"Como um político que vive rodeado de luxo, grandes jantares e viagens pode ao menos imaginar o que é comer calango quando não se tem nem um prato de feijão na mesa?"
Carla L. de Oliveira Marques
Mossoró, RN

Nordeste

Parabéns a VEJA pela clareza da reportagem sobre o flagelo do nordestino. Passam-se décadas e décadas sem que governo algum, seja federal, estadual ou municipal, tenha interesse na solução do problema que se repete com a freqüência das campanhas eleitorais. Essa seca deixa no ar diversas perguntas, entre as quais poderíamos destacar as seguintes: onde está o Comunidade Solidária? E a Sudene? Será que o ministro Paulo Renato continuará a afirmar que temos 95% das crianças na escola? Só se o Nordeste não entrar na estimativa, pois as crianças nordestinas estão aprendendo a lição que a vida lhes oferece. Por que o governo demorou tanto a tomar medidas de cunho paliativo? Espero que alguém no governo tenha respostas. O nordestino aguarda ("O fantasma da fome", 6 de maio).
José Flôr de Medeiros Júnior
João Pessoa, PB

Brasil, país da opressão e da humilhação. Lamentável ver que no Nordeste cerca de 18 milhões de brasileiros vivem no mapa da seca e da fome, e 10 milhões que vivem na zona rural constituem uma população impotente contra a seca que mata. Já se passaram séculos, e continuam na história do sertão nordestino a seca, a fome e os saques, enquanto os coronéis da caatinga vivem em Brasília com mordomias e privilégios.
Lavonério Francisco De Lima
nerio@ufma.br
São Luís, MA

Quando vejo as coisas que acontecem em nosso país, principalmente em minha região, o Nordeste, me pergunto que direito é esse que nós, simples e mortais brasileiros, temos ao colocar nas urnas o nosso voto. Dizem que é um ato de "patriotismo". Acho que é burrice patológica. De que adiantam os votos, as corridas às urnas, a luta pelos candidatos que, acreditamos, podem mudar nosso perfil social, quando na verdade só comprometem mais e mais a nossa situação? O Nordeste, assim como o resto do país, merece e precisa é de emprego, de dignidade, de trabalho honesto. Não precisa que o presidente lhe dê cestas de alimentos. O Nordeste existe e é uma força produtiva como todos sabem. Não precisamos de ninguém para sobreviver. A reportagem sobre a fome no Nordeste é essencial, mas maquia o sofrimento real desse povo corajoso e lutador. Seu verdadeiro sofrimento está na desconsideração de seus representantes, que acham que pobre não merece respeito. Eu lhes pergunto: quando o rico come um prato de feijão, quem plantou?
Francisco Cysne Carneiro Filho
cysne@mcanet.com.br
Fortaleza, CE

VEJA traz novamente uma reportagem sobre a seca no Nordeste brasileiro. A reportagem está muito bem elaborada e explicativa do atual quadro na região, pena que esse quadro, que piora a cada dia, esteja acontecendo em um ano eleitoral e junto com a Copa do Mundo de futebol. A seca é uma indústria para muitos políticos, é uma forma de encher a urna ou o disquete de votos; é uma situação que entra seca sai seca nossos governantes nada fazem, a não ser distribuir uma cesta básica contendo alguns quilos de alimentos que não duram. Se nossos políticos e principalmente nós, nordestinos, tivéssemos vergonha na cara, esse problema já teria sido definitivamente resolvido. É sabido de todos que Israel fez brotar alimentos no deserto com técnicas de irrigação, garra, determinação e, acima de tudo, vontade política de fazer as coisas acontecerem. Infelizmente, a culpa é toda nossa, nós é que escolhemos quem deve resolver os nossos problemas. Nossos políticos, no nível estadual, estão mais preocupados em resolver o grande dilema atual: quem será o próximo candidato do PMDB, se o atual governador José Maranhão ou se o clã dos Cunha Lima dará "um golpe de partido" e ganhará no grito e na raça a convenção; se o deputado Gilvan Freire conseguirá unir as "esquerdas"; se o PFL lançará candidato próprio ou apoiará o atual governador. Enquanto isso, é só distribuir umas sacolas de alimento e ir empurrando com uma barriga que não existe um problema que é de todos nós.
Fred Vasconcelos Coelho de Albuquerque
João Pessoa, PB

Meu nome é Diego Duarte Braga, tenho 16 anos, sou estudante do 2º ano do 2º grau. Moro em Fortaleza, Ceará, e, vendo em VEJA o retrato da seca que assola o interior do Nordeste, resolvi mandar-lhes esta carta, denunciando as razões dessa situação catastrófica. Desde a Antiguidade os poderosos vêm iludindo os incultos e miseráveis com promessas, lábia e obras, para que a população aceite sua situação de miséria e de subjugação. Os políticos da atualidade se valem do baixo nível educacional, da situação de pobreza e do uso inescrupuloso da religião como forma de iludir o povo com promessas e mais promessas. A seca é um exemplo clássico de como a omissão e a exploração deixam seqüelas irreparáveis na população e na economia de uma região.
Diego Duarte Braga
Fortaleza, CE

"Ainda bem que eu não tenho de comer calango." Fico pensando nesta frase dita pelo garoto de 6 anos Raimundo Lima. Talvez seja por esse motivo também que as autoridades competentes não tomaram as devidas providências para alimentar aquelas pessoas, afinal nenhuma autoridade tem de comer calango. Muito pelo contrário, seus freezers devem estar abarrotados dos mais variados tipos de carne, às vezes até apodrecendo. É preciso ter coração para olhar a foto daquela criança da capa e sentir a dor nos seus olhos, a falta de esperança e ao mesmo tempo a satisfação de comer arroz e feijão como se fosse um manjar de Deus. Será que nem a fome sensibiliza a quem de direito a tomar as devidas providências para acabar, definitivamente, com a injustiça social no nosso país?
Renilton Alves dos Reis
renilton@almg.gov.br
Belo Horizonte, MG

Sou filho, neto e bisneto do município de Tauá, região dos Inhamuns do interior cearense. Com um dos mais baixos índices pluviométricos de todo o mundo, essas terras abrigam um povo que tem como maior vaidade poder comer seu feijão com arroz pelo menos duas vezes ao dia. São inevitáveis as lágrimas ao ver meus irmãos nas páginas de revistas ou em manchetes de jornais e telejornais, protagonizando caçadas a calangos ou comendo mandacaru, xique-xique e palma. Tão antigo quanto o problema da seca é o descaso de todos esses hipócritas governantes que lucram na indústria da seca à custa de vidas de seres humanos. E o mais incrível disso tudo é que, quando aparece um programa realmente eficaz para o problema, como a transposiçao das águas do Rio São Francisco, com abaixo-assinado de 1 milhão de assinaturas, tem nordestino, repito, tem nordestino contra. Parabenizo e, principalmente, agradeço à revista VEJA pela espetacular reportagem na edição 1545, que mostrou a realidade do "mundo nordestino". Uns ajudam com ações, outros com alimentos e mais alguns apenas divulgando a verdade nua e crua. Meu mais sincero obrigado.
Marcos André Tomáz Lima
Fortaleza, CE

Trabalho como supervisor de comunicação social da Bolsa de Gêneros Alimentícios do Rio de Janeiro e convivo com empresários atacadistas e varejistas que, além de se respeitar mutuamente em suas operações diárias, respeitam acima de tudo o consumidor final. Conseguimos manter a decência e o bom senso de equilibrar as cotações que compõem a cesta básica. Infelizmente, até agora, o governo federal não conseguiu fazer um planejamento objetivo em relação à fome no Nordeste, mas estamos torcendo para que os menos privilegiados não apenas sobrevivam, mas acima de tudo sejam acudidos o quanto antes por meio de uma eficiente corrente ministerial, em que Agricultura, Planejamento e a própria Ação da Cidadania consigam chegar ao tão esperado denominador comum, beneficiando esses sacrificados cidadãos. Enquanto isso, nós da BGARJ continuamos a segurar a inflação e a sustentar o brilho do Plano Real, com a força de vontade de quem conseguiu melhorar a qualidade da alimentação de classes sociais menos privilegiadas.
Antonio Kämpffe
Rio de Janeiro, RJ

Amarelas

A entrevista com Antonio Britto (Amarelas, 6 de maio) é esperançosa quanto a um país melhor no futuro. Porém, como a maioria dos políticos, ele apresenta apenas problemas, não soluções. Este país só vai melhorar quando as pessoas pararem de pensar em seus problemas e se preocuparem em solucioná-los.
Eduardo R. Akkari e André P. Gianinni
São Paulo, SP

Europa

O surgimento de uma moeda única na Europa demonstra a quebra de barreiras entre países que em um passado relativamente próximo lutavam entre si. Um ideal comum foi capaz de superar ressentimentos, diferenças, povos e idiomas: poder disputar com a grande potência da América: os Estados Unidos. Esse amadurecimento deve ser buscado pelos demais blocos econômicos na tentativa de alcançar os objetivos já atingidos pela União Européia. Se de um lado a união representa avanço econômico, de outro revela a imposição dos interesses de países mais desenvolvidos com um temível e indesejável retorno ao imperialismo econômico ("Unidos pelo euro", 6 de maio).
Ana Claudia G.F. Scartezzini
São Paulo, SP

Fernando Henrique

Sistema de cotas não é racismo? Supor que negros são estruturalmente menos capacitados do que brancos, e precisam ter suas vagas asseguradas na faculdade, sendo favorecidos, não é segregá-los? Qualquer negro é capaz de competir com qualquer branco por uma vaga de universidade em igualdade de condições. Aliás, a partir do momento em que se está fazendo a prova, a cor da pele se torna um fator totalmente irrelevante. Não deve sequer ser levada em consideração, sob nenhuma ótica. Deve, isso sim, ser considerada a bagagem acadêmica de cada um deles. Se a maior parte dos negros não tem educação formal o suficiente para entrar em uma boa universidade, isso se dá simplesmente porque a maior parte dos negros no Brasil faz parte da população mais pobre. Resumindo: eles não cursam faculdade porque não puderam sequer fazer um primário e um 2º grau razoáveis, devido ao fato de não terem dinheiro para pagar por tal ensino. E, claro, porque o ensino público é insuficiente (para não dizer que é péssimo, na maioria das vezes). Seria justo, então, catapultar essas pessoas direto para a universidade, onde não terão condições de se manter, por falta de base acadêmica? Ou teremos de baixar o nível do ensino de 3º grau para essas pessoas? E os brancos que também são pobres e não puderam estudar, ficam de fora? E quais seriam os critérios para definir "branco" e "negro", já que a população brasileira é basicamente mestiça? A questão é que com o sistema de cotas, se ele for implantado, serão criados novos problemas, e as velhas deficiências não serão resolvidas. Se o dinheiro destinado ao sistema de cotas for utilizado para melhorar o ensino básico, com certeza o número de negros nas universidades vai aumentar naturalmente, sem que se precise lançar mão de artificialismos como esse ("Os negros, segundo o presidente", 6 de maio).
Barbara Axt
axt@rdc.puc-rio.br
Rio de Janeiro, RJ

O presidente FHC poderia ter nos lembrado que na família do ex-ministro Magri até os cães comem à mesa. O exemplo (de FHC) mostra apenas como ele (FHC) é elitista. Se fosse realmente bom sociólogo, teria nos poupado de comentário tão politicamente inconveniente. O patrãozinho teria feito melhor se tivesse dado a carta de alforria à velha escrava.
Ednilson Antônio F. Macedo
Sao Luís, MA

Justiça

Não lavei as mãos, como pretende induzir a reportagem "Lógica do brioche" (6 de maio) ao lembrar o óbvio: que nenhuma progressão de pena prosperará sem advogado. Nesse ponto, não é exato que tenha saído da minha boca que o advogado deva ser pago pelo preso. Parece-me completamente injusto levar os milhares de leitores de VEJA a pensar que o secretário Nacional dos Direitos Humanos é omisso ou que não sabe distinguir pão de brioche.
José Gregori
Brasília, DF

Comportamento

No livro O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway, o menino se perguntava: "Por que os velhos levantam tão cedo?" e se respondia: "É porque seu tempo está se acabando e é para viverem mais". Na reportagem "Longe do altar" (6 de maio), é dito que "os mais velhos só querem saber de sexo". Por analogia podemos deduzir que é porque suas energias estão se esgotando, então eles as usam intensamente antes que se acabem.
Vicente Petinati Netto
São Paulo, SP

Aqui nos EUA, mulheres de mais de 40 anos que tenham aparência cuidada geralmente encontram novos parceiros, graças ao grande número de divorciados e ao fato de que os homens procuram companheiras da mesma idade. Muitas não se interessam em legalizar a situação, já que estão com a vida organizada e são independentes. Também há aqui homens divorciados que não conseguem uma nova companheira, apesar de boa situação financeira. A sociedade americana não vê com bons olhos um casal em que um homem é muito mais velho. Por isso, é incrível VEJA mostrar que Márcia Peltier, bonita e com 39 anos, tenha sorte, pois encontrou um homem dezessete anos mais velho. Tomara que a cabeça do homem brasileiro mude nesse aspecto e que a mulher de meia-idade não dependa de um homem para ser feliz.
Grace Tollini Wieczorek
Washington, DC, EUA

A expressão "pirâmide da solidão" foi cunhada por minha colega e reconhecida demógrafa, professora Elza Berquó. Na reportagem, a expressão aparece como se fosse minha, sem menção a quem de direito.
Maria Coleta F.A. de Oliveira
Campinas, SP

Livro

Desejo manifestar minha satisfação ao ver que se reedita a obra de Alice Dayrell e quero dar o testemunho de que "eu vi os originais da obra", que Augusto Mario demonstrava grande orgulho em mostrar, fazendo comentários elogiosos a sua mulher e desfrutando as "histórias" dela, que nunca cessaram, apesar da idade de ambos e da vida em comum durante muitíssimos anos. Creio até terem completado bodas de ouro. Que o manuscrito tenha sido dado à leitura de alguma outra pessoa mais letrada, poderia ser. Porém, a personalidade de Alice, seu humor extraordinário, sua vivacidade para encarar o cotidiano transformando-o numa aventura permanente, com compreensão e ternura raras em sua época, é inegável. E gente como eu, que conheci intimamente e freqüentei sua casa, pode garantir que realmente o diário existiu, foi escrito por ela quando menina e a obra é verdadeira ("Brasil legal", 6 de maio).
Laurita Mourão de Irazabal
Rio de Janeiro, RJ

Martini

Cabe esclarecer que a produção total, anual, de Martini no Brasil é de 1 milhão de caixas de 9 litros, ou seja, 9 milhões de litros por ano. Portanto, não é correta a informação de que no mês de abril foi contabilizada pela Bacardi a venda de 12 milhões de litros. Lembramos que a foto que ilustra a reportagem "Drinque errado" (6 de maio) é da embalagem antiga. O drinque Dry Martini, tão famoso e que já foi tema de livros e tratados, é preparado à base de gim e uma indispensável parte de vermute Martini seco.
Paulo Sérgio Rocha Serra
Presidente da Bacardi-Martini do Brasil
São Paulo, SP

Turismo

Foi fantástica a reportagem "Passeio na floresta" (6 de maio). É muito importante uma maior divulgação do turismo ecológico do Brasil, para que muitos brasileiros que já deram voltas na Terra pensem em conhecer e valorizar a Amazônia, Bonito, Pantanal, Abrolhos e tantos outros lindos santuários ecológicos que temos por aqui. Seria interessante deixar a Estátua da Liberdade de lado para podermos abraçar o Corcovado.
Gabriela Cintra Januário
Belo Horizonte, MG

Grama sintética

Referente à reportagem "Bola rolando" (6 de maio), gostaria de esclarecer que o polipropileno não é um derivado do náilon (nome comercial da poliamida), na verdade são duas resinas sintéticas que diferem entre si em uma infinidade de fatores. Além disso, nunca ouvi falar de processos baseados em radiação infravermelha para promover resistência às intempéries. Para que tal grama não desbote são utilizadas determinadas famílias de pigmentos que possuem elevada resistência intrínseca, além da aditivação de agentes protetores durante a produção do piso sintético.
Riccardo Cerruti
São Paulo, SP

Gente

Foi com tristeza e indignação que li a nota referente à minha pessoa na seção Gente (29 de abril). É lamentável que a mesma revista que publicou uma edição especial premiada sobre a importância da conservação da Amazônia demonstre algumas edições depois uma visão tão preconceituosa e estereotipada sobre as ONGs em geral e os profissionais da área do meio ambiente em particular. Quando aceitei dar entrevista à revista Time, que VEJA escolheu repercutir, foi com o objetivo de mostrar o que os ambientalistas brasileiros estavam conseguindo realizar em nosso país. A Time pelo menos reconheceu e valorizou o trabalho dos brasileiros na defesa do meio ambiente e mostrou a tendência de profissionalização do setor. Uma tendência que a própria VEJA deveria seguir, em benefício de seus leitores.
Sylvia Mitraud
Brasília, DF

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