Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 738 - 13 de fevereiro de 2002
Geral Especial
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Internacional
Geral
 

Novo método para detectar a psicopatia na prisão
Amazônia: Boatos de avanço estrangeiro sobre a floresta
A prisão do pistoleiro acusado de matar mais de 100
A perigosa e valiosa caça ao grude, no litoral norte

Consultora indica as tendências da moda
Rodrigo Santoro
A moda dos modernos
Padre confessa que é gay e sofre punição
A dengue se alastra
Os casamentos consangüíneos no Nordeste
O Brasil finalmente está bem no ranking da preservação
A idade sexual

Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
VEJA on-line
Arc
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 
Acesso rápido
Capas de VEJA
2000 | 2001 | 2002

As idades do sexo

A era pós-Viagra reserva novos tratamentos para atrasar o
relógio biológico de homens e mulheres
e melhorar o desempenho sexual

Gabriela Carelli


Leia também
O sexo começa cedo e com ousadia
Saiba qual sua idade sexual
Confira mais uma série de resultados da pesquisa "Avaliação das Ações de Prevenção às DST/Aids e Uso Indevido de drogas nas Escolas de Ensino Fundamental e Médio em Capitais Brasileiras", realizada pela Unesco e pelo Ministério da Saúde.

A idéia de que as pessoas têm uma idade biológica diferente da que registra a carteira de identidade fez do médico americano Michael Roizen, da Universidade de Chicago, uma celebridade. Roizen montou um teste exaustivo que permite às pessoas saber se poderiam ser mais jovens do que realmente são. Mais que isso, ele ensinou como atrasar a passagem do tempo biológico adotando uma dieta e estilo de vida saudáveis. Agora, parte dos ensinamentos do médico de Chicago está sendo adaptada por outros especialistas para manter e prolongar a saúde sexual de mulheres e homens. A medicina, os laboratórios e os terapeutas estão produzindo soluções para as mais resistentes disfunções sexuais, ajudando a prevenir outras e a manter por décadas um desempenho satisfatório. "Estamos vivendo a revolução pós-Viagra, com avanços notáveis para homens e mulheres", diz o médico João Toniolo Neto, professor da Universidade Federal de São Paulo.

O Viagra, a pílula que alivia oito em cada dez casos de impotência masculina, abriu realmente mais uma fronteira na medicina. Resolvida a questão básica da irrigação sanguínea peniana com o Viagra e os remédios semelhantes que se seguiram a ele, como o Uprima, o foco de atuação dos especialistas agora recaiu sobre questões que indiretamente afetam o desempenho sexual masculino. As mulheres também se beneficiaram de descobertas recentes e da aplicação mais ampla de outros princípios de saúde sexual que andavam esquecidos. A nova revolução tem dois pilares, o restabelecimento da normalidade hormonal e o estímulo da disposição sexual. "As soluções para manter a libido por mais tempo constituem hoje o foco dos especialistas em sexo, e os resultados são animadores", diz Toniolo. A frente de batalha mais promissora é na área hormonal. Há décadas os cientistas sabem que os hormônios, substâncias reguladoras de quase todas as funções corporais, são produzidos em quantidades decrescentes ao longo da vida. Essa queda se dá a partir dos 35 anos. Os homens começam a perder o estoque de testosterona, o hormônio predominante no organismo masculino. Nas mulheres, vai secando progressivamente o estrógeno, que tem queda brusca na menopausa.

A ação mais positiva da medicina nos anos 90 foi repor esses hormônios na esperança de restaurar a saúde e evitar as doenças associadas à falta daquelas substâncias – entre elas quase todas as disfunções sexuais, como impotência e ausência de desejo. A novidade agora é um refinamento da técnica de reposição hormonal. Em vez de simplesmente repor as substâncias que faltam, o que se mostrou um método simplista e carregado de efeitos colaterais, os médicos adotaram técnicas para estimular a produção natural dos hormônios. "As pessoas podem rejuvenescer sexualmente em alguns anos com o restabelecimento do equilíbrio hormonal", diz o médico americano Irwin Goldstein, da Faculdade de Medicina da Universidade de Boston. Goldstein é um dos autores do teste que permite avaliar a idade sexual de homens e mulheres publicado com esta reportagem. (O teste pode ser feito aqui no site, com a vantagem de obter os resultados automaticamente, sem a necessidade de fazer contas.)

"A estratégia agora não é mais dar o peixe, mas ensinar a pescar", diz Geraldo Medeiros, professor de endocrinologia da Universidade de São Paulo (USP) e um dos pioneiros da reposição hormonal no Brasil. Há diversas maneiras de estimular a produção natural de hormônios com reflexos positivos no desempenho sexual. Mas isso não é tudo. "É preciso querer ter boa saúde sexual, o que é bem mais complexo do que parece", afirma Goldstein. Em sua clínica, ele precede todos os tratamentos com terapias que tentam descobrir eventuais entraves psicológicos dos pacientes. Mesmo para esses bloqueios emocionais existem hoje remédios que podem removê-los ou preparar a pessoa para obter ainda mais benefícios da psicoterapia. Boa parte das disfunções sexuais na idade adulta é causada por stress, ansiedade e depressão. Até bem pouco tempo atrás, para desânimo dos sexólogos, as mesmas drogas que aliviavam a ansiedade eram depressoras da libido. "Temos agora uma família de drogas ansiolíticas e antidepressivas que não prejudicam o desejo sexual", diz o médico Toniolo.

Claudio Rossi
O médico Eduardo Monteiro malha na academia: pré-hormônio e namorada dezoito anos mais nova

Foram o stress e a ansiedade que atrapalharam a vida sexual do casal paulista Laner Pierro, de 52 anos, e Marilia Amaral, 48. Juntos há dezesseis anos, tinham entrado naquela fase menos aquecida do relacionamento. As crises de stress e ansiedade de Pierro minaram seu potencial sexual. Ele passou a ter ejaculação precoce. Os médicos receitaram ao casal doses de antidepressivos mais modernos. "Os resultados não podiam ser melhores", diz Pierro. O primeiro passo, como lembra Goldstein, é manifestar abertamente a insatisfação e buscar ajuda. "Procuro qualidade de vida e com isso preservar uma boa forma física e sexual", observa a dona-de-casa Edna Nogueira dos Santos, 56 anos, que há seis começou a fazer tratamento hormonal para aliviar os sintomas da menopausa.

Os médicos calculam que mais de 30% das brasileiras de classe média e alta que estão na menopausa se valem dessa técnica (o tratamento chega a custar 3.000 reais por ano). O objetivo é prolongar a saúde e o vigor sexual. A reposição diminui em 70% os riscos de fraturas ósseas, decorrentes da osteoporose. Quem se decide por esse caminho precisa de acompanhamento médico, pois os remédios aumentam a probabilidade de câncer de mama em quem tem histórico familiar da doença. Além dos hormônios tipicamente femininos, como estrógeno e progesterona, as terapias mais modernas para mulheres incorporaram nas doses também o hormônio masculino por excelência, a testosterona. A idéia é repor a pequena parcela de testosterona natural fabricada pelo organismo feminino. "A soma dos dois, o estrógeno e a testosterona, melhora muito o desempenho sexual e a libido", diz o endocrinologista Medeiros. "As mulheres hoje associam diretamente a saúde ao bem-estar sexual", afirma a médica francesa Marie-Aline Limouzin-Lamothe, que acaba de divulgar os resultados de ampla pesquisa com mulheres européias sobre os benefícios e riscos dos tratamentos hormonais.

Na linha terapêutica de ajudar o corpo a produzir a substância que a idade rouba, existem alternativas que podem ser tentadas mesmo sem orientação médica direta. A mais popular delas são as cápsulas de dehidroepiandrosterona (Dhea), que teoricamente estimularia a produção de testosterona. Ainda sem comprovação científica cabal dessa propriedade, a Dhea tornou-se a cápsula sem receita mais vendida nos Estados Unidos. O cardiologista brasileiro Eduardo Monteiro, de 53 anos, receitou-se cápsulas diárias de Dhea quando começou a sentir os efeitos da idade. Pai de um filho de 32 anos, Monteiro tem uma namorada de 25 e se exercita com pesos quatro vezes por semana numa academia. "Tomo Dhea de forma preventiva e vem funcionando muito bem", conta o médico. A prevenção retarda o relógio do envelhecimento sexual. Os médicos descobriram isso de maneira empírica ao tratar jovens com disfunções sexuais. Uma pesquisa feita entre adultos brasileiros encontrou uma proporção grande de homens em torno de 25 anos com queixas de falta de orgasmo. Levantamentos semelhantes feitos nos Estados Unidos nos anos 90 ajudaram a entender os fatores que mais afetam diretamente a saúde sexual mesmo quando o corpo parece estar em plena forma. O hábito de fumar, a má alimentação, o excesso de álcool e a falta de sono atingem em especial duas áreas muito sensíveis, o cérebro e a função sexual – igualmente de homens e mulheres. O melhor ainda está por vir: parar de fumar, adotar hábitos saudáveis de vida, como caminhadas e dietas de baixas calorias, não apenas acerta o relógio biológico. Ajuda a atrasá-lo. "Em alguns casos, o ganho na idade sexual é de um punhado de anos", diz o médico Irwin Goldstein. "Mesmo quando o benefício geral para o organismo não é tão sensível."

 

As armas do homem

REPOSIÇÃO HORMONAL

Desde 1999 firmou-se como forma de combater a perda de testosterona. Há médicos que indicam o tratamento a partir de 45 anos, quando alguns homens apresentam queda no índice do hormônio. Não é recomendado a pacientes com histórico familiar de câncer precoce (até 50 anos) na próstata.

ANTIDEPRESSIVOS

As drogas usadas para combater a ejaculação precoce provocada por ansiedade e stress tinham entre seus efeitos colaterais a impotência. Uma nova geração de medicamentos, como Wellbutrin, age em dois neurotransmissores diferentes e não compromete o desempenho sexual. Pode provocar hipertensão em alguns pacientes.

DROGAS PARA IMPOTÊNCIA


Viagra: o Brasil é o maior consumidor do mundo

O Viagra revolucionou o combate à dificuldade de obter ereção. No ano passado, foi lançado um novo medicamento, o Uprima, e ainda neste ano devem chegar às farmácias outros dois, Cialis e Nuviva. Cuidados: o Viagra não pode ser usado por homens que tomam remédio para problemas cardiovasculares.

 

As armas da mulher

REPOSIÇÃO HORMONAL

A novidade é a adição do hormônio masculino testosterona à reposição de estrógeno. Os médicos prescrevem a combinação para recuperar mais eficientemente o desejo feminino. Cuidados: pacientes com risco familiar de câncer devem ter acompanhamento médico. A alternativa aos hormônios sintéticos é a isoflavona, feita à base de soja, que não tem efeitos colaterais.

ANTIDEPRESSIVOS

Além de reduzir a ansiedade e a depressão, os novos medicamentos estão ligados a substâncias que influenciam a libido. Drogas como o Wellbutrin induzem a produção no cérebro de dopamina e noradrenalina, duas dessas substâncias. Cuidados: ele pode provocar hipertensão, alergia e insônia em alguns pacientes.

NOVOS ANTICONCEPCIONAIS

Os anticoncepcionais antigos apresentam uma combinação de estrógeno e progesterona. Os de nova geração, como o Implanon (um bastonete subcutâneo), e algumas versões injetáveis contêm também o hormônio masculino testosterona, o que aumenta o desejo. Cuidados: em alguns casos raros, provoca aumento de pêlo no corpo.

Fontes: João Toniolo Neto/Unifesp, Antonio Nisida/HC-USP, Geraldo Medeiros (USP)


Com reportagem de Juliana Saboia, Rosana Zakabi e Natasha Madov

 

   
 





   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS