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Edição 1 704 - 13 de junho de 2001
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Jospin, o vermelho

Depois de anos de negativas,
premiê francês
admite vinte
anos de militância trotskista

 
Jospin: duas décadas de luta pela ditadura do proletariado

Moderado e honesto. Esta era a imagem pública do primeiro-ministro da França, o socialista Lionel Jospin. A auréola perdeu o brilho na semana passada. Leonel Jospin admitiu, diante da Assembléia Nacional, que foi filiado durante duas décadas à Organização Comunista Internacionalista, um dos grupos trotskistas mais furibundos da França. Seria pior se os franceses descobrissem que Jospin desviava recursos da, digamos, Superintendência do Desenvolvimento do Norte da França – mas, ainda assim, o frisson foi considerável. A militância esquerdista na juventude pode ser aceita como um rito universal de passagem para a vida adulta, mas como se explica a mentira? Apesar dos rumores que circulavam, Jospin sempre negou qualquer envolvimento com organizações revolucionárias. "Eu nunca fui trotskista", mentiu, há seis anos, ao jornal Le Monde. Ele ainda tentou despistar, afirmando que os boatos surgiram porque as pessoas o confundiam com seu irmão, Olivier, esse sim um trotskista assumido. Jospin só admitiu a verdade depois da publicação de reportagens que desenterraram o depoimento de antigos companheiros comunistas. "Fui realmente atraído pelas idéias trotskistas nos anos 60", reconheceu, encabulado, o veterano gauche.

No início do ano, Joschka Fischer, ministro de Relações Exteriores da Alemanha, foi intimado a depor no julgamento de um ex-companheiro acusado pela morte de três pessoas num ataque terrorista nos anos 70. Fischer admitiu seu histórico violento e pediu desculpas. A diferença é que o político alemão nunca negou seu passado, como fez Jospin. "Camarada Michel", como era conhecido o primeiro-ministro francês entre os trotskistas, infiltrou-se no Partido Socialista em 1971. O mais surpreendente foi o fato de só se ter desligado do movimento ultra-esquerdista em 1987, quando já era secretário-geral do Partido Socialista, e apenas dez anos antes de se eleger primeiro-ministro. O motivo de esconder um passado tão recente? "Não acho que tenha de dar satisfação a ninguém", declarou, lacônico. Candidato socialista à Presidência, no ano que vem, Jospin apareceu atrás do atual presidente Jacques Chirac numa pesquisa divulgada pouco antes da confissão. Isso tudo, apesar de a imagem pública de Chirac já estar em frangalhos há algum tempo devido a escândalos de corrupção. Mal sinal para os socialistas que dependem de Jospin para pôr um fim em seis anos de mandato do conservador Chirac.

 
 
   
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