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Home  »  Revistas  »  Edição 2147 / 13 de janeiro de 2010


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Imagem da Semana

A dança do acasalamento

O presidente sul-africano tem mais uma esposa oficial,
mas ainda falta mostrar que dá conta do país


Vilma Gryzinski

Simphiwe Nkwali/AP

Cada vez que Jacob Zuma, presidente da África do Sul desde maio passado, aparece com aquela roupinha de leopardo, já se sabe: ele vai se casar de novo e muitas bobagens serão ditas a respeito. Tipo, ele é um "polígamo praticante" que assume as raízes tribais e desafia os padrões brancos ocidentais e cristãos. Grande novidade, considerando-se que Zuma não é nenhuma dessas coisas. O inusitado da cena, pelo menos para quem não está acostumado a ver homens usando saiote de rabos de bichinhos ameaçados combinado com tênis branco, também pode propiciar o julgamento oposto: o de que o presidente se expõe ao ridículo e deprecia as mulheres. Zuma, na verdade, faz a encenação toda porque é um populista da gema e joga para o povão. No caso, os zulus, o maior grupo étnico da África do Sul, com mais de 10 milhões de integrantes. Com a dancinha da semana passada com a linda e bem fornida Tobeka Madiba, Zuma somou cinco casamentos e três esposas simultâneas – uma se divorciou, e hoje é ministra do Interior, e outra se suicidou. Mais duas estão na fila. Politicamente, Zuma deve ser julgado pelo que faz para promover o bem-estar da população, incentivar a peculiar experiência sul-africana pós-apartheid e combater o duplo flagelo da aids e da violência que põe seu país na triste condição de campeão de estupros. Aliás, ele próprio foi julgado, e zerado, por esse crime. É um bocado de coisa para dar conta.
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