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Crie
seu grupo

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Outro
jurássico
Ídolo
de várias gerações, Roger
Waters,
ex-líder do Pink Floyd,
chega ao Brasil
Sérgio
Martins

Veja também |
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No
mundo da música, o Pink Floyd ocupa a mesma posição
que a Coca-Cola entre os refrigerantes: é sinônimo de preferência
de várias gerações. O público do quarteto
inglês vai de adolescentes a senhores de meia-idade, que ainda tocam
na vitrola a edição em vinil do antológico The
Dark Side of the Moon, de 1973. Os representantes brasileiros desse
grupo heterogêneo devem se reunir a partir do dia 9 deste mês
para acompanhar a primeira turnê pelo país de Roger Waters,
ex-baixista e vocalista do Pink Floyd. O cantor, que liderou a banda de
1965 a 1983, vai tocar dezessete canções do seu antigo grupo.
Muitas delas são hinos de rebeldia tanto para a turma da calça
boca-de-sino quanto para a garotada que ouve o inócuo Belle &
Sebastian. As diferentes gerações consideram essas músicas
boas para "viajar". Para os mais novos, também é importante
o fato de que grupos atuais que se supõem revolucionários,
como Radiohead e o Air, elegeram o Pink Floyd como uma de suas influências.
O Pink Floyd surgiu em Cambridge, na Inglaterra, em 1965, como uma banda
de blues. Seus rumos mudaram dois anos depois, quando o quarteto entrou
no estúdio londrino Abbey Road para gravar o disco de estréia,
The Piper at the Gates of Dawn. Os companheiros de estúdio
do PF eram, naturalmente, os Beatles, que estavam iniciando as gravações
de Sgt. Pepper's. Reza o folclore que Syd Barrett, então
mentor do Floyd, e John Lennon dividiram drogas e idéias musicais
durante a gravação de seus álbuns. De fato, The
Piper at the Gates of Dawn soa como um "lado B" da obra-prima dos
Beatles, com rocks que parecem embebidos em ácido lisérgico.
Com a mente debilitada pelo uso excessivo de drogas, Syd Barrett foi substituído
em 1968 por David Gilmour, autor dos solos de guitarra mais elegantes
da história do rock. O Pink Floyd passou a lançar discos
conceituais e chegou ao auge da popularidade com The Dark Side of the
Moon. Um dos álbuns mais vendidos da história, ultrapassou
as barreiras do rock e até hoje continua faturando um dinheirinho
no mercado.
As brigas de costume, porém, falaram mais alto que o sucesso, e
em 1983 Roger Waters decretou o fim da banda. Três anos depois,
seus ex-companheiros ganharam na Justiça o direito sobre a marca
Pink Floyd. As duas partes clamam para si o mérito de ser o espírito
criativo do grupo. O mais certo, contudo, é dizer que tanto Waters
quanto "os outros três" (como o baixista chama jocosamente os ex-amigos)
soam como bandas "cover" do Pink Floyd. Dessas duas, a melhor é
mesmo a de Waters. Não há dúvida de que a guitarra
de David Gilmour faz falta, mas In the Flesh, cujo DVD será
lançado ainda neste mês no Brasil, tem momentos grandiosos.
Waters se faz acompanhar de músicos de primeira (entre os quais
seu filho, Harry Waters, nos teclados) e brilha nos principais clássicos
do grupo, como Shine on You Crazy Diamond e a pungente Wish
You Were Here. Além disso, as faixas-símbolo de The
Wall, como Another Brick in the Wall Part 2 e Mother,
soam muito melhores com Waters que nas versões forjadas pelo trio
de "floydianos" remanescentes.
O Pink Floyd foi uma grande banda, mas também ajudou a elevar o
nível de pretensão do rock. O quarteto nunca se contentou
em oferecer diversão. Sempre achou e Waters mais que todos
que estava fazendo "arte" (veja
entrevista). Ele criou peças orquestrais (Atom
Heart Mother), disparou as habituais reclamações contra
o cruel mundo do showbiz (Wish You Were Here e The Wall)
e hoje sonha em compor uma miniópera sobre a Revolução
Francesa. Não é à toa que, no fim dos anos 70, os
roqueiros do movimento punk escolheram o Pink Floyd como seu alvo favorito
e merecido de ridículo.
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