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Edição 1 738 - 13 de fevereiro de 2002
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Garimpeiros de alto-mar

Pescadores se arriscam para
buscar o valioso grude, mas
nem sabem para que serve

Leonardo Coutinho
Fotos de Pedro Martinelli

 
A pescada-amarela: o grude vale mais que o peixe


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Mais fotos da pesca do grude

Gurijuba e pescada-amarela são dois peixes que dão muita alegria aos pescadores do norte do país. Com média de peso na casa dos 10 quilos, formando cardumes numerosos em alto-mar, as duas espécies levam algumas centenas de trabalhadores a enfrentar ondas de até 5 metros de altura em precárias embarcações, em viagens de um dia. No ano passado, eles pescaram, com linha e anzol, mais de 25.000 toneladas desses dois tipos de peixe. A carne de ambos é saborosa e vale 1,50 real o quilo, mas esse é só um dos produtos da atividade. Os pescadores querem também um órgão interno dos peixes, mais precisamente a bexiga natatória, uma bolsa de mau aspecto, com textura semelhante à de uma lula. Esse órgão controla o nível de flutuação da gurijuba e da pescada. Cheia de ar, essa vesícula faz o peixe se aproximar da superfície. Vazia, permite que alcance as profundezas do oceano. Os pescadores chamam essa membrana de "grude". Um quilo de grude vale até 90 reais. Num exemplar de tamanho médio, o grude pesa 250 gramas. Ou seja, vale mais que o peixe.

Numa única viagem, o pescador José Maria Cardoso, que trabalha em São Caetano de Odivelas, a 130 quilômetros de Belém, pega mais de 100 quilos de peixe. Antes mesmo de desembarcar, ele limpa o pescado, salga e guarda a parte mais preciosa numa caixa. Com a ajuda de dois empregados, que ganham 700 reais por mês, ele tem um faturamento quatro vezes maior que cada auxiliar. Se pescasse todos os dias, conseguiria ainda mais. Noutros pontos do país, é raro o pescador artesanal com rendimento mensal acima de 300 reais. Mais que os perigos do mar, esses garimpeiros de peixes preciosos enfrentam também a cobiça de assaltantes atraídos pela rentabilidade do negócio. Acontecem dezenas de casos de pirataria todos os meses. Quando o navegador neozelandês Peter Blake foi morto, na costa do Amapá, dois meses atrás, houve primeiro a suspeita de que seus assassinos tivessem relação com as quadrilhas especializadas no roubo do grude. Há um frenético mercado comprador para esse produto nos portos e nas praias, e ninguém pergunta pela origem da mercadoria. "Todo mundo sabe que tem perigo, mas a gente não vive sem a pesca. Tem de contar com a sorte", diz a presidente da associação local de mulheres pescadoras, Luciana Barros. Também elas se aventuram nessa atividade.

 

Perigo: grandes ondas no mar e piratas no porto

Para que serve o grude? "Não sei. Só sabemos que vale muito", responde a pescadora. Quem compra as bolsas natatórias, exportadas depois de secas, tem muitas utilidades para elas. O grude é iguaria gastronômica na China. Os ingleses compram o produto para usá-lo como filtro e clareador de cerveja. As mesmas bolsas são matéria-prima para colas de alta performance nos EUA e na Alemanha. Depois de processado e transformado em lâminas como as de gelatina, o grude ganha o nome de issinglass e pode ser utilizado na composição de medicamentos, cosméticos, filmes fotográficos, móveis, instrumentos musicais e varas de pescar de grande resistência, em diversos países. "Os empregos dessas membranas são tantos que ainda não foi possível catalogar todos", diz a pesquisadora Rosália Cotrim, do órgão que coordena pesquisas sobre pesca na Região Norte, o Cepnor. Em 2001, a exportação de grude atingiu mais de 200 toneladas pelos portos do Pará e do Amapá. Esse negócio movimentou três vezes mais dinheiro que o comércio normal de gurijuba e pescada-amarela nesses portos. Segundo o exportador Roberto Braga, de Belém, é a China que paga os melhores preços pelo produto. "Os pratos preparados com isso têm aspecto horrível, mas os chineses adoram", conta Braga. "Para eles, é como o nosso filé."

   
 
   
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