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Ele é campeão
Joaquim
Roriz é o governador
que mais dá trabalho à Justiça
Vannildo
Mendes
Acácio Pinheiro
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| Roriz: a mais nova acusação é
sobre crime de racismo |
Há
dez dias, o governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, discursava
para uma animada platéia de correligionários e, lá
pelas tantas, irritou-se com um aposentado que protestava contra o pagamento
de uma taxa. Do alto do palanque, o governador convocou sua claque, aos
gritos, para vaiar o "crioulo petista". Na semana passada, a acusação
de racismo foi parar no Superior Tribunal de Justiça (STJ), instância
que julga os governadores. Bom de voto, Roriz é também bom
de processo. Ele responde a treze na Justiça local, está
sendo investigado por crime eleitoral e o Ministério Público
já tem prontas outras dezesseis ações. No STJ, Roriz
já foi réu de 28 processos, um recorde nacional entre os
27 governadores do país. Destes, treze foram arquivados, a maioria
sobre crimes de opinião, como injúria e calúnia.
Entre os que restaram estão as acusações mais cabeludas.
Há de tudo: improbidade administrativa, desvio de dinheiro público,
incitação à violência, prevaricação,
desobediência civil, obstrução da Justiça e
até grilagem de terra pública.
A abertura
de um processo, naturalmente, não significa que o governador seja
culpado de tudo o que o acusam. Mas pelo menos uma acusação
já chamou a atenção até das autoridades federais,
em Brasília: a grilagem de terra. Em suas gestões, Roriz
permitiu que invasores fizessem fortunas vendendo terras públicas.
Mais tarde, descobriu-se que o mais famoso dos grileiros, além
de amigo, era sócio do governador. Certa vez, num arroubo semelhante
ao que o levou a chamar um cidadão de "crioulo petista", Roriz
instigou sua platéia num comício a agredir oficiais de Justiça
que tentavam cumprir um mandado de despejo contra invasores de área
pública. A falta de regras durou até o mês passado,
quando o governo federal baixou um decreto transformando o que resta das
terras públicas do Distrito Federal em Área de Proteção
Ambiental (APA). Foi uma forma disfarçada, uma espécie de
intervenção federal branca, para evitar que Roriz e amigos
persistam na farra fundiária. Pelo menos nisso o governador terá
de ser mais comedido.
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