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Malhação
com mordomia
Montar
uma academia em casa é uma
tentação,
mas sai caro e funciona
apenas para os muito disciplinados
Adriana Negreiros
Fernando Vivas

A empresária
Lia Ferreira, exercitando as pernas em sua academia com vista para
o mar |
Para quem
gosta de malhar, não existe nada melhor que montar uma academia
em casa. Podem-se aproveitar as horas de folga para fazer exercícios,
a chuva e o trânsito não atrapalham a programação
e ainda é possível reunir parentes ou amigos para trocar
idéias durante a ginástica. E nunca é preciso esperar
a vez para ter acesso ao aparelho. Talvez a única coisa mais indicada
que isso seja não ter em casa todos aqueles equipamentos que ocupam
espaço, custam caro e ainda por cima ficam obsoletos em pouco tempo.
No quadro abaixo, os equipamentos básicos para uma academia doméstica
batem em quase 4.000 reais mais que
suficientes para pagar um ano de uma ótima academia, com supervisão
de especialistas e renovação dos aparelhos.
Já
desistiu da idéia? Calma. Fazer ginástica em casa pode ser
uma boa opção para os muito disciplinados, os ocupadíssimos,
os fanáticos por exercícios ou, ao contrário, aqueles
que tremem de constrangimento diante da perspectiva de exibir a barriga
proeminente perto de bíceps esculpidos. Quem detesta jogar dinheiro
fora também pode ser um bom candidato: a consciência culpada
exercerá forte pressão diante de todos aqueles equipamentos
parados. Trabalhar os músculos no recesso do lar certamente custa
mais que freqüentar uma academia. É preciso saber que uma
esteira no quarto não deixa ninguém em forma no máximo,
melhora o condicionamento físico e queima algumas calorias ,
além de haver grande chance de ela virar cabide. Para ficar com
a musculatura definida e não correr o risco de sofrer seqüelas
de exercícios malfeitos é preciso contar com o serviço
de um preparador físico um gasto que aumenta bastante o
preço final da malhação doméstica e
dispor de uma mínima variedade de equipamentos. Não basta
seguir as instruções dos manuais dos aparelhos, mas sim
fazer os exercícios com a freqüência e a carga ideais
para os objetivos que se quer atingir. "O professor de educação
física vai dizer quais são esses exercícios e a hora
certa de mudá-los, além de acompanhar a freqüência
cardíaca", diz o preparador físico Paulo Meyra, que já
teve entre seus clientes a cantora Ivete Sangalo. "Sem acompanhamento
profissional, a malhação pode não ter resultados",
acrescenta. Outro cuidado é adotar critérios na escolha
do treinador. Com a moda do personal trainer, alguns se lançam
no mercado sem preparação para dar aulas. É melhor
procurar um professor por meio de indicações confiáveis.
A academia
doméstica não precisa ocupar uma área grande, mas
é importante que seja arejada e iluminada. "Oito metros quadrados
são suficientes, de preferência com paredes pintadas em cores
vibrantes, para espantar a monotonia", aconselha a decoradora Celeste
Leão. A monotonia, aliás, é uma grande inimiga dos
ginastas caseiros. Uma opção é encontrar alguém
disposto a participar dos exercícios. Às vezes, porém,
nem a presença do preparador físico é estímulo
suficiente. "Já passei dois meses sem olhar para os aparelhos",
diz a empresária Lia Ferreira, que faz ginástica há
quatro anos no próprio apartamento, com a ajuda de um personal
trainer. O atendimento personalizado custa 500 reais por mês
o equivalente a cinco mensalidades de uma academia de médio porte
de Salvador, onde mora. "Pago o preço de quem não tem a
menor paciência de ficar em fila, à espera de um aparelho",
diz Lia, que desfruta ainda a vista deslumbrante de sua academia doméstica,
montada na sacada do apartamento de frente para o mar.
Freqüentar
uma academia pode ser bom exatamente pelo que parece, inicialmente, ser
desvantajoso o excesso de gente. Nesses locais é fácil
fazer amizades e conversar sobre amenidades, atividades que acabam ajudando
a relaxar quem sai estressado do trabalho. Outra vantagem são a
quantidade e a variedade de aparelhos. Até a falta de tempo, desculpa
mais comum de quem foge da malhação, pode ser driblada com
as academias 24 horas existentes nos grandes centros aí,
de novo, entra o poder da disciplina. Algumas oferecem pacotes em que,
além de musculação, o aluno pode fazer aulas de dança,
lutas e natação. "Não vejo razão para alguém
gastar dinheiro com uma academia em casa", diz o professor de educação
física Carlos Pimentel. Ele faz uma ressalva: os idosos que se
sintam deslocados em ambiente tão juvenil devem contratar um preparador
físico para malhar em casa, mas não há necessidade
de aparelhos. "Um par de halteres basta. No lugar da esteira, é
melhor um lugar ao ar livre para caminhar", recomenda. E, melhor ainda,
não custa nada.
Foto divulgação
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