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Edição 1 742 - 13 de março de 2002
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A devoradora das sete

Alessandra Negrini é um vulcão como
Selma, em Desejos de Mulher. Na vida
real também não deixa a desejar

Ricardo Valladares

Oscar Cabral
Alessandra: ela queria ser intelectual


Veja também
Galeria de fotos de Alessandra Negrini

A televisão brasileira está cheia de atores que interpretam o papel de galã dentro e fora da tela. Bem mais raro é o caso da atriz sedutora em tempo integral, aquele tipo de mulher que assume de frente o poder avassalador da beleza aliada à sensualidade. Felizmente Alessandra Negrini está aí para preencher a lacuna. Aos 31 anos, olhar desafiador, lábios permanentemente inflados num biquinho petulante, pernas de parar o trânsito, Alessandra é um vulcão. "Não vejo atriz mais provocante que ela nessa faixa de idade", elogia o autor de novelas Euclydes Marinho, que a escalou para o papel da vilã Selma no atual folhetim das sete da Rede Globo, Desejos de Mulher. Selma tem protagonizado os momentos mais escaldantes da trama, em trajes íntimos, na cama com o amante casado. Na semana passada, foi finalmente flagrada pela estilista Andrea Vargas (Regina Duarte) – que é sua chefe e, surpresa, sua irmã. Segundo Marinho, a participação de Alessandra tende a crescer daqui para a frente – embora o final, pela lógica imutável das novelas, reserve o castigo destinado a todos os vilões. A emissora avalia que o desempenho de Alessandra ajudou Desejos de Mulher a melhorar a audiência, que patinava nos 27 pontos desde a estréia e agora pulou para a média de 31. Sem medo de escancarar a sensualidade na frente das câmaras, longe delas a atriz tem em comum com a amoral Selma a postura de loba, devoradora, estraçalhadora. Tudo confirmado por um currículo de amores de matar de inveja a mais serena das mulheres (veja quadro). Dele constam nomes como o de Murilo Benício, com quem ela tem um filho de 5 anos, Antônio, e o de André Gonçalves – o atual queridinho de Casa dos Artistas 2. Há quatro meses ela namora o cantor pernambucano Otto. "Essa mulher merece tudo", diz o músico, que tatuou uma rosa com a inscrição Alê no braço esquerdo.

Mulher do tipo que fica gravado na pele, Alessandra é a filha mais velha de uma família paulistana de classe média, pai engenheiro, mãe pedagoga. Ela costuma dizer que, na adolescência, sua ambição era "ser intelectual". Chegou a cursar as faculdades de jornalismo e ciências sociais. Graças aos deuses do teatro, no começo dos anos 90 ela largou a vida acadêmica, matriculou-se no Instituto de Arte e Ciência (Indac), de São Paulo, e começou a freqüentar os palcos alternativos da cidade. Depois, participou do grupo do diretor Antunes Filho. "O problema é que o Antunes não acreditava em mim", diz Alessandra, que não guarda boas lembranças do estilo messiânico do diretor.

Em 1995, irrompeu na televisão, incorporando com força mediúnica o personagem-título da minissérie Engraçadinha, baseada na peça célebre do dramaturgo Nelson Rodrigues, na Rede Globo. Engraçadinha seduz – e leva quase às raias da loucura – um contingente respeitável dos personagens da peça. Alessandra aproveitou para deixar alucinados também os marmanjos que assistiam à série. Na época, precisou emagrecer 4 quilos para encarar as cenas de nudez. "Hoje eu me cuido, não tem perigo de ser pega desprevenida", brinca ela. Alessandra tem 1,63 metro de altura e 52 quilos, muito bem torneados em três sessões semanais de ginástica com um personal trainer. Ganha 16.000 reais por mês – além de um bônus de 40% quando está no ar, como agora. Trocou definitivamente São Paulo pelo Rio de Janeiro e mora num dúplex no Leblon, onde acaba de abrir espaço para um piano. Faz análise e fala com encantadora naturalidade de suas conquistas. Com uma única exceção. Assim como o técnico da Seleção Brasileira de Futebol, Luiz Felipe Scolari, Alessandra não confirma se o jogador Romário faz parte de sua seleção. "Somos bons amigos", diz ela. Ruborizada.

 

A SELEÇÃO DE ALESSANDRA

Rafael Campos
  Divulgação
  Divulgação/Rede Globo

Murilo Benício:
"Foi um equívoco"

 

André Gonçalves:
"Ele é um amor"

 

Marcos Palmeira:
"Bom enquanto durou"


Eduardo Monteiro
  Divulgação

Romário: o trivial "bons amigos"

Otto: ele tatuou
o nome dela no braço

 

   
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