Edição 1900 . 13 de abril de 2005

Índice
Claudio de Moura Castro
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
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Radar

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)

• GOVERNO

Novela sem fim
Parece incrível, mas já tem gente graúda falando novamente em reforma ministerial. Alguns garantem que Lula, quando voltar da África, retoma, sem alarde, a reforma.

Queda de Lula
O Vox Populi terminou no fim de março uma ampla pesquisa nacional sobre o governo. Ela mostra que caiu a popularidade do governo Lula em relação à pesquisa do mês anterior. Mais: foi a primeira queda desde julho.  

Política, não
A mesma pesquisa reforça a idéia de como o brasileiro médio não está nem aí para o dia-a-dia da política. Apesar de ter ocupado generosos espaços na imprensa e nos telejornais, a (malograda) reforma ministerial foi acompanhada por apenas 36% da população. O resto não quis nem saber.

Preparando a defesa
O enrolado ministro da Previdência Social, Romero Jucá, contratou o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro para sua defesa.

 

• CÂMARA

Perto da forca
Atenção, atenção, senhores deputados: está prevista para quarta-feira, finalmente, a votação do processo de cassação do deputado André Luiz, aquele que tentou extorquir o bicheiro Carlinhos Cachoeira. É um bom momento para o Legislativo afirmar-se como instituição séria.

 

Fomento ao próprio bolso no BNDES

Marisa Cauduro/Valor/Folha Imagem
Mantega: benefício inédito na história do BNDES

O salário do presidente do BNDES, Guido Mantega, está na faixa dos 40 000 reais. Nada mau. Os diretores do banco ganham cerca de 35 000 mensais. Não dá para reclamar. Bem, mas a cúpula do BNDES não pensa assim. Deve ser por isso que o conselho do banco aprovou um reforço de caixa para a turma: quem mora fora do Rio de Janeiro, onde fica a sede do banco, passa a receber um auxílio-moradia de 1 800 reais mensais. Guido Mantega, o vice Demian Fiocca e Carlos Kawall, diretor financeiro, que residem em São Paulo, e o diretor Maurício Borges, morador de Belo Horizonte, agradecem penhorados o novo benefício – inédito no BNDES.

 

• BRASIL

Farra no Rio 1
É cada vez mais escancarado o lobby empresarial sobre o Judiciário. Até o fim deste mês a Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) anuncia o reajuste de suas tarifas – e é muito comum que, em seguida, ações judiciais contestem o aumento. Bem, veja só que coincidência: na quinta-feira passada, doze juízes e desembargadores pernambucanos e suas mulheres foram ao Rio de Janeiro passar quatro dias para participar de um seminário. Patrocinado por quem? Pela Celpe. Com tudo pago. E com direito a hotel cinco-estrelas e lautos almoços nos melhores restaurantes da cidade.  

Farra no Rio 2
Um desses almoços, na sexta-feira passada, no Gero, reunia a turma da toga e o executivo Marcelo Corrêa, presidente da empresa controladora da Celpe. Quem aí falou em conflito de interesses?

 

• ECONOMIA

Unilever vende
O grupo BMG (dono do banco de mesmo nome) comprou da Unilever a marca Jurema, líder no setor de enlatados de milho e ervilhas. Trata-se de um investimento de 50 milhões de reais, entre a aquisição da marca e a ampliação da fábrica da Jurema.

Com quem está a Arisco
Aliás, o BMG já fatura 300 milhões de reais por ano no setor de alimentos, fabricando para as marcas próprias das maiores cadeias de supermercados do país. E é do grupo o direito de usar comercialmente a marca Arisco, que ainda pertence à Unilever.  

Padinha sai
Em meados do ano, Francisco Padinha, presidente da Vivo, estará de volta a Portugal. Oficialmente, a empresa nega que vá ocorrer qualquer mudança.

 

• PECUÁRIA

Um touro de 14 milhões
O touro "Ilustre", da raça nelore, acaba de bater o novo recorde brasileiro na pecuária de corte: aos 10 anos, chegou à marca de 110.000 doses de sêmen vendidas desde 2003. Dá uma média de 150 doses diárias. Nenhum outro touro da raça vendeu tanto em dois anos. Ilustre já comercializou em toda a sua vida cerca de 200.000 doses. Como cada dose custa 70 reais, isso significa que o touro já rendeu 14 milhões de reais ao seu dono.

 

• TELEVISÃO

Ratinho estressado
Ratinho quer ver o diabo na frente, mas não seu patrão, Silvio Santos, que já trocou diversas vezes de horário e formato seu programa nas últimas semanas. Mas uma multa de 100 milhões de reais por rompimento de contrato tem feito Ratinho engolir tudo a seco.

 

• TECNOLOGIA

O terror das operadoras
A porção empresário do apresentador Ratinho, entretanto, anda a mil. Ele está lançando um aparelhinho, desenvolvido por uma empresa da qual é sócio, que deve atazanar a vida das operadoras de longa distância. Acoplado ao telefone, promete baratear as ligações interurbanas. Funciona assim: pelo código da cidade ou do país, ele detecta qual a operadora que oferece a tarifa mais barata no momento da discagem e automaticamente a ligação é realizada.

 

Um presente de Condoleezza para Zé

 
Beto Barata/AE
Pablo Martinez Monsivais/AP
Dirceu e Condoleezza: canal de entendimento

José Dirceu anda exibindo orgulhoso um presente made in USA que recebeu de Condoleezza Rice, a poderosa secretária de Estado de George W. Bush, quando ambos se encontraram no mês passado. É uma caneta preta, sem nenhum luxo, mas com a inscrição "Departamento de Estado" em letras douradas. Antes de dá-la a Dirceu, Condoleezza perguntou se podia oferecer-lhe um presente. Ele respondeu que se fosse até 150 dólares as leis brasileiras permitiam. "Então, posso lhe dar 100 lembranças de até 150 dólares?", reagiu ela, de brincadeira, antes de entregar a caneta que o ministro guarda cuidadosamente no bolso interno do paletó. Novos tempos, portanto: aos charutos de Fidel Castro, Dirceu acrescentou as canetas de plástico da Casa Branca.

 

 

NESTA REPORTAGEM
Quadro: Trem da devoção
 
 
 
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