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E volta
a sanfona
Bruno
& Marrone adotam um estilo
despojado e entram para o primeiro
time dos sertanejos
Sérgio
Martins
Celia Saito
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| Os
goianos Bruno e Marrone: 2,5 milhões de discos vendidos no
ano passado |

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Tem gente
nova no panteão sertanejo. É a dupla Bruno & Marrone
nomes artísticos dos goianos Vinícius Félix
de Miranda, de 32 anos, e José Roberto Ferreira, de 35. No ano
passado, eles puseram fim à hegemonia mantida por meia década
pela santíssima trindade cabocla, formada pelo cantor Leonardo
e pelas duplas Zezé Di Camargo & Luciano e Chitãozinho
& Xororó. Juntos, esses artistas não conseguiram vender
tantos discos quanto Bruno & Marrone em 2001: 2,5 milhões de
cópias dos CDs Acústico e Acústico ao Vivo.
Também nas rádios os dois tiveram um desempenho impressionante.
Emplacaram os hits Amor de Carnaval, Programa de Fim de Semana e,
principalmente, Dormi na Praça, que fala de um rapaz
de coração puro que adormece num jardim enquanto pensa na
amada e é acordado por um vigia cruel. A canção já
ganhou versões variadas. Há uma releitura pagodeira, feita
pelo cantor Salgadinho, uma em ritmo de forró, pelo maranhense
Lairton dos Teclados, e diversas no balanço do axé, que
os trios elétricos baianos prometem executar à exaustão
durante o Carnaval.
A dupla
vem de família pobre. Bruno decidiu tentar a sorte nos palcos quando
o negócio do pai, que era dono de uma farmácia, faliu. Marrone
trabalhou como bóia-fria, mas diz que o desejo de tocar o acompanha
desde os 6 anos, quando ganhou uma sanfona numa rifa. Os dois se juntaram
em 1985 e começaram a tocar em bares, circos e, digamos, "casas
de má fama". Algumas músicas com que entretinham o público
nessa época, como a guarânia Boate Azul, ainda são
parte de seu repertório. Depois de dez anos na estrada, eles foram
contratados pela gravadora Continental. Fizeram quatro discos, mas nada
de o sucesso chegar. "Na hora da divulgação, a prioridade
deles era o Daniel", lamentam. No início de 1999 a dupla mudou
para a Abril Music. Foi quando as coisas começaram a esquentar.
Bruno &
Marrone adotaram um estilo despojado. Deixaram de lado os arranjos rococós,
com toneladas de cordas e teclados, que se tornaram obrigatórios
no gênero. "O público está cansado disso", dizem.
Seu som é calcado nos violões e na sanfona, enquanto os
músicos de sua banda se orgulham de ter influências do iê-iê-iê
são algo assim como "sertanejos de garagem". Um mérito
de Bruno & Marrone é ter abandonado aquela horrenda mania caipira
de cantar com vibrato. Em março, eles entram em estúdio
para gravar mais um CD. O disco trará composições
próprias e haja açúcar regravações
de sucessos românticos do mexicano Luis Miguel e do canadense Bryan
Adams. O lançamento, contudo, será apenas no segundo semestre.
A dupla está fazendo 28 shows por mês, por um cachê
que gira em torno dos 70.000 reais. E até
agosto a agenda está lotada.
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