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Edição 1 742 - 13 de março de 2002
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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br ]

POLÍTICA

Não pegaram o espírito da coisa...

Os marqueteiros de José Serra fizeram uma detalhada pesquisa de opinião para avaliar o impacto do programa de televisão do tucano, que foi ao ar na quarta-feira passada. Pescaram pelo menos uma pérola: descobriram que as classes C e D consideram o candidato "dócil, calmo e paciente". Tudo que Serra não é...

O calo de Lula

Os petistas do primeiríssimo escalão garantem que o Lula borocoxô dos últimos meses tem data certa para sair de cena: 17 de março, dia da prévia que escolherá entre ele e Eduardo Suplicy o candidato do partido à Presidência. Embora até os camundongos de Uganda saibam que Lula dará uma lavagem em Suplicy, ele até hoje não se conforma em ter de entrar nessa disputa. Queria ser ungido sem contestação, daí a cara emburrada.

A Roseana do PFL

Roseana Sarney passou a campanha inteira tentando distanciar seu nome do PFL – até porque queria aparecer para o eleitorado como uma coisa nova na política. Um exemplo disso eram seus programas na televisão, que ignoravam solenemente a sigla. Desde o terremoto da semana passada, foi obrigada a colar na testa as três iniciais do partido.

Sob controle

A crise política ainda não assustou os gringos. Pelo menos a movimentação de compra e venda dos títulos brasileiros lá fora permaneceu inalterada mesmo nos momentos de maior tensão da semana passada.

 

CERVEJA

É pegar ou largar

Andaram especulando à vontade e chutando valores absurdos sobre a proposta que a canadense Molson (dona da Bavaria) fez para comprar a Kaiser. Eis o que está, de fato, na mesa de negociação: 600 milhões de dólares à vista e mais 150 milhões de dólares em ações da Molson – que poderão ser resgatadas em um ano, se nenhum esqueleto for encontrado sob o logotipo da Kaiser.

Já combinaram com o Cade?

Quando houve a incorporação da Antarctica pela Brahma, o Cade obrigou a recém-criada AmBev a se desfazer da marca Bavaria e determinou: a Kaiser não poderia fazer oferta. O Cade queria, assim, estimular a entrada de novas empresas no mercado. Três anos depois, a Kaiser, que não podia comprar a Bavaria, está prestes a ser comprada por ela...

 

Mudanças na Sul América

Bia Parreiras

Larragoiti: o controle permanece com a família


Fechou-se, enfim, na semana passada e será anunciado em breve um meganegócio que está sendo costurado desde julho. A família Larragoiti vendeu uma fatia graúda da Sul América ao banco holandês ING. A Sul América, que todos os anos se reveza com o Bradesco na liderança do setor de seguros, tem agora novo desenho acionário: 51% dos Larragoiti, 49% dos holandeses. O valor total do negócio pode ter chegado a 400 milhões de dólares. Caberá à família que fundou a seguradora há 107 anos e detinha 90% das ações com voto da empresa nomear o executivo principal. Na presidência do conselho permanecerá Patrick Larragoiti, trineto do fundador da seguradora, o imigrante Joaquim Larragoiti.

 

ECONOMIA

Na frente

A corretora do banco Pactual, criada em janeiro, virou a número 1 em operações na Bovespa em fevereiro.

Os bancos da Varig

A partir de agora, a Varig voará colada a dois bancos – o Fator e o Crédit Lyonnais. O primeiro foi escalado para reestruturar a companhia. E o segundo entra em campo para procurar um sócio de peso para tirar a Varig de sua prolongada crise.

Na reta final

Falta pouco, muito pouco, para se acertarem todos os ponteiros da recapitalização da Globo Cabo.

Barra pesada

A turma do Banco Central está impressionada com as vísceras de dois consórcios mineiros – Uniauto e Liderauto – que sofreram intervenção recentemente. A Polícia Federal também está investigando as empresas e seus controladores e está encontrando coisas escabrosas. Entre elas, homicídios.

 

ARGENTINA

O golpe de De la Rúa

A cena não é muito recente, mas deve ser contada, como registro histórico. Um militar da mais alta patente do Exército brasileiro ouviu de um colega argentino, também de altíssimo escalão, a seguinte passagem: nos estertores do governo De la Rúa, o alto comando das Forças Armadas argentinas foi chamado para uma reunião de emergência com o presidente. Ali, foram avisados que não haveria resistência por parte dele se os militares virassem a mesa e dessem um golpe. Ou seja, De la Rúa queria ser apeado do poder via quartelada, o que poderia dar um lustre a sua biografia. Sairia como vítima. O "convite" foi recusado.

 

FUNDOS DE PENSÃO

A Previ na mira do governo

O governo decide nesta semana o destino da Previ, o maior fundo de pensão do país. Na mesa, duas opções. A primeira é fazer uma intervenção branda, nomeando um diretor fiscal. O outro caminho é jogar mais pesado, decretando uma intervenção total.

 

BRASIL

O vizinho é pior

Um banqueiro que foi à Universidade Harvard para recrutar talentos constatou, na prática, que os dois únicos países da América Latina que estão se safando da crise são Brasil e Chile. Somente os MBAs chilenos e brasileiros topam voltar para casa no fim dos cursos. O resto – argentinos à frente – foge de seus países como o diabo da cruz.

 

O desmonte da TransBrasil

Antonio Milena

Avião da TransBrasil: não sai mais do chão

O governo decidiu não dar um tiro mortal na enrolada TransBrasil, mas está desmontando sua estrutura aos poucos. Até o fim do mês, via ação na Justiça, a Infraero deve retomar todos os balcões de check-in e de venda de passagens da empresa aérea nos aeroportos brasileiros. Essas áreas serão redistribuídas entre Varig, TAM, Vasp e Gol. O segundo passo será reaver os hangares. Mais para a frente, esses cobiçados espaços serão licitados. Aí então, a Infraero tentará recuperar parte dos 115 milhões de reais que a TransBrasil lhe deve.

 

 
 

 

 

   
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