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Edição 1 738 - 13 de fevereiro de 2002
Brasil Distrito Federal

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Ele é campeão

Joaquim Roriz é o governador
que mais dá trabalho à Justiça

Vannildo Mendes

 
Acácio Pinheiro
Roriz: a mais nova acusação é sobre crime de racismo

Há dez dias, o governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, discursava para uma animada platéia de correligionários e, lá pelas tantas, irritou-se com um aposentado que protestava contra o pagamento de uma taxa. Do alto do palanque, o governador convocou sua claque, aos gritos, para vaiar o "crioulo petista". Na semana passada, a acusação de racismo foi parar no Superior Tribunal de Justiça (STJ), instância que julga os governadores. Bom de voto, Roriz é também bom de processo. Ele responde a treze na Justiça local, está sendo investigado por crime eleitoral e o Ministério Público já tem prontas outras dezesseis ações. No STJ, Roriz já foi réu de 28 processos, um recorde nacional entre os 27 governadores do país. Destes, treze foram arquivados, a maioria sobre crimes de opinião, como injúria e calúnia. Entre os que restaram estão as acusações mais cabeludas. Há de tudo: improbidade administrativa, desvio de dinheiro público, incitação à violência, prevaricação, desobediência civil, obstrução da Justiça e até grilagem de terra pública.

A abertura de um processo, naturalmente, não significa que o governador seja culpado de tudo o que o acusam. Mas pelo menos uma acusação já chamou a atenção até das autoridades federais, em Brasília: a grilagem de terra. Em suas gestões, Roriz permitiu que invasores fizessem fortunas vendendo terras públicas. Mais tarde, descobriu-se que o mais famoso dos grileiros, além de amigo, era sócio do governador. Certa vez, num arroubo semelhante ao que o levou a chamar um cidadão de "crioulo petista", Roriz instigou sua platéia num comício a agredir oficiais de Justiça que tentavam cumprir um mandado de despejo contra invasores de área pública. A falta de regras durou até o mês passado, quando o governo federal baixou um decreto transformando o que resta das terras públicas do Distrito Federal em Área de Proteção Ambiental (APA). Foi uma forma disfarçada, uma espécie de intervenção federal branca, para evitar que Roriz e amigos persistam na farra fundiária. Pelo menos nisso o governador terá de ser mais comedido.

 
 
   
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