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Fim
da farra
MEC suspende abertura de
novos
cursos superiores
Consuelo
Dieguez
O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, decidiu, na
semana passada, pôr um pouco de ordem na política de abertura
de cursos superiores no Brasil. Todos os 6.000 pedidos de novos cursos
já protocolados no Ministério da Educação
passarão por outra avaliação antes de ser autorizados
a funcionar. É uma medida sensata, mas chega depois de a porta
ter sido arrombada. Na tentativa de aumentar rapidamente o reduzido número
de vagas de ensino superior no país, o MEC acabou tropeçando
na própria pressa. Em apenas cinco anos, mais de 4.000 cursos foram
autorizados, o que elevou em 42% o número de alunos nas instituições
de ensino superior. Seria um crescimento louvável, se tivesse vindo
acompanhado de controle de qualidade. Não foi, no entanto, o que
ocorreu.
Os dados do Provão resumem o problema. A maioria dos 7.927 cursos
avaliados entre 1996 e 2000 teve desempenho sofrível. Na ponta
do lápis, 5.969 deles se embolaram nos conceitos C, D e E, de regular
e insuficiente. Nesse conjunto pouco elogiável, um dos maiores
problemas são os centros universitários. Criadas em 1997
para ser centros de excelência, essas instituições,
como as universidades, têm autonomia para abrir cursos e vagas.
Contudo, estão desobrigadas de manter em seus quadros um terço
de mestres e doutores e de fazer pesquisa. O resultado é previsível.
Dos pedidos para abertura de novas instituições, dois foram
para universidades e 54 para centros universitários. Com poucas
obrigações, quase 80% dos estabelecimentos receberam conceito
C, D e E no Provão. O pior é que na portaria assinada pelo
ministro Paulo Renato os centros universitários já existentes,
assim como as universidades, continuam autorizados a criar cursos e vagas.
Se o ministro não for mais cuidadoso com os cursos já abertos,
será impossível controlar, depois, os que ainda estão
por vir.
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