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13 de fevereiro de 2008
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Economia
O francês rodou

Justiça manda prender o corretor golpista

Martin Bureau/Reuters
Jérôme Kerviel, o fraudador mais famoso do planeta: "Não serei bode expiatório"

Ele posou de vítima do sistema capitalista, afirmou que não seria o bode expiatório no caso do rombo bilionário perpetrado contra uma das casas financeiras mais tradicionais da França e até ganhou a simpatia de parcela da opinião pública francesa. Mas a estratégia de defesa de Jérôme Kerviel foi insuficiente para mantê-lo fora das grades. Autor do rombo de 7 bilhões de dólares no banco francês Société Générale, Kerviel foi preso na sexta-feira passada, acusado de falsificação de documentos e crime financeiro, entre outros delitos. A detenção ocorreu horas depois de vir a público que outro operador também pode estar envolvido na fraude bilionária. O novo suspeito com quem Kerviel se comunicara secretamente chama-se Moussa Bakir. Ele é corretor da Fimat, uma subsidiária do Société Générale, que ganhou novo sócio em janeiro e passou a se chamar Newedge. A atuação de Bakir, de 32 anos, foi revelada após a descoberta da troca de e-mails entre os dois funcionários. O conteúdo da comunicação eletrônica foi mantido em sigilo até que todas as operações de Bakir na então Fimat fossem rastreadas. Se confirmada, a participação de um segundo golpista deixaria o banco em lençóis ainda piores. Até aqui, o Société Générale vinha dizendo que se tratava da atuação de um corretor isolado que conseguira driblar os sistemas de segurança por meio de expedientes extraordinários. A existência de um segundo golpista indicaria problemas muito mais sérios no sistema de segurança e nos critérios de contratação de corretores. Uma pessoa próxima às investigações afirmou que os e-mails são bastante explícitos. Em uma mensagem de novembro, Bakir teria recomendado a Kerviel que não se preocupasse porque nada de ilegal teria sido feito. As suspeitas ficaram mais fortes porque várias das transações irregulares de Kerviel envolviam justamente a Fimat.

A indagação que mais desafia as autoridades é como Kerviel (e talvez Bakir) conseguiu burlar o sistema de segurança do banco e fazer operações que totalizavam 50 bilhões de euros – soma superior ao valor de mercado do banco e muito além dos 180 milhões de euros que deveriam ser, em tese, o limite de transações do corretor. Investigações preliminares apontam para falhas grosseiras no controle interno do Société Générale. No começo da semana, em sua primeira entrevista após o escândalo, Kerviel afirmou que não arcaria com toda a culpa do rombo. "Eu assumo a minha parte de responsabilidade no episódio, mas não serei o bode expiatório", disse à agência France-Presse. Há dúvidas não só sobre a existência de cúmplices como também da conivência de seus superiores. Pela legislação francesa, Kerviel poderá passar mais de três anos na cadeia. Mas para o Société Générale, banco que se vangloriava de ser um dos mais inovadores no mercado de derivativos, ramo complexo das finanças, o escândalo pode equivaler a uma sentença de morte – o banco corre o risco de ser vendido.

 




 

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