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Perguntas que
não calam
Com
tanta coisa mal explicada, o caso
Marka pode voltar a ter uma CPI
Policarpo
Junior, de Brasília
Roberto Stuckert Filho
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| Tereza
Grossi depondo no Senado ao lado de Armínio: dúvidas
no ar |
Na
semana passada, a diretora de fiscalização do Banco Central,
Tereza Grossi, depôs sobre a ajuda secreta de 1,6 bilhão
de reais aos bancos Marka e FonteCindam na crise cambial, em janeiro de
1999. Estava acompanhada do presidente do Banco Central, Armínio
Fraga, mas foi seu depoimento que mais chamou a atenção
não pelo que disse, mas sobretudo pelo que não disse.
Tereza Grossi negou que tenha ouvido falar em chantagem ou que o então
presidente do Banco Central, Francisco Lopes, vendesse informação
sigilosa para um punhado de clientes. Garantiu, mais uma vez, que só
propôs a ajuda aos dois bancos porque o país estava num regime
de banda cambial e explicou que, se soubesse que a banda seria implodida
três dias depois, sua proposta seria outra: a liquidação
pura e simples dos dois bancos. Por fim, sempre que foi questionada a
respeito de alguns detalhes, Tereza Grossi recomendou aos senadores que
perguntassem a seus superiores na época já que era chefe
adjunta do setor de fiscalização, então comandado
por Cláudio Mauch, e não pertencia à diretoria do
BC.
Selmy Yassuda
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| Cacciola:
ajudado pelo BC na hora do aperto |
O Banco Central ajudou o Marka e o FonteCindam por temer que, com a quebra
dos dois bancos, o sistema bancário todo entrasse em colapso, num
efeito dominó, pela eventual eclosão de uma crise de confiança.
Para evitar isso, o BC ofereceu dólar ao Marka à cotação
de 1,27 real, mais barato que o preço da moeda no mercado, e ao
FonteCindam a 1,32 real, correspondente ao preço oficial do dólar,
que explodiria no dia seguinte. Não deu dinheiro diretamente. Os
dois bancos tinham contratos de venda de dólar no mercado futuro,
e o BC comprou todos esses contratos, evitando o prejuízo que ambos
teriam. Impediu-se aquilo que o BC chama de "risco sistêmico". Mas
as suspeitas de que houve coisa errada continuam no ar.
Tudo o que a diretora Tereza Grossi fala é ouvido com extrema atenção
pelas autoridades do governo. Em 1999, o governo se empenhou para que
a CPI que investigava a ajuda aos bancos não quebrasse o sigilo
bancário e telefônico de Tereza. Houve até um ministro
que se mobilizou para convencer dois senadores João Alberto,
do PMDB do Maranhão, e Siqueira Campos, do PFL do Tocantins
a desistir dessa idéia. No governo, não havia temor de que
as conversas telefônicas ou a conta bancária de Tereza trouxessem
alguma novidade comprometedora. O temor era de que, incomodada pela devassa
em sua intimidade, Tereza não suportasse a pressão e falasse
um pouco mais livremente sobre os bastidores da operação.
Em 16 de junho de 1999, os senadores que pertenciam à CPI decidiram
cancelar o pedido de quebra de sigilo bancário e telefônico
de Tereza Grossi, que fora aprovado na véspera. Por que mudaram
de opinião de um dia para o outro?
Wilton Junior/AE
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| Chico
Lopes: ajuda suspeita na virada do câmbio em 1999 |
O senador João Alberto, que foi relator da CPI, diz que o pedido
de quebra dos sigilos de Tereza foi aprovado, mas, por culpa de uma funcionária
da CPI, Cleide Cruz, o papel ficou guardado na gaveta e não foi
remetido ao Banco Central. "Não fiz nada de errado e não
vão fazer de mim uma nova Regina Borges", rebate Cleide Cruz, referindo-se
à ex-presidente do setor de processamento de dados Regina Borges,
que se envolveu na violação do painel eletrônico do
Senado. "Recebi uma orientação para não mandar o
pedido e aguardar até segunda ordem", completa a funcionária.
A tal segunda ordem nunca chegou, até que a CPI aprovou outro requerimento
desistindo de quebrar os sigilos.
No momento em que estendeu a rede de proteção sob o Marka,
o BC socorreu também um fundo controlado pelo Marka Bank, uma subsidiária
do banco de Cacciola com sede nas Bahamas, com mais 29 milhões
de reais. Parte desse dinheiro foi enviada ao exterior. "A informação
do senhor Cacciola era de que havia posições descobertas
na Bolsa de Chicago", explicou a diretora de fiscalização.
Pediu, levou. Tereza disse que, quando foi autorizada a operação,
não sabia que o único cotista do tal fundo era o próprio
Marka Bank o que levanta a suspeita, até hoje não esclarecida,
de que o único beneficiário dessa remessa foi o próprio
Cacciola. Com as dúvidas ainda no ar, a Comissão de Constituição
e Justiça da Câmara aprovou a criação de uma
CPI para apurar o caso. Agora, o pedido precisa ser aprovado em plenário.
Se a CPI sair, poderá esclarecer outro pedaço: quem eram
os beneficiários do esquema de Chico Lopes. O senador petista Eduardo
Suplicy, que diz ter uma testemunha de tudo, afirmou na semana passada
que eram cinco bancos: o Marka, o FonteCindam, o Pactual, o Boavista e
o Modal.
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