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13 de fevereiro de 2008
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Internacional
"Beijei o bebê e depois o soltei"

Para ser salva de um incêndio na Alemanha,
criança é jogada do 3º andar – e sobrevive

Rene Werse/AFP
Onur, o bebê de 11 meses, jogado por seu tio (de camiseta branca): um policial o pegou no ar

A cidade de Ludwigshafen, na Alemanha, teve no domingo de Carnaval o seu pior incêndio desde o fim da II Guerra, em 1945. Nove pessoas morreram e sessenta precisaram ser hospitalizadas quando o fogo consumiu uma casa de quatro andares onde moravam três famílias de imigrantes turcos. Os bombeiros, que se encontravam a poucas quadras dali, acompanhando um desfile carnavalesco, levaram apenas três minutos para chegar. Mas o fogo se alastrou tão rápido que, nesse lapso de tempo, os moradores tiveram de tomar atitudes desesperadas. A mais dramática decisão foi tomada por Kamil Kaplan para salvar seu sobrinho, Onur, de apenas 11 meses. Da janela do 3º andar do prédio, Kaplan olhou para a calçada, 13 metros abaixo, e percebeu a intenção de um policial, que tinha esticado a jaqueta entre os braços para acolher o bebê. "Olhei nos olhos do policial e achei que dava", contou Kaplan. "Beijei Onur uma última vez e depois o soltei." Deu certo. O bebê foi salvo ileso. O policial saiu com algumas escoriações por causa do impacto da criança, cujo peso final, devido à aceleração da queda, equivalia ao de um objeto de 24 quilos. Kaplan foi resgatado mais tarde pelos bombeiros. Uma outra criança também foi jogada do prédio e sobreviveu, mas só o drama do pequeno Onur pôde ser flagrado em pleno ar por um fotógrafo esportivo que passava pelo local.

A chance de sobrevivência numa queda do 4º andar é de 50%, de acordo com uma estatística americana. Onur, que caiu do 3º andar, deve a vida, em boa parte, à trajetória de sua queda, que o levou das mãos do tio às mãos do policial. Um desvio ou erro de cálculo e ele teria ido parar na calçada, com risco de perder a vida ou de se machucar seriamente. Várias outras pessoas se jogaram pelas janelas do prédio em chamas e uma delas, uma mulher, morreu no hospital. Os demais mortos, três mulheres e cinco crianças, foram sufocados pela fumaça. Algumas pessoas suspeitam que o incêndio possa ter sido provocado por neonazistas, visto que o prédio era habitado por imigrantes. O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, até lembrou um incêndio criminoso que matou cinco imigrantes na cidade de Solingen, em 1993. A maioria das pessoas, contudo, viu no episódio aquilo que ele tem de comprovado: um salvamento milagroso e um policial heróico.

 




 

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