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Televisão A Globo faz mais uma
tentativa de renovar
Com estréia no dia 18, Beleza Pura, a próxima novela das 7 da Globo, será escrita por uma ilustre desconhecida, a carioca Andrea Maltarolli. Integrante da equipe de criadores de Malhação e ex-colaboradora do humorístico Zorra Total, Andrea está debutando nas novelas. É, portanto, uma aposta. Ao lançar mão de uma novata, a Globo dá um passo no longo caminho para debelar uma crise séria: a falta de renovação dos noveleiros. Não se contam mais que seis profissionais em seu primeiro time (aquele dos autores de novela das 8). São eles Aguinaldo Silva, Glória Perez, Silvio de Abreu, Gilberto Braga, Manoel Carlos e Benedito Ruy Barbosa. Há ainda um pelotão intermediário mas, ainda assim, composto de apenas sete nomes (como Walcyr Carrasco, autor da atual trama das 7). Pouca gente, se se pretende manter vibrante um gênero que depende de idéias novas e que já não conta com um público cativo tão grande quanto outrora. "É preciso encontrar talentos. A Globo agora está consciente do problema", diz Gilberto Braga, expoente da velha-guarda. Quem realmente determina o sucesso de uma novela são os autores. De pouco vale um elenco de estrelas se o texto não prender a atenção. O primeiro time de hoje faz parte de uma geração que se formou junto com a TV. Quase todos foram assistentes dos gigantes do gênero, Janete Clair e Dias Gomes. A maioria já passou dos 60 anos e está no ofício há mais de três décadas. A troca de guarda está atrasada. A Globo chegou a manter uma oficina de autores da qual surgiram, entre outros, a própria Andrea Maltarolli. Nos últimos anos, o curso tornou-se esporádico, como se a formação não fosse prioridade. A emissora preferiu apostar no certo a arriscar-se com novatos. Entre os poucos que ascenderam em seus quadros está João Emanuel Carneiro. Roteirista do filme Central do Brasil, ele chegou à Globo ao ter uma sinopse selecionada pelo veterano Silvio de Abreu. O sucesso de sua novela de estréia, Da Cor do Pecado, o credenciou ao time dos autores do horário nobre. Num feito raro para um iniciante, foi-lhe confiada a tarefa de escrever a próxima novela das 8. Trata-se, contudo, de uma trajetória isolada. As dificuldades da Globo em realizar a troca de guarda ficaram explícitas no caso de Tiago Santiago, nome que foi relegado à posição de assistente por anos na rede carioca, até ter seu passe comprado pela Record. Só na concorrente, que ainda engatinha em sua teledramaturgia, teve espaço para levar ao ar um projeto como Caminhos do Coração. A atual novela das 10 da emissora é bizarra mas suas pirotecnias têm permitido à Record não raro bater a Globo no horário. Escrever um folhetim é tarefa de grande complexidade. Nas últimas décadas, as novelas foram espichadas e ganharam mais personagens. Em A Sucessora (1978), de Manoel Carlos, apenas dezoito deles apareceram em 120 capítulos de 25 minutos. Hoje, as produções têm, em média, 200 capítulos de cinqüenta minutos e ao menos três vezes mais personagens. Para o especialista Mauro Alencar, isso dificulta o surgimento de novos talentos. Mas, além de escrever, é preciso gerenciar uma equipe de colaboradores e ter visão de diretor e produtor. Não por acaso, o salário de um noveleiro consagrado não é inferior a 3 milhões de reais anuais. Não são raros os ataques de estrelismo. Recentemente, Aguinaldo Silva ameaçou deixar Duas Caras no meio do caminho. Para alívio da emissora, acabou desistindo. "Chega de bancar o garoto mimado", admitiu em seu blog. Injetar sangue novo no universo das novelas se torna ainda mais urgente quando se leva em conta a crise geral de audiência por que passa a televisão. A concorrência da internet e da TV a cabo, somada a uma ainda não muito clara mudança de hábitos dos espectadores, provocou uma queda generalizada nos índices de ibope. Quanto aos folhetins do horário nobre, se até os anos 80 era comum baterem na casa dos 60 pontos, hoje 45 pontos de audiência são comemorados como façanha. Eles ainda são pilares da programação mas é preciso correr alguns riscos para que não sejam mais corroídos. "Há um cansaço generalizado, de quem faz e de quem assiste", diz o autor Manoel Carlos. Foi correndo riscos que a teledramaturgia superou uma crise semelhante na virada dos anos 60 para a década de 70. Naquela ocasião, os dramalhões lacrimogêneos deram lugar a folhetins que fizeram história, como Beto Rockfeller e O Bem-Amado.
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