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VEJA Recomenda TELEVISÃO Damages (Terças, às 21h, no AXN) Na primeira cena de Damages, uma mulher seminua e ensangüentada sai em desespero pelas ruas de Nova York. Aos poucos, descobre-se quem é a infeliz: uma jovem no meio do fogo cruzado entre sua chefe, a brilhante advogada Patricia Hewes (Glenn Close), e o bilionário corrupto Arthur Frobisher (Ted Danson). O que nunca fica claro nessa série é quem está do lado do bem ou do mal: a cada reviravolta na história (que tem entre seus criadores Todd A. Kessler, também de Família Soprano), mais se revela que ninguém ali é santo. Calcada na ambigüidade, Damages é o maior sopro de renovação nos suspenses de tribunal da TV desde o surgimento de Law and Order, nos anos 90. E, com a abjeta Patricia, Glenn Close acrescenta mais um tipo impagável a seu currículo de personagens perversas.
DISCO
Revival, John Fogerty (Universal) O americano John Fogerty despontou nos anos 60, à frente do Creedence Clearwater Revival. Em 35 anos de carreira-solo, o cantor e guitarrista manteve-se fiel ao estilo que consagrou sua banda. É o que se costuma chamar de "swamp rock" (ou "rock do pântano"), uma amálgama de rock e ritmos tradicionais do sul dos Estados Unidos, como a cajun music e o zydeco. As doze canções de Revival não fogem à receita. Temperado pela guitarra distorcida e pelo vozeirão anasalado de Fogerty, o CD vai das baladas à música country. Em Long Dark Night, o cantor critica o presidente americano George W. Bush. Em Creedence Song, afirma sem falsa modéstia que não há trilha melhor para conquistar garotas que as músicas de seu antigo conjunto.
LIVROS
Ortodoxia, de G.K. Chesterton (tradução de Almiro Pisetta; Mundo Cristão; 264 páginas; 19,90 reais) Escritor prolífero, o inglês G.K. Chesterton (1874-1936) entrou para a história da literatura policial com os contos do padre Brown, divertido dublê de detetive e sacerdote. Também foi um vigoroso polemista, sempre em defesa de sua fé cristã. Publicado em 1909, Ortodoxia é a melhor síntese de seu pensamento sobre a religião. Chesterton exulta com a alegria que dizia encontrar na fé e, com irreverência, critica adversários do cristianismo, como o conterrâneo H.G. Wells ("Muitos romancistas representaram a Terra como sendo perversa. Mas o sr. Wells e sua escola tornaram perversos os céus") e o filósofo alemão Friedrich Nietzsche ("Ele sabia escarnecer, embora não soubesse rir").
CINEMA A Morte de George W. Bush (Death of a President, Inglaterra, 2006. Estréia nesta sexta no país) Esse falso documentário bancado pela TV inglesa é bem mais sóbrio do que seu título apelativo sugere: o que ele faz é imaginar a investigação que se seguiria a um atentado fatal contra o presidente. No entrecho montado pelo diretor Gabriel Range, Bush é ferido durante um protesto popular, em Chicago, em 2007. Entre os detidos estão um ex-combatente no Iraque e um imigrante de origem síria que tem no passaporte um carimbo do Paquistão o qual emerge como o principal suspeito. O objetivo não é vituperar contra Bush (apresentado sob uma luz respeitosa por seus "assessores"), mas sim discutir o uso do "perfil racial" na caça a terroristas e ventilar a insatisfação que a guerra provoca entre parte dos americanos. Veja cenas.
DVD A Estrela Imaginária (La Stella che Non CÈ, Itália/França/Cingapura, 2006. Swen) O excelente Sergio Castellitto é aqui Vincenzo Buonavolontà, engenheiro que percorre obstinadamente o caminho de um alto-forno vendido por sua fundição à China: o equipamento é antigo e tem um defeito, e Vincenzo teme que ele possa causar um acidente. Ou talvez ele esteja à procura de algum sentido para sua vida, já que não tem mulher, filhos, amigos e, agora, também não tem mais emprego. Acompanhado por Liu (a discreta e muito eloqüente Tai Ling), sua jovem intérprete, ele vai se embrenhando pela China, rumo a localidades remotas e inacessíveis. O tema do diretor Gianni Amelio, de As Chaves de Casa, é um clássico: a viagem ao desconhecido como uma jornada interior. |
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