Imagem da Semana
A
dança do acasalamento
O presidente
sul-africano tem mais uma esposa oficial,
mas ainda falta mostrar que dá
conta do país

Vilma Gryzinski
Simphiwe Nkwali/AP
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Cada vez
que Jacob Zuma, presidente da África do Sul desde maio passado, aparece
com aquela roupinha de leopardo, já se sabe: ele vai se casar de novo e
muitas bobagens serão ditas a respeito. Tipo, ele é um "polígamo
praticante" que assume as raízes tribais e desafia os padrões
brancos ocidentais e cristãos. Grande novidade, considerando-se que Zuma
não é nenhuma dessas coisas. O inusitado da cena, pelo menos para
quem não está acostumado a ver homens usando saiote de rabos de
bichinhos ameaçados combinado com tênis branco, também pode
propiciar o julgamento oposto: o de que o presidente se expõe ao ridículo
e deprecia as mulheres. Zuma, na verdade, faz a encenação toda porque
é um populista da gema e joga para o povão. No caso, os zulus, o
maior grupo étnico da África do Sul, com mais de 10 milhões
de integrantes. Com a dancinha da semana passada com a linda e bem fornida Tobeka
Madiba, Zuma somou cinco casamentos e três esposas simultâneas
uma se divorciou, e hoje é ministra do Interior, e outra se suicidou. Mais
duas estão na fila. Politicamente, Zuma deve ser julgado pelo que
faz para promover o bem-estar da população, incentivar a peculiar
experiência sul-africana pós-apartheid e combater o duplo flagelo
da aids e da violência que põe seu país na triste condição
de campeão de estupros. Aliás, ele próprio foi julgado, e
zerado, por esse crime. É um bocado de coisa para dar conta.
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