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O príncipe
foge de casa
Cansado
de fazer papel decorativo,
o marido da rainha da Dinamarca
abandona o país
José
Eduardo Barella
Há algo de podre no reino da Dinamarca. E, desta vez, é
para valer. Cansado de exercer papel secundário na casa real mais
antiga do mundo, o príncipe consorte Henrik simplesmente saiu de
casa. Deixou para trás a rainha Margrethe, com quem está
casado há 34 anos, e foi afogar as mágoas na vinícola
que mantém em Caix, no sul da França. A crise existencial
de Henrik, um francês de 67 anos, está longe de rivalizar
com o drama do atormentado príncipe que William Shakespeare imortalizou
em Hamlet, uma peça sobre intrigas na corte dinamarquesa,
mas foi suficiente para abrir um transtorno sem precedentes na família
real. O estopim foi uma rusga com o cerimonial durante a tradicional recepção
de fim de ano no Palácio Real de Amalienborg, em Copenhague. Na
ausência da rainha, que se recuperava de uma fratura numa costela,
o papel de anfitrião da noite foi passado ao herdeiro da coroa,
o príncipe Frederik, de 33 anos. A decisão irritou Henrik.
Sentindo-se "humilhado", o príncipe consorte chutou o balde real
numa entrevista a um jornal sensacionalista no domingo passado. "Depois
de todos esses anos na Dinamarca exercendo o papel de número 2,
não me agrada tornar-me subitamente o número 3", queixou-se
Henrik, que comparou sua posição à de uma primeira-dama.
"O 'primeiro-homem' sou eu, não meu filho."
Como não
é todo dia que um príncipe consorte foge de casa, a rainha
Margrethe, de 61 anos, deixou de lado as formalidades protocolares e correu
atrás do marido, acompanhada do príncipe herdeiro. Numa
tentativa de abafar a crise familiar, seus assessores se apressaram em
providenciar uma foto dos três na frente do castelo em Caix e declarações
de que em uma semana Henrik deveria voltar para casa. Nascido no sudoeste
da França com o nome de Henri de Labordi de Monpezat e o título
de conde, o príncipe consorte era um diplomata de carreira até
conhecer a rainha. Além do herdeiro Frederik, o casal teve outro
filho, Joachim, de 32 anos. Mesmo abrindo mão de religião,
nacionalidade, carreira profissional e até do nome de batismo para
poder casar-se com a popularíssima Margrethe, Henrik nunca caiu
nas graças dos dinamarqueses. A origem nobre, em vez de facilitar,
acabou dificultando sua adaptação ao novo país. Isso
porque as regras da corte dinamarquesa são implacáveis com
o príncipe consorte. Nas cerimônias oficiais, ele deve andar
sempre dois passos atrás da soberana e não pode intervir
nas conversas de Sua Majestade. Henrik enfrenta outra restrição
desagradável. Diferentemente de outros consortes, ele não
tem direito a verba pessoal e depende da rainha até para comprar
uma pasta de dentes.
O drama
do príncipe dinamarquês incomodado com as regras fora de
moda da realeza não é exceção nas casas reais
européias. É crescente o número de nobres de sangue
azul propensos a passar por cima das rígidas tradições
impostas pelo regime monárquico para tentar ser felizes. Como as
famílias reais não dispõem mais de poder político,
manter a tradição nos moldes antigos não é
tarefa fácil. Hoje, elas dão-se por satisfeitas se o príncipe
herdeiro arruma uma noiva de boa família de sangue azul
ou não. Da Noruega vêm os exemplos mais evidentes dessa nova
tendência. O príncipe Haakon Magnus, de 28 anos, rompeu dois
tabus de uma só vez no ano passado. Foi o primeiro herdeiro de
um trono europeu a casar-se com uma mãe solteira e o primeiro príncipe
a morar com uma mulher sob o mesmo teto antes de formalizar a união.
A escolhida, Mette-Marit, viveu anteriormente com um sujeito que já
havia sido condenado por tráfico de drogas. Neste ano, a princesa
Märtha Louise, irmã do príncipe Haakon, decidiu abdicar
dos privilégios da realeza para poder trabalhar. Pelas leis do
país, os integrantes da família real não podem ganhar
o próprio dinheiro. A princesa vai abrir uma clínica de
fisioterapia alternativa e apresentar um programa de histórias
infantis na TV. Ela também deverá casar-se com um plebeu,
o polêmico produtor de TV Ari Behn.
A família
real de Mônaco é a que reúne o maior número
de casos fora dos antigos padrões. A princesa Caroline já
está no terceiro casamento, todos problemáticos ou simplesmente
trágicos, como o em que o marido morreu num acidente. Sua irmã,
Stéphanie, só conseguiu autorização para se
casar com seu guarda-costas depois de ter tido dois filhos com ele. Separou-se
e engravidou de novo de outro guarda-costas. No ano passado, Stéphanie
deixou a realeza européia de cabelo em pé ao unir-se a um
dono de circo. Vive num trailer, perambulando pela Europa. O príncipe
Albert, herdeiro do trono, continua solteiríssimo aos 43 anos,
em meio a especulações sobre sua hesitação
sistemática em procurar uma noiva.
AFP
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| Casamento
do príncipe Willen-Alexander, da Holanda, com a argentina Máxima:
festa da realeza embalada pelo tango |
Com tantos escândalos, o casamento do príncipe Willem-Alexander,
herdeiro do trono holandês, com a argentina Máxima Zorreguieta,
na semana passada, ensaiou a volta do velho glamour das casas reais. A
realeza européia estava presente em peso à cerimônia.
Máxima vestia um modelo belíssimo desenhado pelo estilista
Valentino, com cauda de 5 metros. Cerca de 70.000
pessoas saudaram os noivos nas ruas de Amsterdã, numa mostra da
popularidade da monarquia no país. As coincidências com os
casamentos memoráveis de outras épocas param por aí.
O pai da noiva foi impedido de comparecer por ter sido ministro no regime
militar argentino. Nessa condição, entendem os holandeses,
ele tem alguma parcela de responsabilidade nas torturas e nos desaparecimentos
promovidos pela ditadura. Sua ausência foi a condição
imposta para que a união fosse autorizada pelo Parlamento. Mesmo
assim, um grupo de holandeses protestou batendo panelas numa alusão
às manifestações que marcaram o início da
atual crise política argentina. Em 1966, a então princesa
herdeira Beatrix, mãe de Willem-Alexander, também causou
polêmica ao se casar com o diplomata alemão Claus von Amsberg,
antigo militante nazista.
A mulher
do futuro rei da Holanda é um exemplo às avessas da nova
geração. Enquanto Märtha Louise, da Noruega, abriu
mão da realeza para trabalhar, Máxima abandonou um emprego
no mercado financeiro para abraçar a vida de princesa. Ela deveria
ouvir alguns conselhos do sogro para não se arrepender. O príncipe
consorte Claus, um dos integrantes da família real mais respeitados
na Holanda, luta há anos contra a depressão mesmo
mal que agora parece atingir o príncipe Henrik, da Dinamarca. É
dura a vida da realeza.
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