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Jospin,
o vermelho
Depois de anos de negativas,
premiê francês admite
vinte
anos de militância trotskista
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| Jospin:
duas décadas de luta pela ditadura do proletariado |
Moderado
e honesto. Esta era a imagem pública do primeiro-ministro da França,
o socialista Lionel Jospin. A auréola perdeu o brilho na semana
passada. Leonel Jospin admitiu, diante da Assembléia Nacional,
que foi filiado durante duas décadas à Organização
Comunista Internacionalista, um dos grupos trotskistas mais furibundos
da França. Seria pior se os franceses descobrissem que Jospin desviava
recursos da, digamos, Superintendência do Desenvolvimento do Norte
da França mas, ainda assim, o frisson foi considerável.
A militância esquerdista na juventude pode ser aceita como um rito
universal de passagem para a vida adulta, mas como se explica a mentira?
Apesar dos rumores que circulavam, Jospin sempre negou qualquer envolvimento
com organizações revolucionárias. "Eu nunca fui trotskista",
mentiu, há seis anos, ao jornal Le Monde. Ele ainda tentou
despistar, afirmando que os boatos surgiram porque as pessoas o confundiam
com seu irmão, Olivier, esse sim um trotskista assumido. Jospin
só admitiu a verdade depois da publicação de reportagens
que desenterraram o depoimento de antigos companheiros comunistas. "Fui
realmente atraído pelas idéias trotskistas nos anos 60",
reconheceu, encabulado, o veterano gauche.
No início do ano, Joschka Fischer, ministro de Relações
Exteriores da Alemanha, foi intimado a depor no julgamento de um ex-companheiro
acusado pela morte de três pessoas num ataque terrorista nos anos
70. Fischer admitiu seu histórico violento e pediu desculpas. A
diferença é que o político alemão nunca negou
seu passado, como fez Jospin. "Camarada Michel", como era conhecido o
primeiro-ministro francês entre os trotskistas, infiltrou-se no
Partido Socialista em 1971. O mais surpreendente foi o fato de só
se ter desligado do movimento ultra-esquerdista em 1987, quando já
era secretário-geral do Partido Socialista, e apenas dez anos antes
de se eleger primeiro-ministro. O motivo de esconder um passado tão
recente? "Não acho que tenha de dar satisfação a
ninguém", declarou, lacônico. Candidato socialista à
Presidência, no ano que vem, Jospin apareceu atrás do atual
presidente Jacques Chirac numa pesquisa divulgada pouco antes da confissão.
Isso tudo, apesar de a imagem pública de Chirac já estar
em frangalhos há algum tempo devido a escândalos de corrupção.
Mal sinal para os socialistas que dependem de Jospin para pôr um
fim em seis anos de mandato do conservador Chirac.
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