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É
duro ser gênio
Com Os Excêntricos Tenenbaums,
o texano Wes Anderson prova que
é um cineasta de muito futuro
Isabela
Boscov
James Hamilton/Touchstone Pictures
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| Gwyneth
(à esq.) e Anjelica: um clã de prodígios
mal resolvidos |

Veja também |
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O
texano Wes Anderson, de 32 anos, é uma dessas figuras que só
muito raramente despontam no cinema. Faz filmes apenas três,
até o momento que não se parecem com os de mais ninguém
e fica melhor a cada novo trabalho. Seu primeiro, que aqui ganhou o título
medonho de Pura Adrenalina, era promissor. O seguinte, Três
É Demais, era quase perfeito. E o mais recente, Os Excêntricos
Tenenbaums (The Royal Tenenbaums, Estados Unidos, 2001),
que estréia nesta sexta-feira em São Paulo e no Rio, é
um dos filmes americanos mais singulares e inspirados dos últimos
tempos. O título se refere a uma família pródiga
em gênios precoces. O primogênito Chas (Ben Stiller) era um
ás das finanças que, ainda pequeno, comandava um escritório.
Seu irmão Richie (Luke Wilson), tenista campeão e pintor
nato. Margot (Gwyneth Paltrow), a filha adotada, estreou sua primeira
peça aos 10 anos. Como o filme é narrado à moda de
um livro, essas peripécias constam do prefácio. A partir
do primeiro capítulo, porém, vê-se que a vida dos
Tenenbaum não progrediu como o esperado. Os pais, Etheline e Royal
(Anjelica Huston e Gene Hackman), divorciaram-se, e os filhos chegaram
à idade adulta como versões mal resolvidas dos prodígios
que haviam sido. Royal está falido e inventa uma doença
terminal para poder regressar para casa. Por coincidência, também
sua prole está batendo à porta da mãe. Como voltam
a viver todos sob o mesmo teto, eles terão de acertar os ponteiros
de alguma forma.
Os
Excêntricos Tenenbaums se passa numa Nova York de fábula
que, segundo o cineasta, reproduz a idéia que ele fazia da cidade
enquanto só a conhecia por intermédio da literatura. Anderson
tem igual talento para escrever, dirigir e escolher as canções
da trilha sonora. Seja qual for a cena, não há uma música
que não faça sentido ou um centímetro da tela que
não esteja ocupado pelos inúmeros detalhes que ele usa para
situar seus personagens roupas, maquiagem, objetos decorativos,
livros, discos, tudo está lá para explicar quem são
aquelas pessoas. Não que Anderson seja adepto do naturalismo. No
visual como no roteiro, ele deixa tudo um pouco fora de esquadro, para
reforçar o tom de parábola. Nos três filmes que lançou
até aqui, ele está sempre às voltas com o mesmo tema:
aquele momento em que seus protagonistas se vêem obrigados a redefinir
o que é sucesso e, a despeito de si mesmos, tentam achar um caminho
para o futuro. Guardadas as proporções, pode-se dizer que
Wes Anderson está para o cinema assim como o escritor J.D. Salinger,
de O Apanhador no Campo de Centeio, está para a literatura
e o próprio diretor reconhece que Salinger é uma
referência constante. Até na combinação sutil
de humor e tristeza os dois se parecem. "O que realmente me interessa
é entender o que é a sensação de fracasso.
Afinal, qualquer pessoa que faça filmes está destinada a
conhecê-la, mais cedo ou mais tarde", disse Anderson a VEJA. Para
quem é capaz de fazer até Gene Hackman brilhar mais que
de costume, é um bocado de pessimismo.
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