
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Uma agressão
gratuita
Reuters/Doug Kantor
 |
| O'Neill:
bobagem teórica e gafe diplomática |
Na história
das relações bilaterais entre o Brasil e os Estados Unidos,
parecia coisa do passado a figura do alto funcionário público
americano com doses idênticas de soberba e ignorância a respeito
das realidades brasileiras. Esse personagem ressurgiu na semana passada
na pessoa de Paul O'Neill, secretário do Tesouro americano. Numa
intervenção durante um almoço de trabalho no Fórum
Econômico Mundial, encerrado em Nova York na segunda-feira passada,
O'Neill disse que, não fosse pela "corrupção e o
desrespeito às leis, as taxas de juro no Brasil seriam de 6%, e
não de 19%". O comentário de O'Neill foi inoportuno e equivocado.
Acaba de falir nos Estados Unidos a empresa Enron, gigante do ramo energético,
num grosso escândalo com ramificações ainda não
totalmente esclarecidas na alta cúpula do governo. Do ponto de
vista da teoria econômica, o que O'Neill disse não faz sentido.
Se existisse uma relação direta entre escândalos e
taxas de juro, certamente o caso Enron teria obrigado o Fed, banco central
americano, a dobrar ou triplicar a taxa atual de juros de 1,75%.
A verdade
é que o Brasil vem fazendo enorme esforço de contenção
da corrupção em todos os níveis. Só no ano
passado, três senadores da República foram mandados de volta
para casa por seus pares por suspeita de terem cometido irregularidades.
A Câmara dos Deputados acabou com o ancestral privilégio
jurídico que concedia imunidade a parlamentares autores de crimes
comuns. Ministros e outras autoridades de primeiro escalão têm
perdido o cargo sempre que surgem indícios de corrupção
contra eles. Ao mesmo tempo, o Brasil tem alargado sua influência
em fóruns internacionais, enquanto consolida seu papel de líder
regional na América do Sul. Ainda há muito por fazer, mas
certamente o Brasil não é o país que O'Neill descreveu.
|
|
 |