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As idades
do sexo
A
era pós-Viagra reserva novos tratamentos para atrasar o
relógio biológico de homens e mulheres
e melhorar o desempenho sexual
Gabriela
Carelli

Leia também |
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A idéia
de que as pessoas têm uma idade biológica diferente da que
registra a carteira de identidade fez do médico americano Michael
Roizen, da Universidade de Chicago, uma celebridade. Roizen montou um
teste exaustivo que permite às pessoas saber se poderiam ser mais
jovens do que realmente são. Mais que isso, ele ensinou como atrasar
a passagem do tempo biológico adotando uma dieta e estilo de vida
saudáveis. Agora, parte dos ensinamentos do médico de Chicago
está sendo adaptada por outros especialistas para manter e prolongar
a saúde sexual de mulheres e homens. A medicina, os laboratórios
e os terapeutas estão produzindo soluções para as
mais resistentes disfunções sexuais, ajudando a prevenir
outras e a manter por décadas um desempenho satisfatório.
"Estamos vivendo a revolução pós-Viagra, com avanços
notáveis para homens e mulheres", diz o médico João
Toniolo Neto, professor da Universidade Federal de São Paulo.
O Viagra,
a pílula que alivia oito em cada dez casos de impotência
masculina, abriu realmente mais uma fronteira na medicina. Resolvida a
questão básica da irrigação sanguínea
peniana com o Viagra e os remédios semelhantes que se seguiram
a ele, como o Uprima, o foco de atuação dos especialistas
agora recaiu sobre questões que indiretamente afetam o desempenho
sexual masculino. As mulheres também se beneficiaram de descobertas
recentes e da aplicação mais ampla de outros princípios
de saúde sexual que andavam esquecidos. A nova revolução
tem dois pilares, o restabelecimento da normalidade hormonal e o estímulo
da disposição sexual. "As soluções para manter
a libido por mais tempo constituem hoje o foco dos especialistas em sexo,
e os resultados são animadores", diz Toniolo. A frente de batalha
mais promissora é na área hormonal. Há décadas
os cientistas sabem que os hormônios, substâncias reguladoras
de quase todas as funções corporais, são produzidos
em quantidades decrescentes ao longo da vida. Essa queda se dá
a partir dos 35 anos. Os homens começam a perder o estoque de testosterona,
o hormônio predominante no organismo masculino. Nas mulheres, vai
secando progressivamente o estrógeno, que tem queda brusca na menopausa.
A ação
mais positiva da medicina nos anos 90 foi repor esses hormônios
na esperança de restaurar a saúde e evitar as doenças
associadas à falta daquelas substâncias entre elas
quase todas as disfunções sexuais, como impotência
e ausência de desejo. A novidade agora é um refinamento da
técnica de reposição hormonal. Em vez de simplesmente
repor as substâncias que faltam, o que se mostrou um método
simplista e carregado de efeitos colaterais, os médicos adotaram
técnicas para estimular a produção natural dos hormônios.
"As pessoas podem rejuvenescer sexualmente em alguns anos com o restabelecimento
do equilíbrio hormonal", diz o médico americano Irwin Goldstein,
da Faculdade de Medicina da Universidade de Boston. Goldstein é
um dos autores do teste que permite avaliar a idade sexual de homens e
mulheres publicado com esta reportagem. (O
teste pode ser feito aqui no site, com a vantagem de obter os resultados
automaticamente, sem a necessidade de fazer contas.)
"A estratégia
agora não é mais dar o peixe, mas ensinar a pescar", diz
Geraldo Medeiros, professor de endocrinologia da Universidade de São
Paulo (USP) e um dos pioneiros da reposição hormonal no
Brasil. Há diversas maneiras de estimular a produção
natural de hormônios com reflexos positivos no desempenho sexual.
Mas isso não é tudo. "É preciso querer ter boa saúde
sexual, o que é bem mais complexo do que parece", afirma Goldstein.
Em sua clínica, ele precede todos os tratamentos com terapias que
tentam descobrir eventuais entraves psicológicos dos pacientes.
Mesmo para esses bloqueios emocionais existem hoje remédios que
podem removê-los ou preparar a pessoa para obter ainda mais benefícios
da psicoterapia. Boa parte das disfunções sexuais na idade
adulta é causada por stress, ansiedade e depressão. Até
bem pouco tempo atrás, para desânimo dos sexólogos,
as mesmas drogas que aliviavam a ansiedade eram depressoras da libido.
"Temos agora uma família de drogas ansiolíticas e antidepressivas
que não prejudicam o desejo sexual", diz o médico Toniolo.
Claudio Rossi
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| O
médico Eduardo Monteiro malha na academia: pré-hormônio
e namorada dezoito anos mais nova |
Foram o stress
e a ansiedade que atrapalharam a vida sexual do casal paulista Laner Pierro,
de 52 anos, e Marilia Amaral, 48. Juntos há dezesseis anos, tinham
entrado naquela fase menos aquecida do relacionamento. As crises de stress
e ansiedade de Pierro minaram seu potencial sexual. Ele passou a ter ejaculação
precoce. Os médicos receitaram ao casal doses de antidepressivos
mais modernos. "Os resultados não podiam ser melhores", diz Pierro.
O primeiro passo, como lembra Goldstein, é manifestar abertamente
a insatisfação e buscar ajuda. "Procuro qualidade de vida
e com isso preservar uma boa forma física e sexual", observa a
dona-de-casa Edna Nogueira dos Santos, 56 anos, que há seis começou
a fazer tratamento hormonal para aliviar os sintomas da menopausa.
Os médicos
calculam que mais de 30% das brasileiras de classe média e alta
que estão na menopausa se valem dessa técnica (o tratamento
chega a custar 3.000 reais por ano). O objetivo
é prolongar a saúde e o vigor sexual. A reposição
diminui em 70% os riscos de fraturas ósseas, decorrentes da osteoporose.
Quem se decide por esse caminho precisa de acompanhamento médico,
pois os remédios aumentam a probabilidade de câncer de mama
em quem tem histórico familiar da doença. Além dos
hormônios tipicamente femininos, como estrógeno e progesterona,
as terapias mais modernas para mulheres incorporaram nas doses também
o hormônio masculino por excelência, a testosterona. A idéia
é repor a pequena parcela de testosterona natural fabricada pelo
organismo feminino. "A soma dos dois, o estrógeno e a testosterona,
melhora muito o desempenho sexual e a libido", diz o endocrinologista
Medeiros. "As mulheres hoje associam diretamente a saúde ao bem-estar
sexual", afirma a médica francesa Marie-Aline Limouzin-Lamothe,
que acaba de divulgar os resultados de ampla pesquisa com mulheres européias
sobre os benefícios e riscos dos tratamentos hormonais.
Na linha
terapêutica de ajudar o corpo a produzir a substância que
a idade rouba, existem alternativas que podem ser tentadas mesmo sem orientação
médica direta. A mais popular delas são as cápsulas
de dehidroepiandrosterona (Dhea), que teoricamente estimularia a produção
de testosterona. Ainda sem comprovação científica
cabal dessa propriedade, a Dhea tornou-se a cápsula sem receita
mais vendida nos Estados Unidos. O cardiologista brasileiro Eduardo Monteiro,
de 53 anos, receitou-se cápsulas diárias de Dhea quando
começou a sentir os efeitos da idade. Pai de um filho de 32 anos,
Monteiro tem uma namorada de 25 e se exercita com pesos quatro vezes por
semana numa academia. "Tomo Dhea de forma preventiva e vem funcionando
muito bem", conta o médico. A prevenção retarda o
relógio do envelhecimento sexual. Os médicos descobriram
isso de maneira empírica ao tratar jovens com disfunções
sexuais. Uma pesquisa feita entre adultos brasileiros encontrou uma proporção
grande de homens em torno de 25 anos com queixas de falta de orgasmo.
Levantamentos semelhantes feitos nos Estados Unidos nos anos 90 ajudaram
a entender os fatores que mais afetam diretamente a saúde sexual
mesmo quando o corpo parece estar em plena forma. O hábito de fumar,
a má alimentação, o excesso de álcool e a
falta de sono atingem em especial duas áreas muito sensíveis,
o cérebro e a função sexual igualmente de
homens e mulheres. O melhor ainda está por vir: parar de fumar,
adotar hábitos saudáveis de vida, como caminhadas e dietas
de baixas calorias, não apenas acerta o relógio biológico.
Ajuda a atrasá-lo. "Em alguns casos, o ganho na idade sexual é
de um punhado de anos", diz o médico Irwin Goldstein. "Mesmo quando
o benefício geral para o organismo não é tão
sensível."
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As armas do homem
REPOSIÇÃO
HORMONAL
Desde
1999 firmou-se como forma de combater a perda de testosterona. Há
médicos que indicam o tratamento a partir de 45 anos, quando
alguns homens apresentam queda no índice do hormônio.
Não é recomendado a pacientes com histórico
familiar de câncer precoce (até 50 anos) na próstata.
ANTIDEPRESSIVOS
As drogas usadas para
combater a ejaculação precoce provocada por ansiedade
e stress tinham entre seus efeitos colaterais a impotência.
Uma nova geração de medicamentos, como Wellbutrin,
age em dois neurotransmissores diferentes e não compromete
o desempenho sexual. Pode provocar hipertensão em alguns
pacientes.
DROGAS
PARA
IMPOTÊNCIA
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| Viagra:
o Brasil é o maior consumidor do mundo |
O Viagra
revolucionou o combate à dificuldade de obter ereção.
No ano passado, foi lançado um novo medicamento, o Uprima,
e ainda neste ano devem chegar às farmácias outros
dois, Cialis e Nuviva. Cuidados: o Viagra não pode ser usado
por homens que tomam remédio para problemas cardiovasculares.
As armas da mulher
REPOSIÇÃO
HORMONAL
A
novidade é a adição do hormônio masculino
testosterona à reposição de estrógeno.
Os médicos prescrevem a combinação para recuperar
mais eficientemente o desejo feminino. Cuidados: pacientes com risco
familiar de câncer devem ter acompanhamento médico.
A alternativa aos hormônios sintéticos é a isoflavona,
feita à base de soja, que não tem efeitos colaterais.
ANTIDEPRESSIVOS
Além
de reduzir a ansiedade e a depressão, os novos medicamentos
estão ligados a substâncias que influenciam a libido.
Drogas como o Wellbutrin induzem a produção no cérebro
de dopamina e noradrenalina, duas dessas substâncias. Cuidados:
ele pode provocar hipertensão, alergia e insônia em
alguns pacientes.
NOVOS
ANTICONCEPCIONAIS
Os
anticoncepcionais antigos apresentam uma combinação
de estrógeno e progesterona. Os de nova geração,
como o Implanon (um bastonete subcutâneo), e algumas versões
injetáveis contêm também o hormônio masculino
testosterona, o que aumenta o desejo. Cuidados: em alguns casos
raros, provoca aumento de pêlo no corpo.
Fontes:
João Toniolo Neto/Unifesp, Antonio Nisida/HC-USP, Geraldo
Medeiros (USP)
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Com
reportagem de Juliana Saboia, Rosana Zakabi e Natasha Madov
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