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Meninas,
cheguei lá
Pupila de Hebe Camargo, Nany
People faz o
gênero drag queen
família e "com conteúdo"
Marcelo
Marthe
Claudio Rossi
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| Nany,
no programa de Hebe: o nome dela é Jorge Demétrio |
Ator,
mineiro, radicado em São Paulo, lado feminino extremamente forte,
sonhando com o sucesso no teatro uma história igual a tantas
outras. Com a carreira sem rumo, veio a idéia de radicalizar. Comprou
vestido, peruca, maquiagem, salto plataforma e voilà
criou a drag queen Nany People. Para completar a mutação,
ele tratou de esconder sua identidade verdadeira sob sete chaves, com
o objetivo de "manter a aura de fantasia". Sete anos depois, Nany encontrou
seu lugar ao sol, não em shows de transformistas nem em algum outro
ponto da fronteira da marginalidade característica do gênero.
Nany hoje tem os saltos das sandálias firmemente plantados no palco
do programa de Hebe Camargo, um dos mais caros à classe média
brasileira tanto em termos de valores quanto de formato. O milagre aconteceu
por obra de uma entrevista na qual Nany propagava o lançamento
de bonecas, de brinquedo mesmo. "Hebe é uma santa. Sentei em seu
sofá plebéia e saí de lá princesa", diz Nany,
que desde o ano passado é contratada do SBT e tem entre seus fãs
o patrão, Silvio Santos. A dobradinha cria momentos hilários.
Nany é rápida no gatilho para soltar piadas e Hebe nem sempre
acompanha o ritmo. Há duas semanas, a drag queen comentou que um
engolidor de fogo se parecia com o cantor Gabriel, o Pensador. Foi o que
bastou para a apresentadora se confundir toda e achar-se diante do próprio.
"É só uma piada, Hebe", teve de explicar a assistente.
Para firmar seu lugarzinho no sofá, Nany usou da estratégia
de vender uma imagem de transformista "família". Com 36 anos declarados,
ela evita qualquer sugestão de erotismo em sua atuação
e nunca descamba para a baixaria. Um exemplo disso é o programa
que ela faz em parceria com o médico Jairo Bouer numa rádio
FM paulista. Voltada para os adolescentes, a atração tem
por tema o sexo e o transformista soa como uma tia preocupada em
ensinar os sobrinhos a se prevenir da Aids. "Sou uma mercadoria em falta
no mercado: drag queen com conteúdo", gaba-se. Nany também
não descuida do lado empresarial. Tem uma produtora de eventos
através da qual já animou bailes de debutantes e até
um bar mitzvah, a festa de 13 anos dos meninos judeus. Seu projeto mais
ambicioso é licenciar mais de 100 produtos, de bonecas a um antiderrapante
para sapatos de salto. Tornou-se um ícone em sua terra natal, a
região de Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais, que tem
fama de ser um celeiro do transformismo nacional. "Meu marido costuma
dizer que a Nany é a filha que ele nunca teve", derrete-se sua
mãe, Ivone. Como todos os parentes e amigos de Nany, Ivone tem
instruções para jamais revelar seu nome real. Apesar disso,
lá vai: o nome dela é Jorge. Jorge Demétrio Cunha
Santos.
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