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NordesteParabéns a VEJA
pela clareza da reportagem sobre o flagelo do nordestino.
Passam-se décadas e décadas sem que governo algum, seja
federal, estadual ou municipal, tenha interesse na
solução do problema que se repete com a freqüência
das campanhas eleitorais. Essa seca deixa no ar diversas
perguntas, entre as quais poderíamos destacar as
seguintes: onde está o Comunidade Solidária? E a
Sudene? Será que o ministro Paulo Renato continuará a
afirmar que temos 95% das crianças na escola? Só se o
Nordeste não entrar na estimativa, pois as crianças
nordestinas estão aprendendo a lição que a vida lhes
oferece. Por que o governo demorou tanto a tomar medidas
de cunho paliativo? Espero que alguém no governo tenha
respostas. O nordestino aguarda ("O fantasma da
fome", 6 de maio). Brasil, país da
opressão e da humilhação. Lamentável ver que no
Nordeste cerca de 18 milhões de brasileiros vivem no
mapa da seca e da fome, e 10 milhões que vivem na zona
rural constituem uma população impotente contra a seca
que mata. Já se passaram séculos, e continuam na
história do sertão nordestino a seca, a fome e os
saques, enquanto os coronéis da caatinga vivem em
Brasília com mordomias e privilégios. Quando vejo as
coisas que acontecem em nosso país, principalmente em
minha região, o Nordeste, me pergunto que direito é
esse que nós, simples e mortais brasileiros, temos ao
colocar nas urnas o nosso voto. Dizem que é um ato de
"patriotismo". Acho que é burrice patológica.
De que adiantam os votos, as corridas às urnas, a luta
pelos candidatos que, acreditamos, podem mudar nosso
perfil social, quando na verdade só comprometem mais e
mais a nossa situação? O Nordeste, assim como o resto
do país, merece e precisa é de emprego, de dignidade,
de trabalho honesto. Não precisa que o presidente lhe
dê cestas de alimentos. O Nordeste existe e é uma
força produtiva como todos sabem. Não precisamos de
ninguém para sobreviver. A reportagem sobre a fome no
Nordeste é essencial, mas maquia o sofrimento real desse
povo corajoso e lutador. Seu verdadeiro sofrimento está
na desconsideração de seus representantes, que acham
que pobre não merece respeito. Eu lhes pergunto: quando
o rico come um prato de feijão, quem plantou? VEJA traz novamente
uma reportagem sobre a seca no Nordeste brasileiro. A
reportagem está muito bem elaborada e explicativa do
atual quadro na região, pena que esse quadro, que piora
a cada dia, esteja acontecendo em um ano eleitoral e
junto com a Copa do Mundo de futebol. A seca é uma
indústria para muitos políticos, é uma forma de encher
a urna ou o disquete de votos; é uma situação que
entra seca sai seca nossos governantes nada fazem, a não
ser distribuir uma cesta básica contendo alguns quilos
de alimentos que não duram. Se nossos políticos e
principalmente nós, nordestinos, tivéssemos vergonha na
cara, esse problema já teria sido definitivamente
resolvido. É sabido de todos que Israel fez brotar
alimentos no deserto com técnicas de irrigação, garra,
determinação e, acima de tudo, vontade política de
fazer as coisas acontecerem. Infelizmente, a culpa é
toda nossa, nós é que escolhemos quem deve resolver os
nossos problemas. Nossos políticos, no nível estadual,
estão mais preocupados em resolver o grande dilema
atual: quem será o próximo candidato do PMDB, se o
atual governador José Maranhão ou se o clã dos Cunha
Lima dará "um golpe de partido" e ganhará no
grito e na raça a convenção; se o deputado Gilvan
Freire conseguirá unir as "esquerdas"; se o
PFL lançará candidato próprio ou apoiará o atual
governador. Enquanto isso, é só distribuir umas sacolas
de alimento e ir empurrando com uma barriga que não
existe um problema que é de todos nós. Meu nome é Diego
Duarte Braga, tenho 16 anos, sou estudante do 2º ano do
2º grau. Moro em Fortaleza, Ceará, e, vendo em VEJA o
retrato da seca que assola o interior do Nordeste,
resolvi mandar-lhes esta carta, denunciando as razões
dessa situação catastrófica. Desde a Antiguidade os
poderosos vêm iludindo os incultos e miseráveis com
promessas, lábia e obras, para que a população aceite
sua situação de miséria e de subjugação. Os
políticos da atualidade se valem do baixo nível
educacional, da situação de pobreza e do uso
inescrupuloso da religião como forma de iludir o povo
com promessas e mais promessas. A seca é um exemplo
clássico de como a omissão e a exploração deixam
seqüelas irreparáveis na população e na economia de
uma região. "Ainda bem que
eu não tenho de comer calango." Fico pensando nesta
frase dita pelo garoto de 6 anos Raimundo Lima. Talvez
seja por esse motivo também que as autoridades
competentes não tomaram as devidas providências para
alimentar aquelas pessoas, afinal nenhuma autoridade tem
de comer calango. Muito pelo contrário, seus freezers
devem estar abarrotados dos mais variados tipos de carne,
às vezes até apodrecendo. É preciso ter coração para
olhar a foto daquela criança da capa e sentir a dor nos
seus olhos, a falta de esperança e ao mesmo tempo a
satisfação de comer arroz e feijão como se fosse um
manjar de Deus. Será que nem a fome sensibiliza a quem
de direito a tomar as devidas providências para acabar,
definitivamente, com a injustiça social no nosso país? Sou filho, neto e
bisneto do município de Tauá, região dos Inhamuns do
interior cearense. Com um dos mais baixos índices
pluviométricos de todo o mundo, essas terras abrigam um
povo que tem como maior vaidade poder comer seu feijão
com arroz pelo menos duas vezes ao dia. São inevitáveis
as lágrimas ao ver meus irmãos nas páginas de revistas
ou em manchetes de jornais e telejornais, protagonizando
caçadas a calangos ou comendo mandacaru, xique-xique e
palma. Tão antigo quanto o problema da seca é o descaso
de todos esses hipócritas governantes que lucram na
indústria da seca à custa de vidas de seres humanos. E
o mais incrível disso tudo é que, quando aparece um
programa realmente eficaz para o problema, como a
transposiçao das águas do Rio São Francisco, com
abaixo-assinado de 1 milhão de assinaturas, tem
nordestino, repito, tem nordestino contra. Parabenizo e,
principalmente, agradeço à revista VEJA pela
espetacular reportagem na edição 1545, que mostrou a
realidade do "mundo nordestino". Uns ajudam com
ações, outros com alimentos e mais alguns apenas
divulgando a verdade nua e crua. Meu mais sincero
obrigado. Trabalho como
supervisor de comunicação social da Bolsa de Gêneros
Alimentícios do Rio de Janeiro e convivo com
empresários atacadistas e varejistas que, além de se
respeitar mutuamente em suas operações diárias,
respeitam acima de tudo o consumidor final. Conseguimos
manter a decência e o bom senso de equilibrar as
cotações que compõem a cesta básica. Infelizmente,
até agora, o governo federal não conseguiu fazer um
planejamento objetivo em relação à fome no Nordeste,
mas estamos torcendo para que os menos privilegiados não
apenas sobrevivam, mas acima de tudo sejam acudidos o
quanto antes por meio de uma eficiente corrente
ministerial, em que Agricultura, Planejamento e a
própria Ação da Cidadania consigam chegar ao tão
esperado denominador comum, beneficiando esses
sacrificados cidadãos. Enquanto isso, nós da BGARJ
continuamos a segurar a inflação e a sustentar o brilho
do Plano Real, com a força de vontade de quem conseguiu
melhorar a qualidade da alimentação de classes sociais
menos privilegiadas. AmarelasA entrevista com
Antonio Britto (Amarelas, 6 de maio) é esperançosa
quanto a um país melhor no futuro. Porém, como a
maioria dos políticos, ele apresenta apenas problemas,
não soluções. Este país só vai melhorar quando as
pessoas pararem de pensar em seus problemas e se
preocuparem em solucioná-los. EuropaO surgimento de uma
moeda única na Europa demonstra a quebra de barreiras
entre países que em um passado relativamente próximo
lutavam entre si. Um ideal comum foi capaz de superar
ressentimentos, diferenças, povos e idiomas: poder
disputar com a grande potência da América: os Estados
Unidos. Esse amadurecimento deve ser buscado pelos demais
blocos econômicos na tentativa de alcançar os objetivos
já atingidos pela União Européia. Se de um lado a
união representa avanço econômico, de outro revela a
imposição dos interesses de países mais desenvolvidos
com um temível e indesejável retorno ao imperialismo
econômico ("Unidos pelo euro", 6 de maio). Fernando HenriqueSistema de cotas
não é racismo? Supor que negros são estruturalmente
menos capacitados do que brancos, e precisam ter suas
vagas asseguradas na faculdade, sendo favorecidos, não
é segregá-los? Qualquer negro é capaz de competir com
qualquer branco por uma vaga de universidade em igualdade
de condições. Aliás, a partir do momento em que se
está fazendo a prova, a cor da pele se torna um fator
totalmente irrelevante. Não deve sequer ser levada em
consideração, sob nenhuma ótica. Deve, isso sim, ser
considerada a bagagem acadêmica de cada um deles. Se a
maior parte dos negros não tem educação formal o
suficiente para entrar em uma boa universidade, isso se
dá simplesmente porque a maior parte dos negros no
Brasil faz parte da população mais pobre. Resumindo:
eles não cursam faculdade porque não puderam sequer
fazer um primário e um 2º grau razoáveis, devido ao
fato de não terem dinheiro para pagar por tal ensino. E,
claro, porque o ensino público é insuficiente (para
não dizer que é péssimo, na maioria das vezes). Seria
justo, então, catapultar essas pessoas direto para a
universidade, onde não terão condições de se manter,
por falta de base acadêmica? Ou teremos de baixar o
nível do ensino de 3º grau para essas pessoas? E os
brancos que também são pobres e não puderam estudar,
ficam de fora? E quais seriam os critérios para definir
"branco" e "negro", já que a
população brasileira é basicamente mestiça? A
questão é que com o sistema de cotas, se ele for
implantado, serão criados novos problemas, e as velhas
deficiências não serão resolvidas. Se o dinheiro
destinado ao sistema de cotas for utilizado para melhorar
o ensino básico, com certeza o número de negros nas
universidades vai aumentar naturalmente, sem que se
precise lançar mão de artificialismos como esse
("Os negros, segundo o presidente", 6 de maio). O presidente FHC
poderia ter nos lembrado que na família do ex-ministro
Magri até os cães comem à mesa. O exemplo (de FHC)
mostra apenas como ele (FHC) é elitista. Se fosse
realmente bom sociólogo, teria nos poupado de
comentário tão politicamente inconveniente. O
patrãozinho teria feito melhor se tivesse dado a carta
de alforria à velha escrava. JustiçaNão lavei as
mãos, como pretende induzir a reportagem "Lógica
do brioche" (6 de maio) ao lembrar o óbvio: que
nenhuma progressão de pena prosperará sem advogado.
Nesse ponto, não é exato que tenha saído da minha boca
que o advogado deva ser pago pelo preso. Parece-me
completamente injusto levar os milhares de leitores de
VEJA a pensar que o secretário Nacional dos Direitos
Humanos é omisso ou que não sabe distinguir pão de
brioche. ComportamentoNo livro O Velho
e o Mar, de Ernest Hemingway, o menino se perguntava:
"Por que os velhos levantam tão cedo?" e se
respondia: "É porque seu tempo está se acabando e
é para viverem mais". Na reportagem "Longe do
altar" (6 de maio), é dito que "os mais velhos
só querem saber de sexo". Por analogia podemos
deduzir que é porque suas energias estão se esgotando,
então eles as usam intensamente antes que se acabem. Aqui nos EUA,
mulheres de mais de 40 anos que tenham aparência cuidada
geralmente encontram novos parceiros, graças ao grande
número de divorciados e ao fato de que os homens
procuram companheiras da mesma idade. Muitas não se
interessam em legalizar a situação, já que estão com
a vida organizada e são independentes. Também há aqui
homens divorciados que não conseguem uma nova
companheira, apesar de boa situação financeira. A
sociedade americana não vê com bons olhos um casal em
que um homem é muito mais velho. Por isso, é incrível
VEJA mostrar que Márcia Peltier, bonita e com 39 anos,
tenha sorte, pois encontrou um homem dezessete anos mais
velho. Tomara que a cabeça do homem brasileiro mude
nesse aspecto e que a mulher de meia-idade não dependa
de um homem para ser feliz. A expressão
"pirâmide da solidão" foi cunhada por minha
colega e reconhecida demógrafa, professora Elza Berquó.
Na reportagem, a expressão aparece como se fosse minha,
sem menção a quem de direito. LivroDesejo manifestar
minha satisfação ao ver que se reedita a obra de Alice
Dayrell e quero dar o testemunho de que "eu vi os
originais da obra", que Augusto Mario demonstrava
grande orgulho em mostrar, fazendo comentários elogiosos
a sua mulher e desfrutando as "histórias"
dela, que nunca cessaram, apesar da idade de ambos e da
vida em comum durante muitíssimos anos. Creio até terem
completado bodas de ouro. Que o manuscrito tenha sido
dado à leitura de alguma outra pessoa mais letrada,
poderia ser. Porém, a personalidade de Alice, seu humor
extraordinário, sua vivacidade para encarar o cotidiano
transformando-o numa aventura permanente, com
compreensão e ternura raras em sua época, é inegável.
E gente como eu, que conheci intimamente e freqüentei
sua casa, pode garantir que realmente o diário existiu,
foi escrito por ela quando menina e a obra é verdadeira
("Brasil legal", 6 de maio). MartiniCabe esclarecer que
a produção total, anual, de Martini no Brasil é de 1
milhão de caixas de 9 litros, ou seja, 9 milhões de
litros por ano. Portanto, não é correta a informação
de que no mês de abril foi contabilizada pela Bacardi a
venda de 12 milhões de litros. Lembramos que a foto que
ilustra a reportagem "Drinque errado" (6 de
maio) é da embalagem antiga. O drinque Dry Martini, tão
famoso e que já foi tema de livros e tratados, é
preparado à base de gim e uma indispensável parte de
vermute Martini seco. TurismoFoi fantástica a
reportagem "Passeio na floresta" (6 de maio).
É muito importante uma maior divulgação do turismo
ecológico do Brasil, para que muitos brasileiros que já
deram voltas na Terra pensem em conhecer e valorizar a
Amazônia, Bonito, Pantanal, Abrolhos e tantos outros
lindos santuários ecológicos que temos por aqui. Seria
interessante deixar a Estátua da Liberdade de lado para
podermos abraçar o Corcovado. Grama sintéticaReferente à
reportagem "Bola rolando" (6 de maio), gostaria
de esclarecer que o polipropileno não é um derivado do
náilon (nome comercial da poliamida), na verdade são
duas resinas sintéticas que diferem entre si em uma
infinidade de fatores. Além disso, nunca ouvi falar de
processos baseados em radiação infravermelha para
promover resistência às intempéries. Para que tal
grama não desbote são utilizadas determinadas famílias
de pigmentos que possuem elevada resistência
intrínseca, além da aditivação de agentes protetores
durante a produção do piso sintético. GenteFoi com tristeza e
indignação que li a nota referente à minha pessoa na
seção Gente (29 de abril). É lamentável que a mesma
revista que publicou uma edição especial premiada sobre
a importância da conservação da Amazônia demonstre
algumas edições depois uma visão tão preconceituosa e
estereotipada sobre as ONGs em geral e os profissionais
da área do meio ambiente em particular. Quando aceitei
dar entrevista à revista Time, que VEJA escolheu
repercutir, foi com o objetivo de mostrar o que os
ambientalistas brasileiros estavam conseguindo realizar
em nosso país. A Time pelo menos reconheceu e
valorizou o trabalho dos brasileiros na defesa do meio
ambiente e mostrou a tendência de profissionalização
do setor. Uma tendência que a própria VEJA deveria
seguir, em benefício de seus leitores.
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