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Edição 1 742 - 13 de março de 2002
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As superpoderosas

O ranking das executivas mais
poderosas da Europa mostra um
time de mulheres que venceram
num ambiente hostil

Murilo Ramos

Quando o ano de 2001 terminou, muitos empresários gostariam de apagá-lo da memória. A economia andou mal das pernas. Mas justamente em períodos de crise e estagnação, como o visto, é que surgem pessoas de formação diferenciada para contornar problemas, apontar soluções e, assim, sobressair. Algumas dessas figuras foram destacadas pelo Wall Street Journal, respeitado diário americano especializado em assuntos econômicos, que publicou a lista das 25 mulheres de negócios mais poderosas da Europa no último ano.

Na relação, houve empate técnico entre duas altas funcionárias que conseguiram dar ânimo novo a suas empresas. Uma das vencedoras é Sari Baldauf, a principal executiva da indústria de telefones Nokia. O desempenho dessa mulher é admirável, pois o setor de telecomunicações viveu um momento crítico em que os investimentos não tiveram nem de longe o retorno esperado. Seu grande feito, na verdade, foi ter evitado um desastre de proporções gigantescas. Ela conseguiu limitar a redução das vendas a apenas 2%, e as demissões, a 1.000 funcionários, enquanto os concorrentes apresentaram estatísticas bem mais severas para o balanço das empresas e para os trabalhadores. Na Nokia e no mercado, Sari, que fala cinco línguas, ficou famosa por seu aguçado faro para ajustes certeiros. Não há excesso nos elogios feitos a ela. Trabalhando na companhia finlandesa há quase duas décadas, seus conselhos estimularam, entre outras empreitadas, a conquista do mercado chinês com o acerto de contratos com as principais operadoras daquele país.

A outra campeã de 2001 é a americana Rose Marie Bravo, executiva da Burberry, a tradicionalíssima grife inglesa de roupas. Desde 1997 à frente da empresa, colocou de cabeça para baixo a tradicional marca, que nos últimos tempos não vinha obtendo bons resultados. Convenceu-se de que o conservadorismo britânico exacerbado não era bom para os negócios. Em vez de se contentar em vender casacos de lã aos fregueses mais fiéis, resolveu diversificar. Agradou em cheio e conquistou uma clientela mais jovem. Rose está globalizando a Burberry. Para remodelar os produtos, contratou um designer italiano e vem se aproximando do ávido mercado asiático e dos turistas de todos os cantos que visitam a capital inglesa. Resultado: no primeiro semestre do ano passado aumentou as vendas em incríveis 28%.

Abaixo de Sari e Rose no ranking aparece uma terceira colocada que poderia, por seus méritos, ter ficado em primeiro ou segundo lugar. É a espanhola María Marced, vice-presidente da Intel para a Europa, o Oriente Médio e a África. Marced se formou em engenharia em uma universidade cercada de homens por todos os lados. É uma grande vendedora. Quando os negócios com processadores começaram a declinar, os lucros na área controlada por Marced exibiram resultados melhores que os de outras regiões. Seu grande desafio agora é colocar em cada sala de aula da Europa um computador com processadores da Intel.

Certamente há várias características comuns a essas mulheres de sucesso. Entre elas estão a persistência e a vontade de apostar. A quarta colocada, a francesa Agnès Touraine, possui lábia de vendedor de enciclopédia. Antes de ser presidente da Vivendi Universal da França, editora de livros, convenceu os acionistas a adquirir outras empresas. Hoje é reconhecida como a mais poderosa mulher de imprensa na Europa. Já a quinta colocada, a francesa Christine Lagarde, diz que seu segredo de sucesso profissional não poderia ser mais simples: conta com o apoio do marido para criar o casal de filhos adolescentes. A ajuda parece contribuir para Lagarde se concentrar no trabalho no escritório de advocacia Baker & McKenzie, o qual preside. Ela tem conseguido espalhar sucursais pelo mundo e aumentar o faturamento da empresa.

O domínio das mulheres no topo da pirâmide empresarial na Europa não reflete a situação um pouco abaixo. Embora as mulheres crescentemente ocupem cargos de chefia, o número das que chegaram lá ainda não é expressivo. Na Europa, nos Estados Unidos e até mesmo no Brasil, não ocupam mais que 7% das funções de chefia. Além disso, os salários pagos às européias são em média 25% menores que os dos homens com o mesmo cargo. Mas o curioso mesmo no ranking divulgado pelo Wall Street Journal é que o país mais rico do continente, a Alemanha, não tem nenhuma representante. "Mulheres que estão esperando o príncipe encantado não investem na carreira", diz Bernhard Meyer, empresário das finanças, reconhecendo o domínio masculino em terras germânicas. "Talvez seja a hora de uma mulher com espírito inovador seguir o exemplo dos países vizinhos e impor seu estilo."

 
 
   
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