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Edição 1 742 - 13 de março de 2002
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Vamos tentar outra vez

Mais um método para dar fôlego
novo ao velho trabalho em grupo

A capacidade de trabalhar em equipe é sempre citada como virtude obrigatória para o sucesso de qualquer profissional, mas quem está habituado a participar de projetos em grupo sabe quanto de retórica vazia existe nessa louvação – e como é difícil conciliar diversas visões e estilos em torno de um objetivo comum nos ambientes empresariais da vida real. "Equipes que realmente funcionam são raridade nas corporações brasileiras", analisa o consultor Idalberto Chiavenato, autor de mais de trinta livros sobre administração e recursos humanos. Boa parte dos problemas deriva da hierarquia tradicionalmente aplicada às equipes, baseada na existência do líder único, o todo-poderoso que distribui tarefas, toma decisões e cobra resultados. Com um protagonista tão óbvio, os demais componentes do grupo dificilmente conseguem escapar do papel de meros coadjuvantes, já que a criatividade e a iniciativa, qualidades tão desejáveis na teoria, são tolhidas em nome do cumprimento de um plano preconcebido. A lista de equívocos cometidos no meio do caminho é vasta – vai da incapacidade de manter a motivação individual até a imposição de objetivos fora da realidade (veja fichário).

"O novo modelo de equipe precisa de gente que consiga trabalhar com grande integração sem abrir mão da autonomia individual", descreve a gerente de treinamento da consultoria Dow Right, Gisela Ferreira. Não é nada fácil mudar comportamentos, mas o consultor americano Jon Katzenbach, autor de dois livros recém-lançados no Brasil sobre o tema (Equipes de Alta Performance, pela Editora Campus, e Desempenho Máximo, pela Negócio), propõe um método chamado "disciplina de equipe" para quem se arrisca a tentar de novo. Segundo esse sistema, o líder formal continua existindo, mas as metas e os critérios para mensurar os resultados e ratificá-los são definidos pelo grupo. A responsabilidade deixa de ser individual e passa a ser compartilhada. Cada decisão é tomada pelo componente reconhecido pelos demais como o mais preparado para aquela situação específica. Levam-se em conta a formação e a experiência no assunto, e não apenas o peso do cargo. "Como os ambientes organizacionais costumam ser baseados em obrigações individuais, as pessoas têm grande dificuldade para absorver a noção de obrigações mútuas", disse Katzenbach em entrevista a VEJA. "Mas quando a empresa chega a esse patamar os resultados são sempre compensadores."

 

Os sete pecados do trabalho em equipe

Montar times vencedores é um desafio em qualquer empresa. Confira os erros mais comuns

Metas superdimensionadas
Objetivos e prazos devem ser realistas, para que o trabalho não se transforme em uma sucessão de derrotas e o desânimo não contamine a equipe

Composição equivocada
Equipes exigem habilidades complementares. Ter profissionais com perfil parecido ajuda pouco e pode até gerar competição entre eles

Liderança ditatorial
Quem comanda uma equipe tem a incumbência principal de tomar decisões, mas isso não significa que as opiniões do grupo devam ser ignoradas

Falta de motivação
O mero cumprimento de tarefas estabelecidas por outros não motiva um profissional. É preciso envolvê-lo com o objetivo do trabalho

Reuniões improdutivas
Quando não há metas claras ou agenda, as reuniões tendem a perder o rumo. Mas o excesso de rigor também leva a resultados frustrantes

Subjetividade na avaliação
Os resultados do trabalho precisam ser medidos de forma clara, com base em uma metodologia e em critérios conhecidos por toda a equipe

Sensação de injustiça
As cobranças devem ser uniformes entre os componentes da equipe. Se alguém trabalha visivelmente menos que os outros, é problema certo à vista

 

 
 
   
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