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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br ]
Não pegaram o espírito da coisa... Os marqueteiros de José Serra fizeram uma detalhada pesquisa de opinião para avaliar o impacto do programa de televisão do tucano, que foi ao ar na quarta-feira passada. Pescaram pelo menos uma pérola: descobriram que as classes C e D consideram o candidato "dócil, calmo e paciente". Tudo que Serra não é... O calo de Lula Os petistas do primeiríssimo escalão garantem que o Lula borocoxô dos últimos meses tem data certa para sair de cena: 17 de março, dia da prévia que escolherá entre ele e Eduardo Suplicy o candidato do partido à Presidência. Embora até os camundongos de Uganda saibam que Lula dará uma lavagem em Suplicy, ele até hoje não se conforma em ter de entrar nessa disputa. Queria ser ungido sem contestação, daí a cara emburrada. A Roseana do PFL Roseana Sarney passou a campanha inteira tentando distanciar seu nome do PFL até porque queria aparecer para o eleitorado como uma coisa nova na política. Um exemplo disso eram seus programas na televisão, que ignoravam solenemente a sigla. Desde o terremoto da semana passada, foi obrigada a colar na testa as três iniciais do partido. Sob controle A crise política ainda não assustou os gringos. Pelo menos a movimentação de compra e venda dos títulos brasileiros lá fora permaneceu inalterada mesmo nos momentos de maior tensão da semana passada.
É pegar ou largar Andaram especulando à vontade e chutando valores absurdos sobre a proposta que a canadense Molson (dona da Bavaria) fez para comprar a Kaiser. Eis o que está, de fato, na mesa de negociação: 600 milhões de dólares à vista e mais 150 milhões de dólares em ações da Molson que poderão ser resgatadas em um ano, se nenhum esqueleto for encontrado sob o logotipo da Kaiser. Já combinaram com o Cade? Quando houve a incorporação da Antarctica pela Brahma, o Cade obrigou a recém-criada AmBev a se desfazer da marca Bavaria e determinou: a Kaiser não poderia fazer oferta. O Cade queria, assim, estimular a entrada de novas empresas no mercado. Três anos depois, a Kaiser, que não podia comprar a Bavaria, está prestes a ser comprada por ela...
Na frente A corretora do banco Pactual, criada em janeiro, virou a número 1 em operações na Bovespa em fevereiro. Os bancos da Varig A partir de agora, a Varig voará colada a dois bancos o Fator e o Crédit Lyonnais. O primeiro foi escalado para reestruturar a companhia. E o segundo entra em campo para procurar um sócio de peso para tirar a Varig de sua prolongada crise. Na reta final Falta pouco, muito pouco, para se acertarem todos os ponteiros da recapitalização da Globo Cabo. Barra pesada A turma do Banco Central está impressionada com as vísceras de dois consórcios mineiros Uniauto e Liderauto que sofreram intervenção recentemente. A Polícia Federal também está investigando as empresas e seus controladores e está encontrando coisas escabrosas. Entre elas, homicídios.
O golpe de De la Rúa A cena não é muito recente, mas deve ser contada, como registro histórico. Um militar da mais alta patente do Exército brasileiro ouviu de um colega argentino, também de altíssimo escalão, a seguinte passagem: nos estertores do governo De la Rúa, o alto comando das Forças Armadas argentinas foi chamado para uma reunião de emergência com o presidente. Ali, foram avisados que não haveria resistência por parte dele se os militares virassem a mesa e dessem um golpe. Ou seja, De la Rúa queria ser apeado do poder via quartelada, o que poderia dar um lustre a sua biografia. Sairia como vítima. O "convite" foi recusado.
A Previ na mira do governo O governo decide nesta semana o destino da Previ, o maior fundo de pensão do país. Na mesa, duas opções. A primeira é fazer uma intervenção branda, nomeando um diretor fiscal. O outro caminho é jogar mais pesado, decretando uma intervenção total.
O vizinho é pior Um banqueiro que foi à Universidade Harvard para recrutar talentos constatou, na prática, que os dois únicos países da América Latina que estão se safando da crise são Brasil e Chile. Somente os MBAs chilenos e brasileiros topam voltar para casa no fim dos cursos. O resto argentinos à frente foge de seus países como o diabo da cruz.
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