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Patrícia:
ofídios, macumba e tubarão |
| Foto: Pedro Rubens |
Desde que estreou, em 1994, com Acqua
Toffana, Patrícia Melo se viu encaixada no filão
dos policiais. Ela reclama, e com razão. Faltam a seus
livros os ingredientes clássicos do policial. O que ela
mais compartilha com os mestres do gênero é um
interesse pela morte e seus métodos. Patrícia se
diverte, e também ao leitor, discorrendo sobre venenos,
armas, facas. A psicologia dos desajustados também lhe
interessa e é bem captada por seu estilo nervoso. Mas
há outro elemento no texto de Patrícia Melo que tem
recebido menor atenção: sua disposição para a
sátira, seu humor voltado para o lado exasperante das
relações sociais e do cotidiano. Até agora, morte e
humor estiveram casados nos livros da autora, mas essa
fórmula não funciona em sua última obra.
No recém-lançado Elogio da Mentira (Companhia das Letras; 187 páginas; 18,50 reais), Patrícia teria feito melhor se explorasse independentemente essas duas vertentes. É seu pior livro. Tenta amarrar elementos demais em menos de 200 páginas e fracassa. Primeiro, existe o desejo de reverenciar os clássicos do policial, com pastiches de Rubem Fonseca ou Edgar Allan Poe. Depois, há um enredo de pulp fiction, com ofídios, matadores, macumba e um tubarão. Finalmente, uma farsa: escritor de livros de mistério vira best-seller de auto-ajuda e, mais tarde, um mago ao estilo de Paulo Coelho. Se, em vez de um romance, Patrícia tivesse feito duas novelas, ofereceria ao leitor uma deliciosa sátira cultural e uma envolvente história brasileira de amor e morte. Mas, ao misturar tudo num saco de gatos, perdeu o controle. Fica para a próxima.
C.G.
Copyright © 1998, Abril
S.A. |