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As superpoderosas
O ranking
das executivas mais
poderosas da Europa mostra um
time de mulheres que venceram
num ambiente hostil

Murilo Ramos
Quando o
ano de 2001 terminou, muitos empresários gostariam de apagá-lo
da memória. A economia andou mal das pernas. Mas justamente em
períodos de crise e estagnação, como o visto, é
que surgem pessoas de formação diferenciada para contornar
problemas, apontar soluções e, assim, sobressair. Algumas
dessas figuras foram destacadas pelo Wall Street Journal, respeitado
diário americano especializado em assuntos econômicos, que
publicou a lista das 25 mulheres de negócios mais poderosas da
Europa no último ano.
Na relação,
houve empate técnico entre duas altas funcionárias que conseguiram
dar ânimo novo a suas empresas. Uma das vencedoras é Sari
Baldauf, a principal executiva da indústria de telefones Nokia.
O desempenho dessa mulher é admirável, pois o setor de telecomunicações
viveu um momento crítico em que os investimentos não tiveram
nem de longe o retorno esperado. Seu grande feito, na verdade, foi ter
evitado um desastre de proporções gigantescas. Ela conseguiu
limitar a redução das vendas a apenas 2%, e as demissões,
a 1.000 funcionários, enquanto os concorrentes apresentaram estatísticas
bem mais severas para o balanço das empresas e para os trabalhadores.
Na Nokia e no mercado, Sari, que fala cinco línguas, ficou famosa
por seu aguçado faro para ajustes certeiros. Não há
excesso nos elogios feitos a ela. Trabalhando na companhia finlandesa
há quase duas décadas, seus conselhos estimularam, entre
outras empreitadas, a conquista do mercado chinês com o acerto de
contratos com as principais operadoras daquele país.
A outra
campeã de 2001 é a americana Rose Marie Bravo, executiva
da Burberry, a tradicionalíssima grife inglesa de roupas. Desde
1997 à frente da empresa, colocou de cabeça para baixo a
tradicional marca, que nos últimos tempos não vinha obtendo
bons resultados. Convenceu-se de que o conservadorismo britânico
exacerbado não era bom para os negócios. Em vez de se contentar
em vender casacos de lã aos fregueses mais fiéis, resolveu
diversificar. Agradou em cheio e conquistou uma clientela mais jovem.
Rose está globalizando a Burberry. Para remodelar os produtos,
contratou um designer italiano e vem se aproximando do ávido mercado
asiático e dos turistas de todos os cantos que visitam a capital
inglesa. Resultado: no primeiro semestre do ano passado aumentou as vendas
em incríveis 28%.
Abaixo de
Sari e Rose no ranking aparece uma terceira colocada que poderia, por
seus méritos, ter ficado em primeiro ou segundo lugar. É
a espanhola María Marced, vice-presidente da Intel para a Europa,
o Oriente Médio e a África. Marced se formou em engenharia
em uma universidade cercada de homens por todos os lados. É uma
grande vendedora. Quando os negócios com processadores começaram
a declinar, os lucros na área controlada por Marced exibiram resultados
melhores que os de outras regiões. Seu grande desafio agora é
colocar em cada sala de aula da Europa um computador com processadores
da Intel.
Certamente
há várias características comuns a essas mulheres
de sucesso. Entre elas estão a persistência e a vontade de
apostar. A quarta colocada, a francesa Agnès Touraine, possui lábia
de vendedor de enciclopédia. Antes de ser presidente da Vivendi
Universal da França, editora de livros, convenceu os acionistas
a adquirir outras empresas. Hoje é reconhecida como a mais poderosa
mulher de imprensa na Europa. Já a quinta colocada, a francesa
Christine Lagarde, diz que seu segredo de sucesso profissional não
poderia ser mais simples: conta com o apoio do marido para criar o casal
de filhos adolescentes. A ajuda parece contribuir para Lagarde se concentrar
no trabalho no escritório de advocacia Baker & McKenzie, o
qual preside. Ela tem conseguido espalhar sucursais pelo mundo e aumentar
o faturamento da empresa.
O domínio
das mulheres no topo da pirâmide empresarial na Europa não
reflete a situação um pouco abaixo. Embora as mulheres crescentemente
ocupem cargos de chefia, o número das que chegaram lá ainda
não é expressivo. Na Europa, nos Estados Unidos e até
mesmo no Brasil, não ocupam mais que 7% das funções
de chefia. Além disso, os salários pagos às européias
são em média 25% menores que os dos homens com o mesmo cargo.
Mas o curioso mesmo no ranking divulgado pelo Wall Street Journal
é que o país mais rico do continente, a Alemanha, não
tem nenhuma representante. "Mulheres que estão esperando o príncipe
encantado não investem na carreira", diz Bernhard Meyer, empresário
das finanças, reconhecendo o domínio masculino em terras
germânicas. "Talvez seja a hora de uma mulher com espírito
inovador seguir o exemplo dos países vizinhos e impor seu estilo."
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