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Edição 1 738 - 13 de fevereiro de 2002
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Uma agressão gratuita

 
Reuters/Doug Kantor
O'Neill: bobagem teórica e gafe diplomática

Na história das relações bilaterais entre o Brasil e os Estados Unidos, parecia coisa do passado a figura do alto funcionário público americano com doses idênticas de soberba e ignorância a respeito das realidades brasileiras. Esse personagem ressurgiu na semana passada na pessoa de Paul O'Neill, secretário do Tesouro americano. Numa intervenção durante um almoço de trabalho no Fórum Econômico Mundial, encerrado em Nova York na segunda-feira passada, O'Neill disse que, não fosse pela "corrupção e o desrespeito às leis, as taxas de juro no Brasil seriam de 6%, e não de 19%". O comentário de O'Neill foi inoportuno e equivocado. Acaba de falir nos Estados Unidos a empresa Enron, gigante do ramo energético, num grosso escândalo com ramificações ainda não totalmente esclarecidas na alta cúpula do governo. Do ponto de vista da teoria econômica, o que O'Neill disse não faz sentido. Se existisse uma relação direta entre escândalos e taxas de juro, certamente o caso Enron teria obrigado o Fed, banco central americano, a dobrar ou triplicar a taxa atual de juros de 1,75%.

A verdade é que o Brasil vem fazendo enorme esforço de contenção da corrupção em todos os níveis. Só no ano passado, três senadores da República foram mandados de volta para casa por seus pares por suspeita de terem cometido irregularidades. A Câmara dos Deputados acabou com o ancestral privilégio jurídico que concedia imunidade a parlamentares autores de crimes comuns. Ministros e outras autoridades de primeiro escalão têm perdido o cargo sempre que surgem indícios de corrupção contra eles. Ao mesmo tempo, o Brasil tem alargado sua influência em fóruns internacionais, enquanto consolida seu papel de líder regional na América do Sul. Ainda há muito por fazer, mas certamente o Brasil não é o país que O'Neill descreveu.

 
 
   
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