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Edição 1 704 - 13 de junho de 2001
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A telegangue

Polícia paulista desmonta
centrais telefônicas do PCC


Agliberto Lima/AE
Central do PCC: a nova "máfia" tem poder real ou é um novo CV?

Quando a polícia do Rio de Janeiro descobriu a existência da organização criminosa Comando Vermelho, que pichava muros com as iniciais CV, correu na sociedade carioca a impressão de que uma nova máfia se instalara na cidade. O Comando Vermelho surgiu na década de 80, e foram necessários anos de investigação até se constatar que a sigla CV tinha um marketing mais poderoso que sua capacidade de cometer crimes. Pois chegou a vez de São Paulo conviver com uma sigla criminosa, um tal de PCC, iniciais de Primeiro Comando da Capital. Tão misterioso quanto o CV, o PCC ganhou notoriedade ao promover a maior rebelião já ocorrida no sistema penitenciário brasileiro, quando se amotinaram os presos de 29 cadeias. Na ocasião, mais de 10.000 familiares que estavam em visita aos detentos foram tomados como reféns. Com base na experiência obtida com o CV carioca, as autoridades paulistas trataram de difundir uma versão segundo a qual o raio de ação dos bandidos do PCC se restringia ao interior das cadeias, onde os membros da gangue cobram taxas de proteção e corrompem agentes penitenciários. Essa versão pode estar sendo desmontada com as descobertas das duas últimas semanas.

Depois de uma longa investigação, a polícia paulista localizou treze centrais telefônicas clandestinas que eram usadas por bandidos ligados ao grupo. Avaliadas em 10.000 reais cada uma, as centrais estavam espalhadas por seis cidades paulistas. As contas de cada central chegavam a 50.000 reais por mês. Os equipamentos eram operados dia e noite com a ajuda de "telefonistas" e permitiam que até 300 pessoas falassem simultaneamente. Durante a investigação, a polícia conseguiu grampear 400 horas de conversas que passaram por essas centrais. A transcrição das fitas não foi revelada. Há registros de detentos tramando assaltos e seqüestros, mas ainda não se descobriu uma relação indiscutível entre o que se tramava dentro da cadeia e os crimes que realmente aconteceram. "Hoje acredito que existe um grupo ordenando crimes de dentro das prisões", afirma o delegado Alberto Pereira Matheus Júnior, que chefia a investigação. "Só não sei seu verdadeiro poder", diz.

Desde a rebelião de fevereiro, os bandidos do PCC viraram motivo de dor de cabeça para o governo. Depois disso já ocorreram mais três rebeliões coordenadas por marginais que se dizem ligados ao grupo. Centenas de presos foram transferidos, obrigando a mobilização de enormes recursos. O desafio da polícia agora é identificar exatamente a força desse novo inimigo para combatê-lo com um canhão, caso seja de fato tão poderoso quanto parece, ou com uma arma de menor calibre, caso se trate de uma versão paulista do CV.

 

Tele-PCC

A polícia descobriu que bandidos do PCC controlavam 13 centrais telefônicas espalhadas por 6 cidades. Com elas, mais de 300 criminosos podiam falar ao mesmo tempo

 

 
 
   
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