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A telegangue
Polícia
paulista desmonta
centrais telefônicas do PCC
Agliberto Lima/AE
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do PCC: a nova "máfia" tem poder real ou é um novo CV? |
Quando
a polícia do Rio de Janeiro descobriu a existência da organização
criminosa Comando Vermelho, que pichava muros com as iniciais CV, correu
na sociedade carioca a impressão de que uma nova máfia se
instalara na cidade. O Comando Vermelho surgiu na década de 80,
e foram necessários anos de investigação até
se constatar que a sigla CV tinha um marketing mais poderoso que sua capacidade
de cometer crimes. Pois chegou a vez de São Paulo conviver com
uma sigla criminosa, um tal de PCC, iniciais de Primeiro Comando da Capital.
Tão misterioso quanto o CV, o PCC ganhou notoriedade ao promover
a maior rebelião já ocorrida no sistema penitenciário
brasileiro, quando se amotinaram os presos de 29 cadeias. Na ocasião,
mais de 10.000 familiares que estavam em visita aos detentos foram tomados
como reféns. Com base na experiência obtida com o CV carioca,
as autoridades paulistas trataram de difundir uma versão segundo
a qual o raio de ação dos bandidos do PCC se restringia
ao interior das cadeias, onde os membros da gangue cobram taxas de proteção
e corrompem agentes penitenciários. Essa versão pode estar
sendo desmontada com as descobertas das duas últimas semanas.
Depois de uma longa investigação, a polícia paulista
localizou treze centrais telefônicas clandestinas que eram usadas
por bandidos ligados ao grupo. Avaliadas em 10.000 reais cada uma, as
centrais estavam espalhadas por seis cidades paulistas. As contas de cada
central chegavam a 50.000 reais por mês. Os equipamentos eram operados
dia e noite com a ajuda de "telefonistas" e permitiam que até 300
pessoas falassem simultaneamente. Durante a investigação,
a polícia conseguiu grampear 400 horas de conversas que passaram
por essas centrais. A transcrição das fitas não foi
revelada. Há registros de detentos tramando assaltos e seqüestros,
mas ainda não se descobriu uma relação indiscutível
entre o que se tramava dentro da cadeia e os crimes que realmente aconteceram.
"Hoje acredito que existe um grupo ordenando crimes de dentro das prisões",
afirma o delegado Alberto Pereira Matheus Júnior, que chefia a
investigação. "Só não sei seu verdadeiro poder",
diz.
Desde a rebelião de fevereiro, os bandidos do PCC viraram motivo
de dor de cabeça para o governo. Depois disso já ocorreram
mais três rebeliões coordenadas por marginais que se dizem
ligados ao grupo. Centenas de presos foram transferidos, obrigando a mobilização
de enormes recursos. O desafio da polícia agora é identificar
exatamente a força desse novo inimigo para combatê-lo com
um canhão, caso seja de fato tão poderoso quanto parece,
ou com uma arma de menor calibre, caso se trate de uma versão paulista
do CV.
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Tele-PCC
A polícia descobriu que bandidos do PCC controlavam 13
centrais telefônicas espalhadas por 6
cidades. Com elas, mais de 300
criminosos podiam falar ao mesmo tempo
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