Para surpresa geral, Fox, que assumiu na virada do ano, está realmente agindo como se o governo do México fosse uma empresa. Até contratou firmas de headhunters, os caça-talentos que recrutam executivos cinco-estrelas para grandes companhias, para ajudá-lo a escolher seus auxiliares. Para não criar duas castas dentro do governo, o presidente evitou revelar como cada auxiliar foi contratado – o contrato com as empresas recrutadoras proíbe explicitamente a divulgação de nomes. Mas já se descobriu que pelo menos quatro de seus ministros foram selecionados por headhunters. Outros vinte executivos vindos do mercado ocupam cargos no segundo escalão e na direção de estatais.

A seleção foi realizada por quatro empresas que receberam mais de 1.000 currículos de executivos. A segunda etapa consistiu em selecionar e entrevistar dez candidatos por cargo, reduzindo a lista a três nomes. Foi entre esse trio de finalistas que o presidente decidiu. Quando era governador do Estado de Guanajuato, Fox montou o secretariado do mesmo jeito. Em seis anos de mandato, não houve nenhuma deserção. Bom de lábia, ele convenceu o secretariado de que o cargo oficial seria uma boa pedida para seus currículos. O argumento funcionou com a atual ministra do Turismo, Leticia Navarro Ochoa. Vinda de bons empregos (veja quadro), ela está perdendo dinheiro. Os vencimentos de ministro, 130.000 dólares anuais, equivalem ao bônus de fim de ano que ela recebia nos Estados Unidos.

Fox não quis apenas montar um ministério técnico, mas também sortido. Para isso, misturou políticos e empresários, diferentes faixas etárias e acrescentou três mulheres. Dos dezenove ministros, apenas quatro são do partido do presidente, o PAN. Executivos da Gillette, Texaco, DuPont, das empresas de comunicação Avantel e Telmex e dos bancos Banamex e Bancomer preencheram ministérios importantes, como o da Fazenda (dos treze integrantes da equipe econômica, oito foram diretores de empresas) e o da Energia, e a direção da gigante petroleira estatal Pemex. Um consultor das Nações Unidas ocupa a Pasta do Meio Ambiente, um diretor da Organização Mundial de Saúde é o ministro da Saúde e uma juíza é a titular da Pasta da Reforma Agrária. O México nunca viu nada assim. Durante sete décadas em que estiveram no poder, os caciques do Partido Revolucionário Institucional (PRI) dividiram as benesses do Estado entre amigos e apaniguados. Agora torcem o nariz e apontam o risco de conflitos de interesse nos ministros antes ligados à iniciativa privada. Fox não se arrepende. "Meu ministério representa um México que valoriza o talento e o profissionalismo", disse na semana passada em Tóquio, enquanto tentava fechar um tratado de livre comércio com o Japão.

 

Leticia Navarro Ochoa,
48 anos

Cargo: ministra do Turismo
Salário: 130 000 dólares anuais
Currículo: diretora de marketing da Texaco e da Gillette
Como chegou ao governo: foi selecionada entre 400 candidatos



 
 
   
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