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Sexo implícito
Um filme
sobre pornografia que não cai na vulgaridade
É difícil fazer
um filme sobre o mundo da pornografia sem cair na
vulgaridade ou na defesa tola da liberdade de expressão --
O Povo contra Larry Flynt, missa encomendada pelo
personagem-título, é um bom exemplo dos dois casos.
Daí o mérito do diretor Paul Thomas Anderson. Aos 27
anos, ele fez o ótimo Boogie Nights Prazer sem
Limites (Boogie Nights, EUA, 1997), que
estréia nesta sexta-feira em circuito nacional. A fita
foi um sucesso de crítica lá fora e recebeu três
indicações para o Oscar: ator coadjuvante (Burt
Reynolds), atriz coadjuvante (Julianne Moore) e roteiro
original (escrito pelo próprio Thomas Anderson). Boogie
Nights não conquistou nenhum desses prêmios, embora
muita gente achasse que Burt Reynolds merecesse a
estatueta mais que Robin Williams, o psiquiatra
heterodoxo de Gênio Indomável. Pouco
importa. O filme de Anderson prima pelo ótimo roteiro e
pelas atuações. As cenas de sexo são tão bem-feitas,
e com tanto bom gosto, que conseguem ser excitantes mesmo
sem mostrar a nudez dos atores. Há imagens fortes, é
claro, mas sempre em ocasiões pouco libidinosas por
exemplo, quando os personagens caem de nariz na cocaína
ou se envolvem em situações violentas. Num trecho da
fita, um personagem negro, todo vestido de branco, toma
um banho de sangue na cara quando a pessoa que está a
sua frente leva um tiro na cabeça durante um assalto.
Quentin Tarantino não faria melhor.
No filme, Burt
Reynolds faz um diretor de filmes pornográficos, e Mark
Wahlberg, ex-integrante do grupo New Kids on the Block
(que, graças a Deus, não existe mais), interpreta um
ator que deve seu sucesso a um detalhe de sua anatomia
(dá para imaginar qual). Com personagens assim, é
fácil cair na caricatura, mas o jovem diretor Thomas
Anderson tem mão boa e constrói tipos com
personalidades tão marcantes que o espectador
conseguirá se envolver com cada um deles. Há espaço
também para tipos puramente cômicos, como a atriz
pornô Rollergirl, assim chamada porque não tira os
patins dos pés nem mesmo quando protagoniza cenas
tórridas. Por último, o filme tem o charme adicional de
ser ambientado nos anos 70, provavelmente o período da
história humana mais estapafúrdio no terreno da
indumentária. A excelente reconstituição dos figurinos
de época confere uma graça adicional à fita. A trilha
sonora, com sucessos do gênero discothèque, também é
irresistível. Veja o filme e compre o disco que, por
falar nisso, já está disponível nas lojas.
Marcelo
Camacho

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