Panorama
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• Cinema: Onde Vivem os Monstros, de Spike JonzeLeitor
Laser"Lendo a reportagem, percebi que a aplicação
do laser na medicina é maravilhosa. Parabéns à ciência
médica, que consegue com um feixe de luz concentrado curar tantas pessoas." Dá muita segurança saber que há o laser,
um caminho promissor na medicina, não apenas uma luz, mas uma avenida
aberta aos diversos setores, podendo ser utilizado em estética e em curas.
A reportagem ensinou, esclareceu e deu um banho de otimismo. É muito
bom começar o ano com tão boas perspectivas. Parabéns a
Veja! ("Laser - A medicina da luz", 6 de janeiro.) Li com muita atenção a reportagem, pois tenho trabalhado
com o laser há quatro anos no tratamento de hemangiomas, malformação
em crianças caracterizada por manchas avermelhadas que causam deformidades
e graves problemas psicológicos. O laser veio para dar um alento a esses
pacientes e o tratamento precoce minimizou bastante a evolução
do problema, com sua estabilização e até a regressão
da doença. Temos utilizado o laser, também com sucesso, em outra
patologia congênita, o nevo piloso gigante, doença considerada
complexa e de difícil tratamento, pois envolve dezenas de cirurgias plásticas.
Esse equipamento está disponível no Hospital Materno Infantil
em Goiânia sem nenhum custo para os pacientes, pois todo o tratamento
é realizado pelo SUS. Gostaria de cumprimentar VEJA pela clareza com que foi escrita
a reportagem sobre laser em medicina. Contudo, cabe-me esclarecer que o procedimento
por ultrassom para fragmentação de cálculos renais só
é indicado para pedras de grande tamanho (acima de 2,5 centímetros)
e para seu uso são necessárias punção e passagem
de instrumental através do rim. Para cálculos menores que 2,5
centímetros situados no rim, frequentemente se utiliza a fragmentação
por meio de ondas de choque (litotripsia extracorpórea), sem a necessidade
de incisão ou punção. O laser (holmium laser) é
comumente indicado para pedras presas no ureter (canal que comunica o rim com
a bexiga). O uso do laser dentro do rim não é frequente e se dá
apenas para cálculos situados na sua porção inferior. Portanto,
laser, ultrassom e ondas de choque possuem indicações distintas.
Obrigado e continuem nos brindando com reportagens de nível e direcionadas
a esclarecer o grande público. Na excelente reportagem sobre a aplicação de laser
em vários setores da patologia humana faltou a inclusão do uso
de laser neodímio-ítrio em nódulos da tireoide. Sabemos
que nódulos sólidos na glândula tireoide são muito
comuns e facilmente diagnosticados por exame ultrassonográfico. É
aconselhável fazer uma punção para afastar a possibilidade
de malignidade (câncer da tireoide). Cerca de 80% a 85% desses nódulos
são benignos e muitos são submetidos a cirurgia. O tratamento
com laser leva a uma redução de 60% do volume inicial do nódulo,
após prazo de doze a dezesseis meses. Com técnica adequada e cuidados
na supervisão com ultrassonografia durante o procedimento de ablação
com laser, os efeitos secundários são mínimos e o procedimento
é considerado seguro, sendo uma excelente alternativa para evitar a cirurgia
do nódulo da tireoide.
TCUExcepcional a reportagem "Desvios subterrâneos"
(6 de janeiro), sobre as obras com sérias irregularidades e claros sinais
de superfaturamento. Impressionante o caso do metrô de Salvador, que teve
o trajeto encurtado pela metade e mesmo assim seu custo aumentou em 76%. Por
mera curiosidade, gostaria de saber: existe no Brasil alguma obra de grande
porte que tenha sido executada dentro do prazo acordado, sem superfaturamento
e respeitando o valor inicial do custo de contratação? Ao ler a reportagem da primeira revista do ano, incluí
mais um pedido na minha lista de desejos de 2010: que o TCU continue podendo
exercer seu louvável ofício de tentar frear a trambicagem de políticos
e empreiteiras oportunistas nos canteiros de obras do Brasil. Está de parabéns o Tribunal de Contas da União
pelas eficazes e honestas ações fiscalizadoras sobre a aplicação
do dinheiro público, buscando evitar que a gatunagem se estabeleça,
como de costume. A Petrobras esclarece que não existe sobrepreço
nem "jogo de planilha" nas obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.
A companhia realiza as licitações pelo menor valor global da obra.
Quando são necessários itens além dos previstos em contrato,
a negociação é feita caso a caso, pelo valor de mercado.
A empresa esclarece, ainda, que existem diferenças entre as metodologias
de custos adotadas pelo Tribunal de Contas da União e pela Petrobras.
Rogério FasanoQuero cumprimentar a redação de VEJA pela entrevista
com Rogério Fasano, uma verdadeira luz na imensa escuridão que
envolve a culinária, hoje repleta de modismos, bobagens e mitos. Como
professor de culinária e estudioso do mundo da gastronomia, concordo
plenamente com o entrevistado e espero que os pretensos "chefes" leiam
e jamais esqueçam esse formidável depoimento (Entrevista, 6 de
janeiro). Excelente, inteligente e destemida a entrevista com Rogério
Fasano, que mostra alguns segredos para manter o que há de melhor na
gastronomia clássica diante de tantas inovações e modismos
na cozinha. Mas não concordo com suas explicações sobre
o significado da palavra couvert nem que um simples pãozinho com manteiga
possa custar 27 reais, apenas para a reposição de copos de cristal,
toalhas de linho egípcio e porcelanas importadas.
Lya LuftLya Luft presenteia os leitores de VEJA neste início de
ano com o artigo "O ano de pensar" (6 de janeiro). Entre as inúmeras
sugestões que ela faz para ter uma vida voltada à contemplação
das boas coisas, vale a pena refletir nesta: "Vale tudo menos chorar tempo
demais. Pois sempre há coisas boas para pensar. Algumas se realizam.
Criança sabe disso. Feliz 2010".
Correção: Ao contrário do que foi publicado na reportagem "A primeira década do século XX..." (30 de dezembro), a Torre Eiffel foi a grande atração da Exposição Universal de Paris de 1889 e não de 1900. |