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Diogo
Mainardi
As respostas da Igreja
"Os católicos, segundo dom Cláudio
Hummes, precisam olhar
para a frente.
É um erro. Seu lugar é lá atrás. O melhor
argumento de que a Igreja dispõe é o
mesmo de sempre: as profundezas do inferno"
Dom Cláudio Hummes é candidato
a papa. Eu voto contra. No meu conclave particular, dou-lhe fumacinha
preta. Ele diz que a Igreja Católica "está a serviço
dos pobres". Que seu papel é "combater o privilégio
e a desigualdade social". Que a "pobreza, hoje, é mais desumana".
Que o desemprego é causado pela "globalização
e pelo neoliberalismo". Que a "reforma agrária deve ser acelerada".
Que o agronegócio não garante a "justiça social".
Que o Fome Zero é um "feito muito grande em termos de distribuição
de renda". Que o homem precisa "entender que dá para ser
feliz com menos". Que é urgente abandonar as "ambições
individualistas".
A única maneira que a Igreja tem para
ajudar os pobres é dar-lhes sopa e roupa velha. Não
é a opinião do cardeal Cláudio Hummes. Ele
acredita que a religião pode fazer muito mais, funcionando
como um contrapeso para o capitalismo e a sociedade de consumo.
A maior parte dos discípulos de João Paulo II exibe
a mesma presunção. Eles imaginam que o papa de fato
derrubou o comunismo. E que, a seguir, derrubaria também
os aspectos mais daninhos do capitalismo, que se manifestam sob
a forma de um degenerado materialismo. É um erro de avaliação
da hierarquia católica. Em primeiro lugar, quem derrubou
o comunismo foi o capitalismo, e não o papa. Em segundo lugar,
o grande atributo do capitalismo é a capacidade de se corrigir
sozinho. Sem religião. Sem papa. Sem o cardeal de São
Paulo.
O principal ponto da plataforma papal de dom
Cláudio é que "a Igreja não pode dar respostas
antigas a perguntas novas". Não tenho idéia do que
isso significa. Claro que a Igreja pode dar respostas antigas. O
que não pode dar são respostas novas. Qualquer tentativa
de encontrar respostas novas para questões como células-troco
embrionárias, ou aborto, ou eutanásia, ou métodos
contraceptivos será sempre grotescamente malsucedida. A melhor
saída é fazer o contrário do que diz dom Cláudio.
Em vez de enfrentar os temas da modernidade, a Igreja deve simplesmente
ignorá-los. Dom Cláudio gosta de pescar e tocar violino.
É uma vantagem. Quando lhe perguntarem sobre as células-tronco
embrionárias, ele pode sair para pescar ou se fechar no quarto
com seu violino. Se não tiver para onde escapar, o conselho
é abrir a Escritura ao acaso e citar o primeiro versículo
que lhe saltar aos olhos. Uma resposta antiga certamente será
menos imprópria do que um arremedo de resposta nova.
Dom Cláudio é tido como um conservador
no campo moral. Deveria ser mais. Um exemplo: mães solteiras.
Elas representam um dos maiores problemas sociais do país,
porque só contam com a renda de um salário. Se dom
Cláudio fizesse uma cruzada amaldiçoando os homens
que abandonam as mulheres grávidas, o resultado certamente
seria nulo, mas pelo menos colocaria a Igreja do lado da razão.
Os católicos, segundo dom Cláudio, precisam olhar
para a frente. É um erro. Seu lugar é lá atrás.
O melhor argumento de que a Igreja dispõe é o mesmo
de sempre: as profundezas do inferno.
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